Sayuri 2

Memórias de uma Gueixa

Memórias de uma Gueixa é um livro de ficção histórica do estadunidense Arthur Golden. Conta a vida de Nitta Sayuri no distrito de gueixas de Gion, em Kyoto. Ela morava em Yoroido, um pequeno vilarejo que sobrevivia de pesca com sua irmã, sua mãe e seu pai idoso. As duas irmãs foram vendidas como escravas após sua mãe ter desenvolvido uma doença terminal. Já em Kyoto, têm destinos separados: Chiyo (seu nome antes de ser Sayuri – leia que irá entender) passou a morar num okiya, que é uma casa de gueixas. Sua irmã já não tinha idade para aprender a ser uma gueixa, por isso foi para outro lugar.

A transição de Yoroido para Kyoto é feita bem no começo, e aí vem o maior trunfo do livro: depois de Chiyo ter se estabelecido em Kyoto, o restante do livro nos apresenta a todas as tribulações da vida das gueixas e das pessoas que vivem ao seu redor. Se o leitor não sabe muito sobre isso (o que era meu caso, e imagino ser o de muita gente), acho que não tem como não gostar. Já assisti a uma certa quantidade de animes, por isso tenho um pouco de familiaridade com o Japão, mas até hoje não sei de nenhum anime ou mangá sobre gueixas. Mesmo produções focadas na tradição japonesa, como Mushishi, não falam disso. Por isso gostei muito do livro, pois ele preencheu esse vácuo. Se você se interessa por esses assuntos, vale a pena ler. O livro é bastante lírico e a leitura é bem rápida e agradável, sem ser aquela coisa arrastada e melosa.

Uma coisa interessante é que, ao contrário do que o livro me levou a pensar, Nitta Sayuri é uma personagem totalmente fictícia que vive situações igualmente fictícias. Começa pelo nome; eu pensei que uma gueixa de verdade havia contratado o Arthur pra fazer uma biografia dela, afinal estamos falando de memórias. Eu abro o livro e a primeira coisa que vejo é a nota do tradutor. Pensei que era o Arthur, mas vi que a assinatura era de um tal Jakob Haarhuis, o que me deixou bastante confuso. Uma rápida pesquisa no Google ou na Wikipedia (na versão em inglês, ninguém é bobo de confiar na versão em português) corrigiria a situação, mas eu fiquei com preguiça e não olhei. Eliminei essa preocupação, continuei lendo e achando que tudo aquilo havia realmente acontecido, que a Sayuri e as outras gueixas eram pessoas reais. O período da Segunda Guerra também contribuiu para eu achar que estava lendo uma história verídica. Foi só no final, nos agradecimentos do Arthur, que eu percebi que tudo aquilo era inventado. Eu me senti bastante burro nessa hora.

Publicado em 1997, este é até hoje o único livro de Arthur. Antes de escrever, ele cursou história da arte e fez um mestrado em história do Japão. Ele morou no Japão e entrevistou muitas pessoas para se informar. Aparentemente ele levou seis anos para escrever esse livro; isso pode até ser verdade, mas não consegui confirmar, se souber me avise. A versão que foi publicada é terceira. Algumas diferenças das versões anteriores é que elas eram mais longas, e parece que a história era contada em terceira pessoa, ao invés do ponto de vista da Sayuri. Tudo isso me diz que o livro era um projeto pessoal e muito importante, Arthur o escreveu porque realmente queria, não é um livro 100% comercial como muita coisa que se vê hoje em dia. Não posso falar do filme (não assisti) mas com certeza recomendo o livro.

One comment

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *