Fire Emblem

Fire Emblem Shadow Dragon

Fire Emblem Awekening parece incrível. O trailer é muito empolgante, o jogo está lindo, tem personagens de vários outros jogos da franquia como conteúdo baixável… O maior problema do jogo é que eu não tenho ele nem um 3DS. Então para matar a vontade (e não fazer uma compra sem pensar) eu resolvi zerar o primeiro de DS :) E lá fui eu pegar o velho guerreiro, com o botão R falhando, reiniciando de tempo em tempo, tudo para zerar mais um jogo tactics.

Fire Emblem é uma série de estratégia militar tactics. É como uma mistura de Final Fantasy Tactics e Total War. Ou um Shining Force menos fantástico. O primeiro saiu para o NES no Japão, mas a série só estreou aqui no ocidente no Gameboy Advance. Fez um grande sucesso, a ponto de garantir mais localizações. Os motivos deu não ter jogado o de DS na época foram vários, que explico com calma abaixo.

O primeiro é o visual. Fire Emblem Shadow Dragon largou o visual pixelado em prol de bonecos pré-renderizados em 3D. Eles parecem de massinha. E se são assim na telinha do DS creio que em tamanho normal eles devem ser mais feios que aqueles filmes copiados da Pixar que saem meses antes dos originais, tipo Ratatoing. Isto foi o que me afastou do título.

Shadow Dragon tem outro problema grande pra muita gente: é um remake de um jogo de NES. Ele conta a história de Marth, um príncipe que graças a uma traição perde tudo e precisa de usar um grupo de mercenários e cavaleiros leais para retomar ao trono. Remakes são bons, eu pelo menos adoro. Alguns jogos realmente ficam datados, ou pelo menos ficam mais interessantes com um visual mais detalhado.

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Acontece que Shadow Dragon não é o primeiro remake, e sim o segundo. E o jogo Fire Emblem Monsho no Nazo, para Super Nintendo, parece ser um remake muito mais competente. Daqueles da gente bater palmas mesmo. Não apenas foi uma melhoria tremenda nos gráficos do original, mas parece ter melhorado um bocado na jogabilidade. E adicionaram um jogo novo, uma continuação da história original. O único problema é que ele ficou restrito ao Japão. Mas temos uma tradução feita por fãs pro inglês, então é um jogo mais completo que o Shadow Dragon.

A grande vantagem do Shadow Dragon sobre o Monsho no Nazo é o próprio Nintendo DS. Ele é perfeito pra jogos tactics. É um portátil, portanto é fácil de transportar. Tem duas telas, então dá pra ter uma visão limpa do campo de batalha na tela de baixo e vários dados importantes na tela de cima. A tela sensível ao toque facilita várias ações, caso seja necessário. Pela primeira vez a Nintendo pode implementar uma batalha entre dois jogadores online. O microfone pode até ser utilizado para conversar. Coisa fina mesmo, e infelizmente rara no console. A versão para DS tem capítulos novos também, inclusive um prelúdio.

Outras duas críticas comuns são sobre a falta de profundidade da história e que o jogo é fácil. Tendo zerado posso dizer que a história não é tão rasa. É apenas diferente. E de um jeito bom. Jogos medievais normalmente apresentam um anacronismo forte. Já Shadow Dragon apresenta uma visão mais real. Você, como príncipe, em várias situações não vai agir como um herói bonitinho. Inclusive mandando pessoas pra morte certa. Nobres se comportam como desgraçados. Não lutar é considerado crime passível de morte. E eu gosto destes roteiros mais históricos e menos novelas.

Sobre o segundo ponto, a dificuldade, isto pode ser ajustado. Tem seis níveis de dificuldade, o bastante pra que qualquer um consiga terminá-lo. Já eu, quis zerar no normal com uma adendo… Fire Emblem é famoso por ser um jogo de estratégia cruel. Se uma unidade sua morre ela morre pra sempre. Eu resolvi zerar sem deixar ninguém morrer e pegando todos os personagens possíveis, sem usar detonado. Gastei mais de 18 horas, mas consegui. E no processo me lembrei do porque Fire Emblem é tão bom.

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Fire Emblem é estratégia pura. Como há um número limitado de inimigos na tela a própria experiencia é um recurso limitado. Um movimento ruim é o bastante para um personagem passar desta para melhor. Então cada segundo é tenso. A vitória vem em muitos casos com um custo alto. Sacrificar aquele cavaleiro que você evoluiu desde a primeira fase ou começar tudo de novo? Como treinar um personagem fraco e mantê-lo vivo?

As armas se gastam com o passar do tempo. Então há artefatos poderosos, mas cada vez que são usados estão mais perto do fim. Clérigos são essenciais para curar, e magos são poderosos. Mas morrem com um ataque de um guerreiro forte. Cavaleiros alados são velozes e tem uma ótima movimentação, mas caem com uma flechada de um arqueiro. As fases são variadas, e escolher quem vai para qual cenário é fundamental. Um bom personagem em um campo aberto pode ser uma porcaria dentro de um castelo. E por aí vai. Cada vantagem em Fire Emblem vem com um “mas”, esta é parte da graça. Não dá para simplesmente ficar de griding e montar um exército super poderoso.

A batalha de Marth para retomar o trono e vingar a morte de seus pais consegue prender do começo ao fim. Não porque nos importamos com ela, mas porque elas despertam o general que há em cada um de nós. Continuo morrendo de vontade de jogar Fire Emblem Awekening, mas o tempo gasto com Shadow Dragon foi muito bem gasto.

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