Capa da edição de 10 anos.

Longitude

As coordenadas geográficas podem parecer apenas um conceito de ensino médio, não muito necessário de forma direta para a maioria das pessoas. São, entretanto, essenciais para a localização de pontos na superfície do planeta. São dadas em termos de latitude e longitude, ambas medidas em graus. A latitude varia conforme nos movemos no globo no sentido de norte-sul, enquanto a longitude varia ao movermos no sentido leste-oeste. Os gregos antigos descobriram formas de avaliar a posição de um ponto em termos de latitude apenas, já que a determinação da localização global é extremamente necessária para a navegação. A medição da longitude permaneceu, porém, um mistério. A partir do século 16, graças a Galileu, era possível determiná-la em terra firme, mas não no mar. Para isso, o italiano desenvolveu um método que calculava a longitude de acordo com as luas de Júpiter. Mas esse método era complicado, exigia muitos cálculos, demandava horas para sua realização e era inviável para navegadores. Vários reis da época colocaram prêmios (como ₤20.000 do Parlamento Inglês) para quem descobrisse um método de se medir a longitude com exatidão em alto-mar, que seria avaliado por um comitê.

Capa da edição de 10 anos.
Capa da edição de 10 anos.

O livro Longitude, de Dava Sobel, trata justamente da história de John Harrison, o gênio solitário que resolveu o problema ao buscar uma solução que não usasse medidas astronômicas, mas sim mecânicas. O livro narra a história de Harrison, desde sua pouco conhecida infância – muitos detalhes de sua vida nunca foram documentados -, passando pela conturbada avaliação do comitê (do qual fez parte Sir Isaac Newton) até tempos após sua morte, descrevendo seu legado. Embora tenha um desenvolvimento lento e pouco envolvente no inicio, os capítulos se tornam cada vez mais interessantes e envolventes.
Certo. Esse é mais um livro sobre história da ciência do que literatura em si. O tema, a longitude, me pareceu interessante pois nunca tinha pensado em como parecia difícil medir a longitude em comparação com a latitude.
O mais interessante é que dentre os métodos descobertos, vários se baseavam em tabelas com a previsão da posição astronômica de luas e planetas, distâncias entre a lua e o sol ou estrelas. Foi proposto até que se ancorassem navios internacionais em pontos conhecidos do mar para que, a certa hora do dia, disparassem tiros de canhão para avisar o horário aos barcos próximos. O mais engenhoso de Harrison, entretanto, não foi apenas a criação de uma máquina com a qual se calcula a longitude, mas sim de ter feito isso sem instrução acadêmica. Ao contrário de outros inventores, formados em renomadas universidades, John Harrison era auto-didata, de família simples, que aprendeu a trabalhar em madeira com o pai. Mas isso não o impediu de construir sistemas de minimização de atrito que não necessitavam de lubrificação ou dispositivos capazes de compensar a dilatação térmica nunca antes pensados. E ainda, não satisfeito com a solução encontrada, ele ainda trabalhou durante anos para aperfeiçoá-la e torná-la cada vez mais compacta e resistente as adversidades encontradas nos navios. Devido ao seu perfeccionismo, Harrison gastou mais de quarenta anos para a construção da máquina que achasse perfeita, hoje denominada Cronômetro.

Os cronômetros criados por Harrison. De cima pra baixo e da esquerda para a direita, os H1, H2, H3, H4 e H5, além de uma pintura de Harrison.
Os cronômetros criados por Harrison. De cima pra baixo e da esquerda para a direita, os H1, H2, H3, H4 e H5, além de uma pintura de Harrison com o H4.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *