Adult Fantasy

Ballantine Adult Fantasy

 Certamente a série mais importante de livros de fantasia já lançada foi a Ballantine Adult Fantasy. Conhecer mais sobre ela é aprender sobre a própria popularização do gênero, e não poderia começar de maneira melhor do que em num buraco no chão, onde viva um hobbit.

O livro do Tolkien fez um grande sucesso na Inglaterra, e depois nos Estados Unidos. No Brasil é comum que só uma editora lance um livro, mas nos Estados Unidos normalmente várias o fazem, e The Hobbit foi publicado (entre outras editoras) pela Ballantine. O Senhor dos Anéis veio anos depois, e trouxe ainda mais sucesso. Mas graças a uma série de ardis legais a editora Ace Books foi a primeira a publicar os livros nos Estados Unidos, e sem pagar direitos autorais pro autor. Tolkien então negociou com outras editoras o lançamento da edição autorizada. Entre estas editoras estava novamente a Ballantine Books, que já tinha certa experiência na área de ficção especulativa (sempre quis usar este termo). A parceria deu muito certo pra ambos, e a Ballantine continuou a publicar material de fantasia.

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Mas todos os fãs do professor sabem que ele não era exatamente de produzir muito. Então a editora foi esticando. Lançou um livro chamado The Tolkien Reader, uma coletânea do que foi possível encontrar. Artigos acadêmicos, poemas, histórias curtas… E deve ter feito sucesso. Mas a fonte havia secado. Pelo menos momentaneamente, porque o filho do Tolkien tira leite de pedra até hoje :P Voltando ao assunto, a editora investiu em um autor consagrado no ano seguinte: E. R. Eddison.

No ano seguinte houve mais autores consagrados e mais republicações de materiais do Tolkien. E assim foi até que em 1969 alguém teve a ideia de lançar uma coleção mesmo sob um selo unificado. A série teria uma periodicidade mensal, os livros seriam baratos e vendidos no formato pocket book. E o editor escolhido foi Lin Carter.

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Lin Carter era um autor prolífico, além de ser editor e crítico. Ele escolheu a dedo os livros da Ballantine Adult Fantasy, e fez uma introdução para todos. É fácil achar fãs de H. P. Lovecraft ou Tolkien. Difícil é achar alguém com coragem para ler livros de autores desconhecidos. Lin Carter era muito eclético, e suas escolhas refletiam isto. Boa parte dos livros foram reedições, mas é difícil reclamar quando temos obras do calibre de Lud-in-the-Mist e The Last Unicorn. Houve também publicações de livros de novos autores e coletâneas de contos escolhidos a dedo por Lin Carter. Foi um trabalho de divulgação do gênero maravilhoso.

E se a ideia era uma dádiva infelizmente as vendas não foram tão boas. A série durou de 1968 até 1974, deixando saudades e marcas profundas em muitas pessoas. Lin Carter morreu em 1988, com 57 anos, vítima de câncer. Aconteceu um boom literário na área de fantasia nos Estados Unidos (e que há alguns anos chegou ao Brasil), e ele certamente é um dos nomes a se agradecer.

Abaixo fica uma galeria com a capa das edições. Infelizmente poucos destes livros foram lançados no Brasil, e muitos deles são difíceis de ler em inglês. Pra quem quiser correr atrás eu recomendo muito. Acho difícil haver uma coleção de livros de fantasia mais bonita. Não pelo acabamento, mas pelo que representam para o gênero.

2 comments

  1. Me parece que o termo “ficção especulativa” devesse ser ancorado a um nome: Júlio Verne! É sério, eu vejo este boom sobre fantasia e ficção e quase nunca nunca vejo Júlio Verne no meio disso. Não quero tirar o mérito de ninguém ou dizer que este é melhor que aquele, até por isso ser gosto e gosto ser nada. Mas em termos de ficção as obras mais inspiradoras que li, foram justamente a coleção de Júlio Verne.

    1. Eu li alguns livros do Júlio Verne na infância. Volta ao Mundo em 80 Dias e Vinte Mil Léguas Submarinas eu tenho certeza. O último em especial eu adorava. Eu acho que comprei muitos livros dele pro Kindle, mas não tenho certeza.

      Sempre liguei o Júlio Verne mais a ficção científica, um gênero pelo qual eu não tenho o mesmo carinho que tenho pelos livros de fantasia. Mesmo que eu ame Eu, Robô, Star Trek, o Guia do Mochileiro e tantas outras obras de ficção. E também ligo o Júlio a literatura pré-adolescente. Se bem que é praticamente certeza que li versões editadas e censuradas. E numa coincidência curiosa estou lendo um livro scifi esta semana. Martian Chronicles, do Ray Bradbury. É… diferente. Vale a pena a leitura, mas tem muita coisa que ficou datada.

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