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Discworld – Equal Rites

Equal Rites é o terceiro livro da série Discworld escrito pelo famoso autor inglês Terry Pratchett. Foi criado como um tributo aos 25 anos gastos lendo pelo autor livros de fantasia – ele começou aos treze anos, com o clássico Senhor dos Anéis, e o vício foi imediato. O conhecimento profundo do tema é um do trunfos de Pratchett – ninguém é tão bom quanto ele em desconstruir clichês e fazer rir. Equal Rites é um bom exemplo.

O livro foi lançado pela Conrad aqui no Brasil com o nome de Direitos Iguais Rituais Iguais. O título maior é graças a dificuldade de traduzir o trocadilho do título original com o termo Equal Rights. É uma história sobre igualdade entre os sexos – protagonizada por magos e bruxas em um mundo criado por deuses com grande imaginação mas, pouco senso prático.

Eskarina é uma jovem nascida em uma família de ferreiros na minúscula vila Cabra da Peste. Por um mal-entendido ainda bebê ela acaba herdando um bastão muito poderoso de um mago a beira da morte. O bastão a protege e a capacita realizar poderosas magias, embora ela não tenha muito controle sobre elas.

A bruxa que vive na sua vila, Vovó Cera do Tempo (Granny Weatherwax), decide treinar a menina pra que ela vire uma bruxa e largue estas coisas de mago. É que em Discworld há a magia das bruxas – mais contida e voltada para coisas vivas – e a magia dos magos, com efeitos mais poderosos, mais técnica e mais difícil de lidar. Não há bruxos nem magas. Só que Esk quer mais. Ela quer ser uma maga tanto quanto quer ser bruxa, e depois de descobrir que é inútil tentar convencê-la do contrário, Vovó Cera do Tempo decide acompanhá-la até Ankh Morpork. Lá elas esperam chegar à Universidade Invisível, escola para formação de magos e que só aceita alunos.

Direitos Iguais Rituais Iguais expande muito o universo de Discworld. Alguns conhecidos voltam, como o Bibliotecário, neste livro já transformado em orangotango. Morte também aparece, mas Ricewind e companhia não dão as caras. Não que façam falta, já que Equal Rites apresenta vários lugares e personagens carismáticos e criativos. O livro é cheio de críticas bem humoradas a comportamentos, e elas são responsáveis por algumas das partes mais divertidas do livro. A Cabeçologia, a “magia” das bruxas, é um show à parte :]

Pratchett não é o segundo escritor inglês vivo mais lido a toa. Seu estilo hilário está sempre aliado a boas histórias e bons personagens. Direitos Iguais Rituais Iguais é simples, mas nem por isso é menos marcante. O ritmo rápido com que tudo acontece deixa o leitor vidrado página após página. Acho que o livro daria um excelente filme do Ghibli. Tem bruxas, uma protagonista decidida e corajosa e muita magia. Já faz algum tempo que o estúdio tem adaptados livros de fantasia ingleses, e embora a chance seja pequena não custa sonhar.

PS: Aos nerds de plantão: Ramtop é o nome da cadeia de montanhas onde fica a vila Cabra da Peste. A palavra também é uma variável de sistema dos computadores Sinclair Spectrum. É pouco provável que seja coincidência, já que o autor é fã de longa data de computadores de jogos eletrônicos.

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