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Muramasa The Demon Blade (Wii)

O Wii foi extremamente criticado por jogadores pela falta de poder de processamento gráfico que permitisse a ele rodar jogos em alta definição. Felizmente isto não o impediu de ser um sucesso absoluto de vendas, nem de ter alguns dos jogos melhores jogos desta geração. E ele tem também alguns dos jogos mais belos, dentre os quais chama a atenção Muramasa.

Muita gente que curte animes ou jogos já ouviu o nome “Muramasa”. Ele se refere normalmente às espadas criadas pelo famoso ferreiro Sengo Muramasa, espadas que de acordo com a crença popular clamam por sangue e fazem com que os guerreiros que as portem estejam sempre com a morte em seu percalço. E são estas espadas que ligam a história dos dois protagonistas: Momohime e Kisuke.

Momohime é uma princesa que foi possuída pelo espírito do espadachim Jinkuro. Jinkuro quer concluir um plano maligno, e para isto precisa de uma espada demoníaca poderosa. Já Kisuke é um jovem ninja que não se lembra do seu passado e é caçado pelos membros de seu clã por motivos desconhecidos. Ao descobrir o que aconteceu ele se vê novamente apaixonado por Torahime, a irmão mais velha de Momohime, e precisa das poderosas espadas demoníacas para consertar erros do passado e protegê-la.

 A história é japonesa até o talo. Sinceramente me perdi no meio de tantos nomes e detalhes. Mas este foco na história folclórica japonesa é grande parte do charme do jogo. Quem assistiu ao filme A Viagem de Chihiro deve se lembrar da casa de respouso dos deuses e das várias criaturas estranhas que aparecem. Ou dos inimigos do jogo Pocky & Rocky pra Super Nintendo. Os muitos inimigos a aparecerem na história são samurais, monges, kappas, yokais, onis, kitsunes, tengus e muitos outros. É bom dar um descanso nos tradicionais goblins, dragões, orcs, esqueletos e similares das lendas da Europa de vez em quando ^^

O jogo é um metroidvania. Metroidvanias são jogos que seguem um esquema parecido com Super Metroid e Castlevania Symphony of the Night, com mapas repletos de segredos e que precisam de ser constantemente revisitados. Muramasa é mais simples que a maioria. Não há tantos segredos, nem uma liberdade tão grande. É composto de episódios fechados onde temos de ir do ponto X ao Y, com o mapa nos indicando as direções. Conforme obtemos espadas é possível quebrar a barreira que leva pra outras partes do mapa. Fácil, mas nem por isto menos divertido.

 A grande diferença vai pra forja de espadas. Há dezenas, cada uma com poderes diferentes. Elas se dividem em blades – rápidas e ótimas pra grupos de inimigos – e long blades – lentas mais poderosas, excelente pra dar cabo dos chefes. Elas são forjadas com almas, que podem ser encontradas no mapa ou obtidas matando inimigos, e com espiríto, obtidas comendo. Dá tanto pra cozinhar (comprando livros de receitas para fazer comidas mais saborosas) quanto pagar por refeições nos restaurantes e lojinhas no mapa. Você carrega três espadas de uma vez, e pode alternar o uso nas batalhas.

A ação em Muramasa é rápida. Você quase sempre está em desvantagem numérica e mesmo assim as lutas duram poucos segundos já que o dano recebido e aplicado é alto. Há dois níveis de dificuldade: Muso e Shura. O Muso equivale ao fácil. Você vai se sentir um deus, retalhando os inimigos sem dó e fazendo grandes estragos nos chefes. Já no modo Shura a coisa complica. É preciso desviar e bloquear bem para sobreviver. E se os inimigos normais são relativamente tranquilos de passar os chefes são barra-pesada, daqueles de arrancar os cabelos e jogar o wii motion na parede.

 A arte do jogo é maravilhosa. Tudo foi feito em 2D, cada tela parece uma pintura e os movimentos e efeitos de luz são lindos. Eles abrangem vários cenários japoneses maravilhosos. Uma cidade com cerejeiras em flor, o Monte Fuji coberto de neve, um campo de trigo balançando ao vento, florestas enevoadas com templos… O efeito de paralax é muito bem montado, e dá gosto ir pulando só pra ver os detalhes dos cenários ao fundo. Isso cria um clima muito imersivo, algo similar ao que foi feito com ICO e Shadow of the Colossus, mas voltado pro deslumbramento ao invés da melancolia. A trilha sonora é composta de melodias com aquele climão japonês, estilo as músicas de O Tigre e o Dragão ou de O Clã das Adagas Voadoras. Uma direção de arte ímpar, que deixa o jogo marcado na memória.

Há o bastante pra se fazer. Em 12 horas dá pra zerar o jogo com Momohime e Kisuke, mas cada um tem mais dois finais secretos. Há partes do mapa que só se abrem depois de zerar com ambos, e desafios maiores aguardando o jogador. Desde o lançamento havia boatos que o jogo seria lançado na PSN e na Live. Isto não aconteceu, mas o jogo foi anunciado para o PS Vita. Virá em alta-definição, com mais quatro personagens jogáveis e novos cenários e mais história. Provavelmente uma parte disto virá como DLC, e o jogo deve oferecer suporte a troféus também. Infelizmente o jogo só foi anunciado no Japão por enquanto, para março de 2013. Quem quiser conferir em um idioma mais acessível só no Wii. Muramasa é uma prova em pixels de que um jogo não precisa de alta tecnologia para ser belo, apenas de bom gosto e capricho.

2 comments

    1. Eu era apaixonado por ele antes de comprar meu wii, mas curiosamente fui jogá-lo só seis meses depois da aquisição do videogame. Tenho que baixar THotD: Overkill (era viciado no 2 de Dreamcast) e Tenchu eu tenho, mas nunca joguei :D Faço nem idéia do que se trata. Vou pesquisar melhor depois.

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