Arcade Games

Hardcore Gaming 101: Sega Arcade Classics Vol. 1

HardcoreGaming101 é um blog indispensável para quem domina o inglês e curte videogames. Os caras não estão ligando pros últimos lançamentos ou qual a polêmica da semana. Eles escrevem sobre jogos em artigos detalhados e interessantes, não importa qual o sistema de origem ou idioma. Tem colunas sobre franquias que contém até entrevistas exclusivas com os criadores dos jogos. E é algo comum pra mim ler os artigos da lista de lançamentos do site e encontrar, sei lá, um shmup japonês protagonizado por mulheres acima do peso e com orelhas de porco lançado para Xbox 360 e pensar: o que eu estava fazendo da vida que nunca joguei isso?

Sim, existe e chama Muchi Muchi Pork!

Japonês? Imagina...
Japonês? Imagina…

 

Parece que o desafio de manter um dos sites mais legais sobre jogos foi pequeno demais para os criadores. Então eles resolveram lançar livros sobre jogos. O primeiro é um livrão de 772 páginas sobre adventures point & click com praticamente tudo de interessante lançado para o estilo até uns 10 anos atrás. Eu tenho ele para o Kindle e assim que terminar de ler (é gigante, estou lendo em conta-gotas faz mais de um ano!) faço uma review. Acontece que (felizmente) o livro parece ter feito sucesso, então eles partiram para os próximos.

 

Em dezembro do ano passado foi lançado o Hardcore Gaming 101 Presents Sega Arcade Classics Vol 1 sobre jogos de fliperama. O livro tem 164 páginas e custa US$25 dólares a versão colorida, US$9,99 a em preto & branco e US$5,00 o pdf da versão colorida, que é o que comprei. Muitos dos artigos estão presentes no site, mas foram revisados e ampliados para o livro. E há bastante coisa inédita também sobre os jogos de “fliperama”.

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Fliperamas são uma assunto interessante. Eu, com 23 anos, pude acompanhar só a fase final e decadência das máquinas. Lembro de ver (e raramente jogar) Marvel vs Capcom e The King of Dragons. Depois tudo que se via era The King of Fighters (que eu nunca gostei) e depois as lojas foram fechando conforme iam falindo ou mudando de ramo.

 

Pode ser difícil pros novatos entenderem o porque as pessoas gastavam dinheiro nos fliperamas. Fazendo uma comparação: é como se todo mundo tivesse um Playstation 1 em casa e os fliperamas tivessem jogos de Playstation 2 e 3. A diferença gráfica era assombrosa. E muitos jogos interessantes (e estranhos e malucos) foram criados. A SEGA era uma empresa de grande destaque na área.  Não foi coincidência o Mega Drive ter sido vendido como um fliperama caseiro.  Acontece que boa parte dos jogos lançados primeiramente para fliperama permanecem mais conhecidos graças aos seus ports para consoles e computadores domésticos, que na maioria das vezes são versões capadas ou bem mais feias.

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No livro temos franquias como Space Harrier, OutRun, After Burner, Shinobi, Altered Beast (os criadores concordam comigo que o jogo é uma merda!), Golden Axe, Alex Kidd, Wonder Boy e muito mais. Felizmente não se restringe apenas a jogos de fliperamas, mas todos os da franquia. O que é uma boa. Um artigo sobre Shinobi não é completo se não menciona Revenge of the Shinobi ou Shinobi III. Um bom artigo de Alex Kidd não é bom sem zoar Alexx Kid: High Tech World, e por aí vai.

Artigo sobre Shinobi quase tão bom quanto o video do Eric Fraga do CosmicEffect :)
Artigo sobre Shinobi quase tão bom quanto o video do Eric Fraga do CosmicEffect :)

Eles pesquisaram a ponto de incluir aqueles minigames esquisitos, histórias em quadrinho, um livro de Golden Axe (eu quero!) e versões oficiais alternativas, como nosso querido Turma da Mônica em O Resgate :) Com a explicação de que “[os personagens] parecem com ROM hacks amadores mas eles foram lançados comercialmente, e são perfeitamente legais.” Maldade com a garota dentuça :p


O único problema que consigo pensar é que há alguns erros de digitação que estranhamente passaram pela revisão. Não atrapalham muito, mas estão lá. E provavelmente foram corrigidos na versão para download, e talvez em futuras edições do livro físico. Faltou Flicky também. Amo aquele jogo, ele merecia estar no primeiro :) É um livro muito bom, bonito de se ver, bem diagramado e com toneladas de informações bacanas. E provavelmente o único livro sobre algo da SEGA que não tem o Sonic na capa. Quem for ler se prepare para gastar muito tempo no MAME depois ^^

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4 comments

  1. Puxa Heider, faltava um artigo em português como este sobre a relevância do HG101. Faltava.

    Fiquei feliz em saber que você também não acabou o Guide to Classic Adventures (obrigado pelo presente) pois também estou no conta-gotas com ele. Cada página é uma descoberta. Eu até achava que conhecia razoavelmente bem o gênero. Que nada…

    O mesmo deve acontecer com este Sega Classics. Vindo do HG101, só dá pra esperar informação genuinamente nova, relevante e sensível em cada linha de texto. Sério, pra quem não conhece — obviamente estou exlucindo o autor deste artigo — o material que eles produzem: “is THAT good”. É um daqueles domínios que a gente digita na barra de endereços; que não precisa de feed ou histórico para nos lembrar da existência…

    Obrigadíssimo pelo artigo, Heider (e lisonjeado pela menção).

    1. Eu descobri o HG101 procurando sobre a série Langrisser. Mas só li o artigo e larguei. Um tempo depois fui procurar mais coisas sobre Shining Force 3 e lá apareceu o site novamente. E quando pesquisei sobre Ys sabia que teria que ler o site inteiro. E foi o que fiz. Todos os livros comprei na pré-venda, e estou mega ansioso pelos próximos.

      Ah, eu dei uma pequena pausa na leitura do livro de adventures point & click. É que estou jogando The Whispered World sozinho, The Night of the Rabbit com meu amigo Bruno e Deponia com meus amigos Alan e Bruno. Tenho que terminar todos este mês. E vou fazer a resenha. Por isso não quero ficar com vontade de jogar outros adventures :P

  2. Fico feliz em ter na memória o registro de ter jogado boa parte das máquinas que a SEGA produziu. Aqui em Guarujá, na década de 1980 e 1990, tínhamos diversos fliperamas, muito bem servidos. Ainda lembro do cheiro da madeira das “cabinets” e do ruído branco composto pela coletividade das BGMs das casas de jogos.

    Ah…sim: e de como os jogos eram difíceis se jogados no arcade: parece que a tensão de ter investido a mesada miserável em uma ou duas fichas aumentavam a dificuldade dos jogos… puro desespero de perder uma ficha em pouco tempo de jogo!

    Se eu tivesse um e-reader decente, compraria esta obra. Pois a versão física do livro só chega aqui se a pitomba da Alfândega estiver de bom-humor.
    (tô esperando há 3 meses meia-dúzia de miniaturas de plástico)

    1. Ele é gostoso de ler num tablet ou smartphone, porque é bom de se ler aos poucos. Eu tenho um Kindle mas acho que não combina, os arcades são bonitos demais pra uma formatação simples em preto e branco.

      E se você quiser testar, bem, acho que você tem meu email :p

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