vigilnights

Noites de Vigília – A. J. Cronin

AJCronin1

Por estar em um curso na área de saúde, a temática passou a me atrair cada vez mais. Com isso acabei inevitavelmente conhecendo o trabalho de Archibald Joseph Cronin, A. J. Cronin. Médico e novelista no inicio do século vinte, o escocês escreveu vários romances cuja temática no mínimo tangenciava o universo dos médicos e enfermeiras.

Noites de Vigília foi originalmente publicado em um periódico na Inglaterra em 1939, mas não deixa de ser atual ao retratar o descaso com a área da saude. O livro, publicado mais tarde com todos os capítulos que preencheram as páginas da Good Housekeeping magazine, conta a história de duas irmãs, ambas enfermeiras, que enfrentam as dificuldades do trabalho no hospital. A mais velha é Anne Lee, cuja paixão pela profissão é o traço mais marcante; enquanto Lucy Lee é a caçula, que busca uma forma de subir na vida fazendo o que for necessário.

O contraste entre as duas irmãs, que apesar disso se gostam muito, aparece quando um paciente morre em um pequeno hospital no County devido a negligência de Lucy. Anne assume a culpa, é expulsa do hospital e sai em busca de um emprego na cidade de Manchester. Lá ela consegue alcançar uma posição de destaque, devido ao seu empenho e bom trabalho, sendo nomeada enfermeira-chefe. Anne conhece então o Dr. Prescott, cirurgião muito sério e sisudo cuja ambição é abrir uma clínica de neurocirurgia. Interessante reparar que na época a neurocirurgia era desacreditada. A comunidade científica sabia da fragilidade do tecido neural e optava por fazer sempre menos possível em relação a isso a fim de evitar os efeitos colaterais e a alta mortalidade da época.

Em dada época Anne resolve visitar Lucy, que agora mora em Londres. Lá descobre que ela desistiu de exercer a profissão (apesar do anterior sacrificio de Anne para que a irmã não fosse expulsa da classe) e casou-se com um antigo admirador de Anne, agora rico. Ao voltar para Manchester, o ônibus de Anne sofre um acidente. Machucada, mas com muita determinação, a enfermeira socorre da melhor forma possível os passageiros e pede inclusive ajuda ao Dr. Prescott para pacientes com perigosas fraturas no crânio. Tal incidente repercute de forma positiva na mídia, em favor de uma clínica como a do sonho do médico-cirurgião, que poderia salvar muitas vidas. Algum tempo depois, durante uma visita domiciliar que a enfermeira Anne prestara, um rico e influente industrial tenta seduzí-la. Ela o afasta como pode, mas sua paciente – mulher do empresário – os surpreende. Tendo sua palavra contra a do industrial, Anne se vê expulsa tanto da casa como do hospital, tendo que ir buscar emprego em Londres.

Chegando na grande capital, graças a ajuda do Dr. Prescott, ela consegue um bom emprego. Porem, surgirão outros problemas como o envolvimento de Lucy com uma clínica particular de péssima reputação, uma epidemia de meningite cérebro-espinhal no país de Gales e os próprios sentimentos de Anne e do Dr. Prescott que, apesar de tanto tempo juntos nas salas de cirurgia, se negam orgulhosamente a admitir que se gostam.
Apesar do fim típico de novelas, Cronin surpreende com a veracidade dos fatos e com a descrição dura, mas fluida. A história, apesar da ênfase aos elementos descritivos, em momento algum segue arrastada. Mostra-se pouco carregada com termos médicos, permitindo a um leigo entender o desenrolar da trama mas garantindo uma imersão bem maior aos estudantes da área nas narrações das cirurgias e dos tratamentos.

Não sei, porém, se há grande diferença do livro em traduções recentes, se realmente foi feita nova tradução. A minha edição é de 1957, de uma coleção das obras do Cronin pela editora José Olympio.

2 comments

  1. Gostei do nome do livro. Parece ter muitas reviravoltas – não sei se você descreveu toda a trama ou apenas parte dela, mas certamente é muita coisa. A ambientação é interessante também. Não digo que o lerei porque a lista sempre é grande, mas certamente teve meu interesse.

  2. Gostei muito da trama do romance.O fato do livro não conter termos técnicos deixa claro a intenção do autor em fazer um texto livre,para todos os públicos e não apenas o pessoal da saúde,gostei disso.
    O Brasil tem um problema em relação a livros,praticamente não existe um mercado livreiro aqui,e isso dificulta o acesso a autores diversos.Aliás até os autores consagrados eu tenho dificuldade de encontrar por aqui,mesmo em inglês,que em tese,é o idioma universal do comércio.Ótimo texto Eric.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *