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Master of the Rings: The Unauthorized Story Behind J.R.R. Tolkien’s ‘Lord of the Rings’

Stephen Grant escreveu e dirigiu Master of the Rings em 2001. Foi lançado poucos dias antes  da estréia do primeiro filme da trilogia de O Senhor dos Anéis de Peter Jackson. Se foca no autor e não nas obras.

As partes mais informativas são chatas e pouco planejadas. São inseridos resumos em texto mesmo, lembrando tediosas apresentações de power point. Já as curiosidades são bacanas. O documentário foi filmado em Londres e mostra vários lugares interessantes. Ver as casas onde o autor viveu, a igreja que costumava frequentar ou o pub “Eagle and Child” onde se realizavam os encontros dos Inklings não adiciona praticamente nada à compreensão da obra ou da vida do autor, mas é o tipo de informação que os fãs mais veteranos gostam de ver e que agrada os que estão assistindo só por diversão mesmo.

Infelizmente o documentário divaga muito. Partes como as batalhas campais feitas por nerds são totalmente dispensáveis. Boa parte dos participantes está lá representando tropas históricas de qualquer forma, e dá pra sentir que a influência de Tolkien é bem diluída. O cantor que criou um cd baseado em Tolkien também é uma forçada de barra. Há várias bandas que se inspiraram em obras do Tolkien e fazem mais sucesso, de Led Zepelin à Blind Guardian.

A entrevista com Roger Garland é interessante, mas também um bocado deslocada. O pintor curiosamente é daltônico, e embora não seja tão famoso quanto John Howe ou Alan Lee é conhecido entre os apreciadores das obras de Tolkien. Suas pinturas a óleo não são muito realistas, mas representam bem o clima fantástico de Senhor dos Anéis e O Hobbit. A minha edição em inglês de Senhor dos Anéis tem como capa uma pintura dele :]

Tem muita coisa mais interessante e útil pra quem se dispões a ver um documentário sobre um escritor do que sua influência nos fãs. Dá a impressão que faltou assunto, e o resto foi feito para encher linguiça. Tolkien tem milhares de fãs exaltados, claro, mas Master of the Rings pelo menos na teoria é sobre o criador e suas obras. Afinal o subtítulo é A História Não-Autorizada por Trás de O Senhor dos Anéis de J. R. R. Tolkien. E até se fosse focar o impacto dele no mundo tem coisas muito mais interessantes para mostrar.

As melhores partes são a entrevista com Humphrey Carpenter e a parte final, com uma professora de Oxford que é fã do Tolkien. Carpenter escreveu uma biografia de Tolkien que acredito que não foi lançada aqui (a biografia que tenho foi escrita por Michael White) e editou The Letters Of J. R. R. Tolkien, além do livro Inklings sobre os frequentadores do hoje famoso clube de literatura. Ele fala de sua entrevista com Tolkien, e dá uma descrição interessante sobre como ele era apaixonado pela sua obra.

Nesta parte há um erro feio na legenda: está escrito que a primeira tiragem de A Sociedade do Anel foi de apenas 500 cópias, enquando no documentário é mostrado 3500. A legenda do Netflix é boa, com alguns pequenos deslizes. Alguns termos foram deixados em inglês, mas pelo menos não há traduções diferentes da versão dos livros da Martin Fontes, o que só causaria confusão.

Aos fãs do Tolkien o documentário deve agradar. Não tem muitas informações novas ou profundidade, mas é sempre bom ver algo sobre o velho professor. Já pras pessoas normais é muito mediano, não compensa a perca de tempo e não faz jus ao material que aborda.

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