Hellblazer

Hellblazer Origens Vol. 1: Pecados Originais


Minha maior birra ao comprar coisas na internet é o frete. Muita vezes ele sai mais caro que o item que quero comprar. Isso limita a quantidade de coisas que compro do exterior, e a quantidade de revistas e mangás também. E como a distribuição setorizada é uma bagunça muita coisa só chega na minha cidade meses depois do lançamento nacional. Foi o que aconteceu com Hellblazer Origens Vol. 1: Pecados Originais.


Hellblazer tem uma história conturbada no Brasil. Foi publicada em formatos diferentes, por editoras diferentes, fora de ordem cronológica e com uma periodicidade aleatória… Quem tem a coleção completa nacional é realmente um fã apaixonado pela série e com muito tempo livre pra garimpar sebos. E, embora seja um dos títulos centrais da Vertigo, até nos Estados Unidos Hellblazer não recebe o mesmo tratamento de seus companheiros. Sandman, por exemplo, tem trocentas edições especiais e coletâneas. Hellblazer tem muitas também, mas nada ordenado, que pegue desde o começo da série e esteja facilmente disponível. Para corrigir esta injustiça foi lançado Hellblazer Original Sins.


A Panini – que tem feito um trabalho exemplar com o selo Vertigo no Brasil – lançou a edição nacional desse volume. Foi dividido em 2 edições, custando R$19,90 cada. Como a edição americana custa US$19,90 e o dólar em alta o preço é um atrativo e tanto. O papel é fininho, daquele papel jornal mesmo, mas a qualidade de impressão é boa. A capa é cartonada, com aquela dobra usada pra marcar páginas, mas que se você usar pra marcar páginas você é um maluco.


Eu já li mais de 100 edições de Hellblazer graças aos scans, mas faz muito tempo. Eu me lembro de uma edições tediosas, bizarras, e muita coisa boa também. E me lembro de um começo fraco, lembro que a série ficava boa mais pro meio. Das duas uma: ou minha memória me pregou uma peça ou eu não conseguia entender tudo que estava acontecendo. As história iniciais são ótimas. Algumas   são bem políticas, de esquerda, o que pode afastar vários leitores. E usam de um ocultismo mais clássico, hoje visto até como clichê., cheio de rituais e demônios católicos. Ainda assim é impressionante como o Constantine da época é o mesmo Constantine de hoje. Não importa quantos escritores e desenhistas trabalhem com o personagem, sua essência continua a mesma.


Não há nada melhor que ver Constantine se ferrando e ferrando com os outros. Alan Moore deve ter gostado de ver os rumos de seu personagem. Ele definitivamente está longe da moralidade padrão dos comics. É uma obra tão pessimista quanto uma história de Hellblazer deve ser. Não foi feita uma nova colorização, o que também deve afastar algumas pessoas. O visual é datado, mas com um clima de história antiga muito saudoso pra quem gosta dos álbuns da época.


Não sei se a Panini visava os fãs de longa data ou se acredita que as primeiras histórias de Hellblazer vão atrair novos admiradores. Qualquer que seja o caso a iniciativa foi um sucesso. A primeira edição se encontra esgotada. E como os álbuns estão sendo lançados lentamente provavelmente só os netos dos meus netos vão terminar de ler Hellblazer de forma organizada. Mas é uma iniciativa excelente. O mais notável membro da Brigada dos Encapotados merece ter todas suas histórias contadas.

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