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Community

Gosto muito de séries americanas, mas a repetição é algo que me muitas vezes me desanima de assistir por muito tempo. Algumas em especial parecem seguir sempre o mesmo modelo de roteiro. House é um bom exemplo: a série é excelente, mas o esquema do roteiro é muito fixo. Eu quando assistia sempre sabia quando estava na metade exata do episódio: House medicava a pessoa achando que era uma coisa e ela quase morria, pronto, 22 minutos. Esse roteiro fixo é algo que me incomodava muito. Descobri ótimas séries britânicas que fogem bem deste padrão, como Sherlock ou Misftis. Mas a criatividade parece ser bem mais raro na terra do Tio Sam, o que é compreensível. É difícil ter muita variação quando uma série de sucesso tem que durar por várias temporadas e render centenas de episódios. Neste ponto Community se destaca do grupo de séries enlatadas que surgem todos os anos.

Community se passa em uma faculdade comunitária.  São faculdades que aceitam qualquer um e com baixa qualidade de ensino. Há muitas faculdades com este padrão no Brasil. A série é centrada em um excêntrico grupo de estudos da faculdade Greendale. O lugar é bizarro, daqueles que faz quem está lá morrer de vergonha que descubram. E os alunos ajudam a piorar o lugar.

Jeff Winger era um advogado famoso. Descobriram que não tinha diploma então ele foi expulso do meio, e foi para Greendale para se formar o mais rápido possível. Britta é uma anarquista revoltada com o estado em que o mundo se encontra. Já fez faculdade antes, mas largou para seguir o Radiohead. Foi para Greendale para terminar os estudos. Abed é um viciado em pop culture que está na faculdade de cinema e parece um pouco desligado da realidade. Shirley é uma mãe que foi para faculdade procurando um rumo para a vida depois de ter se divorciado de seu marido adúltero. Annie é uma judia certinha que saiu de uma clínica de reabilitação para drogados e resolveu guiar a própria vida. Troy era um famoso jogador de futebol americano no ensino médio que perdeu a chance de bolsa de estudos por ter se acidentado em campo, e Pierce é um velho rico racista e sacana que está em Greendale em busca de companhia e popularidade.

O relacionamento entre eles é muito interessante. Muitos não são exatamente o que aparentam ser. Quem está acostumado a ver os casais feitos um para o outro no primeiro episódio que passam por vários desenlaces e ficam juntos no último episódio vai quebrar a cara. Os triângulos amorosos vão gerando dúvidas e complicações. E sexo não é tratado de maneira tão púdica quanto é costume, criando situação mais naturais e divertidas.

O grupo de estudos tem os personagens principais, mas há vários outros importantes. O excêntrico professor de espanhol Señor Chang é um dos mais divertidos. O reitor Craig, sempre com fantasias excêntricas e seu jeito de homossexual enrustido. Duncan, o professor de psicologia britânico que está constantemente bêbado. Leonard, um velho implicante. E dezenas de outros personagens legais. Os alunos não são simplesmente personagens secundários. Muitos tem personalidade própria que é mostrada em diversos momentos, e em alguns casos ganham até participações mais importantes, como Fat Neil. Isso ajuda quem assiste a se identificar com a própria faculdade. É uma atenção aos detalhes e uma grandiosidade difícil de se ver em outras séries.

Community usa e abusa de meta linguagem e referências, principalmente através de Abed. Eles zoam clichês típicos de séries americanas, fazem referências a filmes e séries, citam obras e tudo de uma maneira bem natural e espontânea. As risadas vem fácil nos episódios mais escrachados, que lidam com uma invasão zombie ou clima western. Claro que nem tudo agrada a todos – mas a variedade é tão grande que é difícil não se apaixonar por um episódio específico.

Ela tem só duas temporadas e felizmente ela foi renovada. Há muitas coisas interessantes no site oficial da série, como quizz e entrevistas. O que ajuda a matar a vontade da terceira temporada, que estréia dia 22 de setembro. Que ela mantenha o alto padrão de qualidade das duas primeiras, e que a série faça cada vez mais sucesso.


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