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O Dia do Curinga – Jostein Gaarder

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Alguns meses atrás ganhei um livro de presente: O Dia do Curinga, escrito por Jostein Gaarder. Terminei finalmente de lê-lo essa semana e, para mim, se trata não apenas de uma grande obra do mesmo autor de “O Mundo de Sofia”, mas também de um dos livros mais esclarecedores sobre a vida, o universo e tudo mais – num sentido não-Douglas Adams.

Jostein Gaarder nasceu na Noruega e estudou filosofia, teologia e literatura. Ele buscava escrever um livro que servisse de introdução ao pensamento filosófico, mas que fosse simples o suficiente para que até uma criança – não um idiota – pudesse entrar no mundo da filosofia. Com isso ele não apresenta, como costumam fazer as escolas, uma gama de filósofos e seus pensamentos, sejam pormenorizados ou generalizados. Apresenta sim pensamentos de Sócrates e de outros que contribuíram para as bases da temática, mas tem foco no raciocínio filosófico, no método.

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O Dia do Curinga não possui apenas uma história, mas uma série de histórias. Ambientadas em diferentes épocas e lugares, elas se entrelaçam. Só no final, porém, é que ocorre a sincronização de todas as linhas do tempo, tornando os últimos capítulos em um grande misto de alegria, tristeza, torta de limão e uvas-do-monte. Só lendo para entender.

A história é narrada por Hans-Thomas, que conta a aventura de quando ele, quando possuía pouco mais de oito anos, e seu pai resolveram fazer uma viagem. Saindo de Arendal, Noruega, eles cruzam a Europa em direção a Grécia. A mãe de Hans-Thomas fora embora havia oito anos e o deixara com o pai. Alegando que ela precisava “se encontrar”, nunca enviou notícias ao marido ou ao filho. Apesar de aparentemente desnaturada, o narrador e seu pai resolvem ir atrás dela para tentar trazê-la de volta, mesmo sabendo que pode ser uma viagem fracassada. Em um posto de gasolina no caminho, porém, Hans-Thomas ganha de um anão frentista uma lupa. O que se mostra uma grande coincidência ou obra do destino, pois ao passarem por Dorf, na Suíça, ele ganha um livro cujas letras são tão pequenas que só podem ser lidas com uma lupa. No pequeno livro está o relato de uma parte da vida do padeiro, relacionado a vida de outros padeiros antes dele, começando no fim do século XVIII em uma ilha mágica localizada no oceano Atlântico. Nesse momento temos um grande entrelaçamento de linhas do tempo: a de Hans-Thomas; de Ludwig, o padeiro; de Albert, o padeiro que instruiu Ludwig e de Hans, o padeiro que esteve na ilha mágica.

Todas as histórias são permeadas de profundas reflexões. Algumas sobre nós e a compreensão da existência, outras sobre as relações com o mundo. O interessante é notar o quanto se repete a figura do Curinga no livro. Independente do Batman Aqui ele representa o individuo que é capaz de filosofar, que não vive apenas caminhando para a própria cova como se fosse apenas uma carta num baralho, mas questionando a vida, o universo e tudo mais. O Curinga é aquele que se pergunta “Quem somos? De onde viemos?” e vai atrás da resposta, seja essa triste, dura, ou mesmo inalcançável.

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