featXingu

Xingu O Filme

Filmes brasileiros não são, no Brasil, muito populares. Contraditório, acho. Em geral, parece mais garantida a diversão assistindo a um filme estrangeiro ao invés de a um nacional. Esse comportamento não é errado, apenas reflete a fraqueza de nosso cinema frente aos estrangeiros. Existem, entretanto, filmes bons produzidos por aqui. Assisti recentemente ao filme Xingu, lançado em 2011. Ele conta a história dos irmãos Villas Bôas ao se alistarem na expedição Roncador-Xingu, a ‘Marcha para o Oeste’ brasileira. Enquanto a norte-americana buscava colonizar as terras no oeste do país e acabou desencadeando a corrida do ouro, a brasileira ocorreu mais tarde, em 1943 e tinha como objetivo a interiorização do Brasil a partir do estado do Mato Grosso.

Da esquerda pra direita: Cláudio (João Miguel), Orlando (Felipe Camargo) e Leonardo (Caio Blat)

Os três irmãos, Orlando (Felipe Camargo), Cláudio (João Miguel) e Leonardo (Caio Blat) se fazem por peões analfabetos para poderem ingressar na expedição, pois o exército não recrutava pessoas “instruídas demais”. Pouco tempo depois,  são nomeados para a liderança do grupo. Em certo momento, encontram uma tribo indígena pelo caminho, sendo obrigados a interagir com ela. Eles se encantam com a cultura indígena e, com o apoio dos nativos, constroem entrepostos na região, seguindo o propósito de explorar e criar meios de colonizar a região. Os problemas começam devido a ganância de fazendeiros pelas terras e por escravizar as tribos indígenas, assim como a chegada do homem branco a tais tribos leva doenças que dizimam grande parte da população de índios.

O filme retrata os problemas entre os irmãos de forma um pouco confusa, entretanto. As vezes surgem brigas aparentemente infantis. Com o desenrolar do filme eles chegam a conclusão de que é impossível evitar que a cultura branca afete a indígena, que o ‘civilizar’ do homem branco culminará na sobreposição e no desaparecimento das culturas diferentes. A conclusão disso é que os índios devem ser isolados do contato, de forma a retardar o processo de integração. Surge então o desafio: a criação de uma reserva indígena no Xingu.

O filme superou minhas expectativas. As tomadas são bem feitas e os atores desempenham, em geral, boas atuações. As vezes, percebe-se problemas nos diálogos, certas partes parecem falsas demais. Mas a atuação dos irmãos, interpretados por João Miguel, Felipe Camargo e Caio Blat não deixou a desejar; em especial a de João Miguel que consegue demonstrar o descontentamento com a forma como o mundo se organiza. Exemplo disso ocorre quando ele denota a desilusão que tem com o ser humano, que destrói a mata pelo progresso em detrimento das tribos lá residentes (“Nós somos o antídoto e o veneno”). Interessante denotar que os irmãos não são apresentados no filme como heróis idealizados, puros e perfeitos. Ao contrário, cada um tem seus problemas, limitações e medos.

“Nós somos o antídoto e o veneno”

A trilha sonora é simples e nem sempre presente – característica, penso, de todo filme nacional e da televisão brasileira em geral. Me ocorreu várias vezes aquela sensação de que o filme estava silencioso demais. A música tema, no entanto, é bem construída e devido a sua execução, por vezes tem-se a sensação de que o filme é uma verdadeira aventura. Mas não pense que por isso haverão pedras rolando, templos abandonados, invasões e grandes combates em situações dignas de epopeias a la Indiana Jones.

Analisando de forma ampla, considero o filme bom, principalmente em relação aos padrões da produção cinematográfica nacional.

Estilo Indiana Jones. Última moda entre os exploradores.

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