MestreGil

Mestre Gil de Ham – Tolkien

Tolkien focou boa parte do seu tempo livre (e da sua vida) escrevendo sobre a Terra-Média. Muita coisa inacabada chega até nós depois de ter sido muito editada por seu filho, Christoffer, como O Silmarillion. Mas não foi só sobre a Terra-Média que o professor escreveu. Embora curto Mestre Gil de Ham é um livro charmoso e simpático, com grandes chances de agradar quem gosta de O Senhor dos Anéis e, principalmente, O Hobbit.

O livro se passa na Inglaterra, mas não na Inglaterra atual. É uma Inglaterra mágica e fantasiosa. Há artefatos mágicos, cavaleiros, reis, gigantes, dragões e até algumas armas de fogo. O cenário é cheio de anacronismo. Surgiu como uma história contada para os filhos do autor que foi ganhando detalhes e ficando cada vez mais sofisticada conforme ia sendo editada.

O protagonista é AEgidius Ahenobarbus Julius Agrícola de Hammo, mais conhecido como Mestre Gil, morador da aldeia de Ham. Ele é um senhor de algumas posses, mas sem uma linhagem importante. Mestre Gil tem um cachorro chamado Garn. Os cachorros daquela época sabiam falar a língua do povo, que usavam para amedrontar, se vangloriar ou bajular.

Mestre Gil levava sua vida tranquilamente até que um gigante invadiu suas terras. Armado com seu bacamarte o relutante protagonista consegue afastar o gigante, que pensa ter sido picado por moscas. Voltando para sua terra o gigante diz que não há mais cavaleiros. Por ter ‘derrotado’ o gigante, Gil recebe uma espada do Rei, Caudimordax, vulgarmente conhecida como Morde-Cauda. Mas os relatos do gigante despertam a atenção e a cobiça do dragão Chrysophylax, que decide ir verificar se as terras são tão fáceis de ser saqueadas assim. E quando ele chega a população espera que Mestre Gil, o novo herói local, lide com a ameaça.

A história é simples e divertida. Uma paródia dos contos de bravos cavaleiros matadores de dragões. Há dezenas de trocadilhos linguísticos. Tolkien era um filólogo, e isso reflete fortemente em todos seus trabalhos. A edição nacional de Mestre Gil de Ham traz dezenas de notas, todas muito bem explicadas e boas de ler. Há também uma versão mais antiga e simples do conto. Essas coisas não são do interesse das crianças, mas sim dos fãs e estudiosos do autor. Foi o jeito que a Martin Fontes conseguiu de vender a história, que na verdade é apenas um conto, como um livro só. De qualquer forma a edição nacional é bonita e bem trabalhada, conta com a arte de Pauline Baynes e uma encadernação e papel de qualidade. É uma leitura leve e descontraída, um livro ideal para relaxar e entreter.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *