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O Cavaleiro Inexistente

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Recentemente terminei de ler O Cavaleiro Inexistente, do cubano Ítalo Calvino. A história se desenrola de forma suave, sendo a leitura pouco densa, não muito descritiva. Não é, ainda, um livro muito extenso (133 paginas a versão que li), o que pode agradar aos mais apressados. Trata-se de uma história de cavalaria as avessas: cavaleiros palermas, burocracia de guerra, freiras grávidas, e muita, muita ironia; seguindo os moldes de Don Quixote e derrubando os mitos da cavalaria romântica.

A história foca em cinco personagens principais. O primeiro é o cavaleiro que dá nome ao livro, Agilulfo Emo Bertrandino dos Guildiverni e dos Altri de Corbentraz e Sura, cavaleiro de Selimpia Citeriori e Fez, da corte de Carlos Magno. Trata-se de uma armadura e somente isso. Sim, é um cavaleiro de grande nome e títulos mas que não existe, sendo somente uma armadura vazia mas que participa ativamente nos campos de batalha – parece a inspiração para Alphonse Elric, de Fullmetal Alchemist. Extremamente metódico, o cavaleiro não sente fome ou sono, e se mantem ocupado fazendo com que as regras sempre sejam cumpridas, observando os mínimos detalhes de tudo em que se envolve, como se tivesse algum tipo de transtorno obsessivo compulsivo. Outro personagem é Rambaldo, filho de um nobre morto em combate, motivo que o leva a entrar para o exército de Carlos Magno em busca de vingança contra os mouros. Durante a trama, ele se apaixona por outro personagem: Bradamante, uma mulher que se veste de cavaleiro para permanecer no exército, mesmo que todos já saibam que ela na verdade não é um homem. Entretanto, Bradamante está apaixonada por Agilulfo e não se importa com Rambaldo. Outro personagem é Gurdulu, um escudeiro louco (mas divertido) que sempre fica confuso. Exemplo disso é quando ele começa a cavar túmulos para enterrar os soldados mortos em combate e, em dado momento, esquece se estava cavando túmulos para outros ou pra ele. Dessa forma, ele se enterra, sendo salvo pouco antes de morrer de asfixia por Agilulfo, seu patrão. O último personagem é Torrismundo, até então considerado filho legítimo de um duque, cujo título no exército é colocado em questão quando ele afirma ser filho da ordem dos cavaleiros do santo graal e de uma virgem (não tão virgem assim) salva pelo cavaleiro inexistente.

Surge então um grande conflito: se Torrismundo está certo, ele será expulso do exército, a menos que consiga provar ser filho da ordem. Carlos Magno afirma que nenhum cavaleiro da ordem do santo graal pode ser pai, pois fizeram voto de castidade, mas à ordem inteira pode ser atribuída a paternidade. Já Agilulfo ganhou seus títulos por ter salvo a donzela ainda virgem e os perderá se esse fato não puder ser confirmado. Logo, ambos os personagens partem em jornada para adquirir provas, sendo que Bradamante segue Agilulfo por amor, mas é seguida por Rambaldo. De forma cômica e sarcástica a história se desenrola durante as viagens, encontros e inconveniências que surgirão no caminho dos personagens.

Lançado em 1959, o livro faz parte de uma trilogia chamada Os nossos antepassados, na qual se incluem “O visconde partido ao meio” e “O barão nas árvores”, ambos já lançados no Brasil. Vale a pena ler, principalmente pelo desfecho, que foi, para mim, inimaginável.

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