Faeries

Faeries – Briand Froud and Alan Lee

Quando eu fazia ensino médio/técnico uma professora de inglês me emprestou um livro. Ela havia comprado em um sebo em Belo Horizonte, e tinha um carinho enorme por ele. Meu inglês era bem pobre na época, então peguei um dicionário e fui tentando acompanhar o texto. Infelizmente boa parte dele era escrito manualmente, e não digitado. E a caligrafia do autor, embora estilosa, é bem difícil de compreender. Devolvi uma duas semanas depois, mas o livro deixou uma marca tão grande em mim que foi uma das primeiras coisas que comprei quando comecei a trabalhar.


O nome do livro é Faeries, publicado na década de 70. Há vários jeitos de escrever fadas em inglês, e eu não lembrava do nome dos autores, então tive certo trabalho pra encontrá-lo. Foi criado por figuras hoje bem conhecidas: Brian Froud colaborou por muito tempo com Jim Henson, criador dos Muppets, elaborando designs para personagens dos filmes. Já Alan Lee foi um dos responsáveis por todo o visual dos filmes de O Senhor dos Anéis, o que lhe rendeu um oscar. Juntos eles tentaram retratar o mundo das fadas, mas não as Barbies com asas boazinhas que se tornaram populares hoje em dia. Ele foram muito mais fundo.


Para elaborar Faeries os autores pesquisaram lendas e mitologias que envolvem os seres encantados em busca de padrões. O catolicismo modificou histórias sobres estas criaturas tão ligadas a natureza, e isso não foi desconsiderado. O resultado é um livro com conteúdo folclórico europeu apurado e antigo, que divide as criaturas em categorias e repleto de exemplos. Os seres encantados originais são criaturas perigosas, vaidosos e determinados, capazes de grandes feitos e grandes maldições. E essa complexidade é o que os torna tão interessante, o que se reflete nas histórias ambíguas onde nem sempre o mau é punido e o bem recompensado, e onde a curiosidade custa caro.


Os textos são muito bons, e o livro seria excelente mesmo sem ilustrações. Há histórias famosas e comentários isolados, além de teorias interessantes sobre o tema. Mas não dá para negar que o grande destaque são as imagens. O livro é generosamente ilustrado. Os autores se inspiraram nas pinturas vitorianas, mas foram além.  Seja nas montagens, nos desenhos a lápis e carvão, no elegantes traçados de bico de pena ou nas detalhadas pinturas (ou em combinações dessas técnicas) cada detalhe das figuras é belo e harmonioso. O modo de retratar a natureza e mesclá-la as criaturas é algo ímpar. O resultado é um livro belíssimo e impressionante.


Uma edição nacional foi lançado em 1992. Ela se chama Fadas e o Mundo dos Seres Encantados, está esgotada e é bem difícil de encontrar em sebos. Normalmente é bem cara também. Paguei R$60,00 pelo meu exemplar, o que considero uma pechincha, já que o preço normal é de R$120,00 pra cima. Em inglês foram lançados versões comemorativas que são um verdadeiro luxo. A contra-capa é dourada ou prateada, a capa dura tem uma ilustração em baixo-relevo, o papel é de altíssima qualidade e há novas ilustrações e introduções. Eu tinha uma, mas dei pra minha namorada ^^



Recomendo muito este livro tanto pelo conteúdo quanto pela arte. É certamente um dos mais belos que já li, e muito interessante tanto para adultos quanto para crianças. Fadas (e seu passado sombrio) ganharam mais destaque na mídia na última década, mas por seu carácter atemporal este livro continua tão original, inspirador e atual quanto no seu lançamento, em 1978.


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