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Hikaru no Go

Go – também conhecido como igo, weiqi e baduk – é um jogo de estratégia muito antigo originário da China. É bem mais complexo que xadrez, com um número de jogadas possíveis muito maior que a quantidade de átomos no universo. Apesar disso o jogo tem regras bem simples e fáceis de aprender. O jogo é fascinante por si só, mas vinha perdendo popularidade entre os jovens no Japão, sendo considerado coisa de velhos. Isso mudou graças a um mangá chamado Hikaru no Go que fez muito sucesso e renovou o interesse nacional.

Hikaru é um garoto normal, que vai levando a vida sem grandes ambições. Um dia enquanto explorava o sótão de seu avô junto com uma amiga encontrou um goban (tabuleiro de go). Somente ele vê uma mancha de sangue no tabuleiro, e ao tentar limpá-lo o garoto o garoto ouve uma voz. Ele desmaia, e a partir daí começa a se comunicar com o fantasma de Fujiwara no Sai.

Sai era um exímio jogador de Go na era Heian, sendo um dos professores do Imperador. Mas devido a uma trapaça de outro jogador de go ele perde esta honra, e então comete suicídio. Seu amor ao go era tão grande que ele passa a assombrar um tabuleiro. No passado Sai conseguia se comunicar e jogar através de Honinbo Shusaku, um dos melhores jogadores de go que já existiu, e que morreu de cólera.

Hikaru vê oportunidades de se divertir e ganhar dinheiro com as habilidades de Sai. Ele desafia um garoto de sua idade chamado Akira Toya, filho do maior jogador de go da atualidade. Sai derrota Akira duas vezes, e a postura desrespeitosa de Hikaru em relação ao go deixa Akira profundamente chateado. Com o tempo Hikaru decide treinar go e jogar por conta própria, tendo Sai como tutor.

O amadurecimento dos personagens é um dos pontos chave da trama. Não apenas a aparência e a idade, mas principalmente o lado psicológico dos personages, que muda bastante com o passar do capítulos. Os relacionamentos são muito bem bolados, com dezenas de personagens marcantes. Hikaru no Go não usa de violência nem sex appeal hora nenhuma, mas seus roteiros bem trabalhados e sua excelente narrativa deixam qualquer leitor cativo.

Normalmente no Japão o mangaká tem a função de desenhar e escrever a história. Hikaru no Go foge da regra, com Yumi Hotta cuidando do roteiro e Takeshi Obata da arte. Enquanto Hotta é mais desconhecida do público Obata já emplacou os hits Death Note, Bakuman e Blue Dragon Ral Grad. A quimica entre os dois é muito boa, e o resultado é de ótima qualidade. É notável os ângulos e composições de páginas, que não deixam o mangá ficar monótono, e o domínio de expressões faciais e corporais do Obata transmite emoções com muita competência.

Hikaru no Go é um sport manga, mas bem diferente do normal. Go é um jogo muito difícil de se entender a fundo, por isso os detalhes são praticamente ignorados. Então a emoção não está nos detalhes do jogo, como em um luta de boxe ou jogo de cartas, mas na psicologia por trás das batalhas. Muitas partidas de go importantes duram apenas uma página, mas o impacto continua.

As dezenas de personagens cativantes que aparecem também são um ponto forte da trama. Conforme Hikaru vai se tornando um profissional ele passa por diversas instituições, todas muito bem representadas e cheias de vida. Habilidade não vem com mágica ou com dons especiais, e sim com muito treino e dedicação. Hikaru no Go tem a morte mais marcante de todos os mangás que eu li. A coragem dos criadores de tirar um personagem tão importante no meio do mangá é de tirar o chapéu.

Hikaru no Go vem sendo publicado pela JBC. Vale muito a pena conhecer, tanto pela obra em si quanto pelo interessantíssimo mundo do go. E pra quem quiser aprender a jogar há vários tutoriais e programas na internet. Os grandes servidores do jogo sempre tem uma sala com um nome tipo ‘Li Hikaru no Go e quero aprender a jogar” e muitos veteranos dispostos a ensinar ^^

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