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Flashcards de DS

A pirataria e a cena de homebrew do Nintendo DS dependem exclusivamente de flashcards. São como cartuchos regraváveis, onde o usuário baixa as roms (cópias digitais dos jogos) na internet, passa para o flaschard, encaixa ele no videogame e joga. Em termo de aparência eles são praticamente idênticos aos cartuchos de DS. Lógico que usar de pirataria é ilegal e prejudica a indústria, mas não vou fazer julgamento de valor. Mesmo porque é possível ter um flashcard e não utilizar de pirataria, só de homebrews. E há algumas excelentes, tantas que merecem um post a parte.

Os primeiros flashcards tinham memória interna, mas já ficaram pra história. Logo surgiram os que aceitavam cartão SD e que se tornaram muito mais populares. Nessa época surgiu o R4, uma marca de flashcard que ficou tão famosa que acabou se confundindo com o próprio aparelho (tipo Bombril e palha de aço). Por muito tempo o R4 foi a melhor opção, mas surgiram muitas cópias e com o tempo ele foi ficando ultrapassado. Provavelmente o lucro do original foi diminuindo, até que o R4 saiu do mercado.

O R4 oficial parou de ser produzido em abril de 2008. Os jogos conforme vão saindo vão tendo AP atualizadas. AP são travas anti-pirataria, que se apresentam de diversas maneiras. Há jogos que simplesmente não rodam, há os que apagam os saves depois de certo tempo, há os que travam depois de alguma luta ou evento, há até um jogo do Michael Jackson que adiciona o som de vuvuzelas às músicas. E o jeito de burlar estas novas travas são com atualizações no kernel. São versões novas do sistema operacional do flashcard que permitem a ele rodar jogos mais novos.

Mas como o R4 parou de ser fabricado a última versão do kernel oficial é de abril de 2008, e pode ser baixada aqui http://www.r4ds.me/. Há versões de kernels piratas que rodam jogos mais recentes, mas são difíceis de encontrar e muitas vezes são problemáticas. Há fix para jogos específicos, principalmente os com maior hype, como os Pokemons. Há também alguns kernels adaptados para rodas nos R4, como uma versão não-oficial do Akaio chamada Wood e uma adaptação do kernel do TTDS chamada YsMenu. Os R4 piratas costumam ter versões de kernel mais recentes, mas as empresas que os produzem normalmente param de atualizar logo depois do lançamento. Aí quem comprou depende dos fãs programadores para rodar os lançamentos.

E há outros problemas com os R4. Foi lançado um flashcard chamado N5. Ele foi rapidamente descontinuado, pois brickava o Nintendo DS com frequência. Brickar é transformar em tijolo, inutilizar. Ele dava um curto-circuito na placa-mãe do DS que na melhor das hipóteses queimava o fusível de proteção e precisava de assistência técnica especializada para consertar. Na pior não tinha volta, o videogame foi pro saco mesmo. Acontece que muitos flashcards piratas do R4 são N5 com outras labels. E muitos são clones do N5. Até os R4 piratas que são clone do original são um pouco perigosos, já que são piratas de produtos nao-licensiados chineses. As trilhas sem isolação dão um risco de brickar, assim como soldas que soltam e fazem o flashcard parar de funcionar. Há clones de qualidade, baseados no TTDS e no Acekard, e que são melhores que os R4 originais, mas achá-los é questão de sorte.

Há alguns meios de saber se o R4 é pirata. O R4 original só suporta cartão SDSC (SD), não suporta SDHC. Pra quem não sabe a diferença é fácil testar: se o R4 suportar um cartão acima de 2GB é pirata. O nome do R4 oficial é só R4 mesmo. R4 Ultra, R4 -II, R4i, R4 Fifa, R4 Fifa, R4 Larissa Riquelme, todos são piratas. E se tem memória interna é pirata também, os R4 originais só aceitam cartões SD.

O DS Phat (primeiro modelo) e o DS Lite tem entrada para GBA. Assim dá pra rodar nativamente roms de GBA usando um flashcard de slot 2 (que encaixa na entrada de GBA). O mais famoso é o EZ-Flash 3 in 1, que também funciona como rumble (pra jogos com esta opção) e serve de memória ram extra pra algumas homebrews. Os flashcards de GBA funcionam normalmente. Mas vale a pena lembrar que estes flashcards de slot 2 não rodam jogos de DS, só os de GBA.

Com o lançamento do DSi entrou outro fator na questão. Os flashcards mais antigos não rodam nele. Foram criados flashcards novos que funcionam nele, mas o DSi pode ser atualizado online, e estas atualizações fazem com que ele pare de reconhecer flashcards. Os flashcards mais recentes como o TTDSi (ou DSTTi), o Acekard 2i ou o Supercard DS One permitem que se faça uma atualização de firmware. É o equivalente a atualizar a BIOS do computador.  É um processo um pouco mais chato que atualizar o kernel, mas permite que o flashcard possa rodar nas novas atualizações do DSi. Há inclusive atualizações que permitem que o flashcard rode no 3DS. Infelizmente só o Acekard 2i, o Supercard DS One e o Supercard DS Two mantén atualizações de kernel atualizadas. O TTDSi está abandonado pela produtora faz tempo, e os usuários ainda não conseguiram criar uma atualização de firmware para as versões mais novas. E sempre há um risco ao atualizar o kernel. Eu perdi um TTDSi assim ¬¬

Há piratas de Acekard 2i, mas eles são raros e há revendedores oficiais do produto no Brasil. O Acekard tem um kernel feito por usuários muito melhor que o original, chamado Akaio. A diferença entre o Supercard DS One e o Supercard DS Two é que o segundo tem um processador interno que permite que ele rode homebrews exclusivas dele. De destaque há um emulador de Super Nintendo e um emulador de GBA razoáveis. Os flashcards mais atuais tem kernels com vários mimos como Real Time Save, pra salvar onde quiser, ou a exibição de guias em .txt enquanto joga e o extra mais odiado de todos, a opção de habilitar cheats. Infelizmente os usuários costumam abusar destas coisas e fazer do multilayer online um inferno.

É bom ficar de olho ao comprar um flashcard. Muitos sites pararam de vender, como a dealextreme, ou o fazem como o ebay, que chega a excluir contas de vendedores que comercializam flashcards. Ainda assim é relativamente fácil (e barato) achar flashcards no mercado. Mas é bom olhar a precedência para não ter problemas no futuro.

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