Dragon Quest

Dragon Quest IX

É bom notar que Dragon Quest é a série de RPG mais amada pelos japoneses. Ocupa o lugar equivalente a Final Fantasy do nosso lado do globo. E deixa pra trás a enxurada de RPGs que aparecem por lá, como Lunar, Lufia, Final Fantasy, Ys, Shin Megami Tensei, etc. Há Dragon Quest e os outros. Mas no ocidente a fama não é nem de longe tão grande, e é até uma sorte que o jogo tenha sido localizado.

Dragon Quest IX tirou 40/40 na Famitsu. A (ultimamente nem tanto) respeitada revista japonesa tem um histórico de dar poucas notas máximas, reservando os 40/40 apenas para os jogos que mais agradarem os críticos. E as vendas no Japão acompanharam a nota. Embora no ocidente não tenha vendas tão boas, mesmo com as ótimas reviews, a grande propaganda e ninguém menos que a Nintendo como publisher. Isso se deve a um ponto crucial da série: ela é oridental demais.

Os monstros são bonachões, graças aos traços de Akira Toriyama, criador de Dragon Ball. Não há muitas cgs, as batalhas são por turnos e o roteiro não é épico. Há uma preocupação genuína em manter a tradição. Jogar um Dragon Quest envolve muitos elementos familiares aos fãs da série, que vão muito além de monstros ou itens. Trilha sonora, jogabilidade, roteiro. Dragon Quest é uma série que não tenta reinventar a roda a cada novo jogo. A série lapida o que há de melhor em cada detalhe, e lança jogos ao mesmo tempo familiares e sempre melhorados.

O herói tem seu nome escolhido pelo jogador, e uma história simples vai sendo apresentada aos poucos. O personagem principal é um Celestrian, seres angelicais invisíveis aos mortais comuns e que vivem no Observatório, uma cidade nos céus. Estes seres tem a função de proteger vilas e cidades, sendo que o herói protege uma pequena vila chamada Angel Falls. Eles também ganham benevolência (uma espécie de energia mística) conforme vão ajudando os cidadãos e recebendo agradecimentos.

No topo do Observatório fica a Yggdrasil, a Árvore do Mundo. Com o poder da benevolência ela cria as fyggs, frutas mágicas que concedem desejos. Após juntar bastante benevolência os Celestrian se preparam para ir ao Reino do Todo Poderoso pelo Starflight Express, um trem voador. Mas neste momento o Observatório é atacado por uma energia desconhecida e o herói e as frutas caem no Protetorado, o reino dos mortais.

Assim o protagonista é resgatado de uma cachoeira de Angel Falls. Ele está sem as asas e sem a auréola, mas consegue se comunicar com mortais e espíritos. Começa então sua jornada para voltar ao Observatório. No caminho ele encontra o Starlight Express caído e uma fada chamada Stella, que duvida que ele seja um Celestrian e começa a acompanhá-lo na viagem. O herói descobre que as figgys estão causando muitos problemas e decide recuperá-las e consertar os estragos feitos ao mundo.


A história é simples e cativante. O personagem não tem pressa, não é o predestinado a salvar o mundo ou algo assim. Ele segue fazendo o que é certo e apreciando a viagem. Apreciando mesmo, porque há muito o que fazer fora a quest principal. Com os itens obtidos é possível forjar diversos equipamentos e itens, muito mais baratos que os comprados na loja. E a variedade é imensa, praticamente tudo pode ser criado. E como o jogador sempre está a um passo de criar alguma coisa a vontade de ficar forjando coisas é enorme.

Há centenas delas de quests, de uma variedade enorme. Tem as exclusivas de classes, as que continuam a história, as de armas, e muitas outras. Algumas são bem complicadas de resolver. Nao são coisas como “mate 50 slimes”, são pedidos de ajuda ou desafios que normalmente não especificam o que fazer. Assim, se alguém te pedir pra encontrar um anelele não vai falar onde está ou que monstro é preciso matar. O jeito é ir na tentativa e erro. Isso leva a momentos de alegria onde fazendo algo simples você conclui uma quest que mal se lembrava que existia. E a maioria delas não te dá nada, como experiência ou dinheiro. São feitas só para o jogador se divertir.

Para os perfeccionistas o jogo rende centenas de horas. Tem centenas de achievements, bestiários pra completar, mini-medalhas para colecionar, histórias complementares, dungeons escondidas, chefes mais difíceis… É muita coisa mesmo. Zerar Dragon Quest IX é só o começo.

Os membros da grupo podem ser recrutados ou criados na cidade de Stromway. Eles não tem personalidade própria, um forte contraste com os últimos jogos da franquia. Mas isso não faz com que Dragon Quest IX tenha menos carisma – o mundo e seus habitantes são vivos e complexos. Os diálogos são bem bolados, e não criados apenas pra te lembrar da quest principal. As cidades tem arquitetura própria, são cheias de detalhes e o jogo chega a criar sotaques para algumas pessoas e localidades. Além disso a criação de personagens permite criar uma party exatamente como o jogador quiser – o jogador não precisa de ter um mago se não quiser, por exemplo.

As classes são muito variadas. O jogador pode trocar as classes de todos os personagens na cidade de Alltrades Abbey, e classes novas e mais poderosas podem ser desbloqueadas a partir de quests. Cada personagem tem 5 skills: uma da classe, três compartilhadas e uma ou de escudo ou de ataque desarmado. Assim o jogo recompensa quem troca de classe (e volta para o nível 1), já que ele mantém as skills compartilhadas, mas não deixa os personagens extremamente poderosos de uma hora pra outra.

Os gráficos estão excelentes pra capacidades gráficas do DS. O mapa é em 3D e a visão de cima, mas a visão de batalha é em primeiro pessoa. O mapa mundi é fiel ao mapa de batalha, ou seja, se você encontrou um monstro e começou uma batalha do lado de uma árvore ela vai aparecer na visão da luta. Os efeitos de rotação de câmera ajudam a deixar as batalhas mais animadas, e os golpes especiais tem animações características. É sem sombra de dúvidas um dos jogos mais belos e bem trabalhados jogos do Nintendo DS.

E Dragon Quext IX pegou os anos de tradição de Dragon Quest e fez algo que é raro até nos jogos para consoles: todos os itens equipados aparecem nos personagens. Desde uma espada enorme a simples brincos, tudo é equipado e mostrado em tempo real. E isso é um deleite para os fãs de longa data da franquia. Afinal dá pra saber exatamente como se parece aquela armadura de Dragon Quest II, ou aquele machado de Dragon Quest IV, ou determinado vestido… Está tudo lá, em três dimensões, pronto para ser apreciado.

A jogabilidade sofreu algumas modificações. Dá para jogar somente pela touchscreen, de um jeito bem agradável. Zerei o jogo praticamente só assim. Quem prefere os controles tradicionais vai ficar bem a vontade também. Um mudança em relação a todos os Dragon Quests é que os monstros agora são visiveis no mapa. Isso gerou situações novas, como monstros que te perseguem ou fogem de você. E corridas desesperadas atrás de Metal Slimes.

O combate continua por turnos e em primeira pessoa. Há combos, ataques especiais, ataques concentrados e muito mais. É um sistema incrivelmente complexo e detalhado, que dá margem a varias estratégias e táticas distintas, mas muito simples de dominar. Dominar o sistema de combate dispensa o griding em praticamente todo jogo. As batalhas contra os chefes em particular dependem mais de estratégia do que de força bruta.

O multiplayer foi muito apreciado no Japão, mas nem tanto no ocidente. Dá para ajudar um amigo, trocar mapas de dungeons, entre outras coisas. Um destaque também é o street pass.


Dragon Quest IX é de longe um dos melhores jogos do DS. Longo, divertido, com toneladas de opções de personalização e coisas pra fazer, é o tipo de jogo mantém o jogador preso por centenas de horas. Um JRPG requintado e que agrada tanto aos jogadores mais tranquilos quanto aos mais aficcionados e perfeccionistas.

5 comments

  1. Esse lance do DQ não ser épico foi o que fez com que eu demorasse tanto a curtir a série. Eu ficava esperando aquela coisa grandiosa, barulhenta, personagens com histórias complexas… depois que literalmente me forcei a zerar o primeiro DQ saquei que a simplicidade era justamente a graça da série.

    Zerei DQIX e achei maravilhoso. É como você disse, o herói vai agindo de forma natural, fazendo o que acha certo, é muito interessante. E os extras realmente são muitos e interessantíssimos. Até eu, que não curto muito ficar fazendo sidequests, achei as possibilidades do sistema de classes, das caças ao tesouro e afins fascinantes.

    O lance que você falou do sotaque foi interessante, porque muitas vezes quando a localização do jogo é boa a gente nem comenta nada. DQIX foi muito bem localizado, a gente nota a qualidade do texto em inglês, ele flui bem e é divertido nos momentos certos.

    Também joguei direto via touch screen, adorei o sistema. Só não fica tão prático no combate, aí eu geralmente ia para os botões mesmo. E fiquei doido para experimentar o modo multiplayer, li coisas fantásticas sobre ele.

    Excelente post. Você sintetizou bem o “tantão” de qualidades do DQIX, show de bola.

  2. Puxa, pintei aqui antes do RSS avisar por indicação do Gagá e confesso que deu água na boca ver vocês falando deste Dragon Quest IX. Conheço a franquia menos do (já pouco) que conheço Final Fantasy e confesso que deu o maior gosto pela idéia de não ser o típico cataclisma e seu personagem salvando o mundo.

    Somando a essa riqueza de combate que vocês enfatizam, fiquei mais que curioso. Meio que jogo RPG eletrônico esperando o combate, nem me importo muito quando tem grinding, acho terapêutico, rs. Mas com a fórmula “cansada” dos JRPGs atuais, confesso que nas sessões next-gen, tenho dado preferência aos role-play ocidentais ultimamente.

    Obrigado pela apresentação, juro que estou olhando agora o preço de um DS no Paraguai, não acreditam? http://www.infoshoptvgame.com/home/lista/listaGame.txt :) aproveitando e fugindo um pouco (mas nem tanto, afinal seria pra jogar Dragon Quest IX ora :D) sabem dizer se os preços estão bons ali?

    Valeu pelo post, Heider, quando me liberar do Vagrant Story aqui vou tentar pelo menos emular um DQ, se eu não tiver um DS até lá :)

  3. @gagagames Obrigado. Não consegui jogar o Dragon Quest 1, tentei mas parei. Acho que ainda não sou tão retro, hehehe :D Mas está na lista. Em compensação todos que joguei (os remakes feitos pra DS) são maravilhosos. Queria jogar o VII, mas não tem a venda na PSN e a emulação no PSP parece ter alguns problemas. Devo terminar jogando via PC mesmo, parece imperdível.

    @cosmonal Eu prefiro Dragon Quest que Final Fantasy ^^ Sinceramente não tem muitos JRPG next-gen pra console que me interessam. Os melhores estão nos portáteis, comd estaque pros Ys do PSP e pros Dragon Quest do DS. Outro JRPG pra DS que joguei e gostei muito, principalmente pelo combate estratégico, é Final Fantasy 4 Heroes of Light. Tenho que escrever sobre ele um dia, é meio desconhecido mas bem original e vale muito a pena.

    Recomendo comprar um DSi ou DSi XL. O tamanho da tela importa muito. Os preços estão bons, e o DS é um console excelente. Em relação aos flaschards fuja de R4 e similares. Só há dois realmente bons: o Acekard e o Supercard.

    1. Aproveitando a “consultoria gratuita”, qual é a diferença de qualidade entre os flashcards? O meu DS veio com um R4 que até hoje está funcionando numa boa. Aliás, taí uma boa sugestão: um post sobre emuladores, flashcards e afins do Nintendo DS. É difícil pra caramba achar material sobre isso, só acho as informações espalhadas ou escritas de um jeito confuso que não entendo direito.

      Como vocês dois sabem, eu nem “queria” o DS, ganhei um lite de presente. Mas fiquei surpreso com a qualidade dos jogos, estou até pensando em comprar um desses de tela grande no futuro.

      Sobre preços, Eric, confesso que estou meio por fora. Se não me engano, na Dingoo Imports tem por uns preços bacaninhas, mas se você puder comprar direto via eBay e afins provavelmente vai pagar mais barato.

      Aliás, depois de ler o texto do Heider voltou a minha vontade de comprar um DQIX… *olhando no ebay* Se você soltar um post sobre o DQV de DS vai acabar me dando prejuízo dobrado…

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *