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SoundTest: Castlevania Symphony of The Night

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Poucos foram os jogos capazes de me transmitir a sensação de estar imerso em um mundo obscuro e sem esperanças. Castlevania, entretanto, faz isso com maestria. Castlevania Symphony of the Night (SOTN) merece certamente uma menção honrosa como uma das melhores e mais bem feitas trilhas de toda a franquia, sendo de autoria de Michiru Yamane.

Como destaque, há músicas do gênero barroco, heavy metal, techno, orquestrado, e outros que eu nem sei definir ao certo. Mantendo a atmosfera sombria temos The Door to the Abyss, música que apesar da marcação de ritmo, mais parece música clássica modernista. É possível perceber tais traços pela intercalação inconstante de piano, coaxar de sapos e violinos. Já Abandoned Pit é uma das minhas favoritas. Não para ouvir sempre, mas porque ao ouvi-la, cria-se na mente a imagem perfeita de um profundo e largo fosso, em cujas bordas corre uma escadaria que parece ter sido abandonada as pressas.

Wood Carving Partita surge durante a biblioteca do castelo, apresentando elementos da música barroca como o cravo e a orquestra de câmara. Com um belíssimo desenvolvimento, é para mim uma das melhores músicas do jogo. Já Dance of Illusions, Moonlight Nocturne, Tower of Mist e Dance of Pales são envolventes composições para orquestra, sendo as primeiras mais parecidas com músicas épicas, enquanto a Dance of Pales é uma valsa que poderia ter sido muitas vezes executada nos salões do antigo castelo de Drácula, na época em que haviam pessoas vivas para dançar.

Entretanto, Michiru Yamane também é heavy metal. Prologue, Dracula’s Castle, Festival of Servants e The Tragic Prince são exemplos de que ela é bem eclética em suas composições. Nessa músicas é muito comum a presença de uma batida forte, guitarras pesadas e, comumente, pequenos trechos de cordas, coral e órgão, caracterizando as músicas como semelhantes ao Symphonic Metal.

Há ainda certas composições com características de música sacra. Exemplo disso são Requiem for The Gods e Final Toccata. Nelas é muito marcante o coral e principalmente o órgão de igreja, o que contribui ainda mais para a atmosfera sombria, gerando a sensação de um castelo santo profanado.

Há ainda algumas anomalias: I am the Wind, música de encerramento romântica, que pra quem jogou, deve parecer muito deslocada no jogo, sendo que nem é criação de Yamane; e Wandering Ghosts, uma mistura de salsa com música eletrônica, mas executada por uma orquestra com a condução de uma guitarra elétrica. Realmente bizarro, mas sem dúvida muito bonita.

Sem dúvida, uma ótima trilha que merece ser ouvida várias vezes, independente de ter ou não jogado Castlevania Symphony of the Night. Mas, pra quem jogou, as músicas tem um tempero das trevas a mais.

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