Knights of Pen & Paper

Existem os RPGs “de papel” ou “de mesa”, como Dungeons & Dragons e Vampiro A Máscara, e os eletrônicos, como Ultima ou Final Fantasy. Os RPGs “de mesa” inspiraram a criação dos eletrônicos, e de vez em quando eles até se juntam, e estas crias muitas vezes são maravilhosas (Baldur’s Gate, estou falando de você). O esquema de adaptação é normalmente o mesmo: centrar apenas na aventura. Já um simpático jogo para smartphones resolveu contar o que acontece ao redor da mesa. O nome do jogo é Knights of Pen & Paper.

Adoro meu Android, mas não tenho saco pros jogos da Play Store. Acho o sistema de controle por toque horrível. É muito impreciso e me impede de jogar muita coisa. Ainda bem que para tudo há exceções. Knights of Pen & Paper, com suas jogadas por turno, botões grandes e interface amigável faz a experiência toda ficar bem divertida.

O começo do jogo é genial. Ao invés de escolher uma raça e classe, como é padrão, nós temos que escolher uma classe e um jogador. Então podemos escolher o ET, a Ramona, o Irmão Mais Novo, o Cara da Pizza, e por aí vai. As classes são as padrões dos jogos, como Guerreiro, Paladino ou Mago. Mais personagens e classes vão sendo desbloqueados conforme se joga. E todos ficam sentados confortavelmente na mesa enquanto o Mestre narra o jogo.

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Quer vantagens? Compre salgadinhos e refrigerantes para subornar o Mestre. Cansou do Mestre? Há outros pra se comprar, como o Yoda e o Mestre dos Magos (o melhor, na minha opinião). Há objetos de decoração que dão bônus. E por aí vai. Tudo comprado com o dinheiro do jogo, que é fácil de obter. Os apressados podem desembolsar dinheiro real com microtransações, mas é totalmente opcional.

E enquanto vivemos uma aventura clássica, com todos os clichês necessários, vamos convivendo com os maneirismos e brincadeiras ao redor da mesa de RPG. É legal como os criadores capturaram o melhor (ou o pior, dependendo do ponto de vista) que acontece. Temos jogadores empolgados, brincalhões, caladões, as frases de efeito idiotas…. É comum sorrir ao ler alguma besteira.

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O visual pixelado é muito bonito. O som é o padrão de jogos para smartphone: não é uma obra-prima, chega a ser repetitivo, mas combina bem com o jogo. Dá para terminar Knights of Pen & Paper em apenas algumas horas, mas tem tantas side quests e classes para liberar que o fim é só o começo.

E este jogo – que inclusive foi considerado o melhor para dispositivos móveis do ano passado – é brasileiro! Os criadores aproveitam para tirar um sarro dos brasileiros (gimme money) e usar lendas de maneiras criativas. Há um saci, curupiras e muito mais. É um dos raros jogos que para realmente aproveitá-lo é preciso ser brasileiro. E para os sem smartphones o site foi lançado na Steam. Não acho que combine muito com TVs e monitores, mas quem tem um aparelho compatível não deveria desperdiçar a chance de já começar a jogar. Knights of Pen and Paper vale cada centavo gasto.

3 comments

  1. Curioso! Eu escrevo uns contos de passa-tempo, e sempre pensei em aproveitar a mitologia brasileira pra, ao invés de compor personagens infantis, construir “raças” mágicas. Por exemplo, os Sacis deixariam de ser aquela criança sapeca para serem grandes e fortes “dominadores do ar” capazes de criar ciclones e tornados. Coisas assim.

    O início do texto me lembrou, também, aqueles rpg´s de livros, não os de ficha, mas os de livros, em que liamos o livro e com base no que se escolhia ia pulando de páginas para páginas, não nas seqüências numéricas. Gostava de uns livros daqueles :D

    Bacana a postagem, tenho curtido seu site cara, parabéns!

    1. Brigadão ^^

      Conhece o Alan Moore? Ele pega personagens e seres comuns e os coloca em situações diferentes. Suas histórias são geniais. Aqui no Brasil que eu saiba o mais próximo que temos disso é Monteiro Lobato, em suas obras infantis. Para um público adulto ou juvenil eu não conheço nada ¬¬

      Conheço estes livros que você fala. Aqui no Brasil eram lançados na coleção Escolha Sua Própria Aventura. Sabia que tem um site para criá-los? Eu mesmo estava fazendo uma aventura, se cadastre lá:
      http://textadventures.co.uk/

      PS: Esperando ansiosamente a segunda temporada de Legend of Korra também, né? :)

  2. Como não conhecer Alan Moore? :D

    Sim, o Monteiro Lobato é um exemplo, mas é infantil. Eu pensei algo meio “Terra Média para Adultos” com Sacis, Cucas, Curupiras… tudo misturado a outros mitos incluindo não nacionais. Mas acabou que eu gerei um monte de projetos de livros e este ficou arquivado. O que estou tentando levar tem um pouco disso mas não como foco, apenas como elemento de história. Mas é complicado com pouco tempo, sem leitor para opinar se a coisa está um desastre ou pode ser salva. :D

    Vi o site, de casa vou conferir ele melhor valeu!

    E, minha nossa eu não sabia de Legend of Korra! Como assim que eu nem sabia? :D Vou correr para conseguir a primeira temporada e ver de maneira urgente! Eu adorei A Lenda de Aang, e achava que não fariam mais nada além… Valeu a dica!

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