Lupin

O Ladrão de Casaca – Maurice Leblanc

Uma coisa que adoro é explorar o mundo de determinada obra em várias mídias diferentes. Quando me apaixonei pelos animes, filmes e OVAs de Lupin III sabia que era só questão de tempo até ler os livros originais. Uma breve introdução pra quem não conhece a história: o mangaká Monkey Punch criou um mangá onde o protagonista é Lupin III, neto do maior ladrão da história, Àrsene Lupin criado por Maurice Leblanc. Acontece que o mangaká não tinha permissão pra usar os personagens fora do Japão. Mas a série fez um sucesso tão estrondoso e foi adaptada pra tantas mídias que eles deram um jeitinho: mudaram o nome dele em alguns países, ou então mudaram o passado do protagonista.

Quando comprei o primeiro livro da coleção, O Ladrão de Casaca, foi movido mais pela curiosidade que por empolgação mesmo. Os japoneses tem a mania de exagerar em tudo, então esperava um livro mais chato e burocrático que as aventuras que estava acostumado a acompanhar pelas animações. E um protagonista mais normal. Como estava enganado…

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Já escrevi muito sobre você, Lupin III, mas este texto é sobre seu avô.

É um livro de contos que dá uma boa idéia do personagem. Não leiam a introdução! Ela dá spoilers de alguns contos. Àrsene Lupin é extremamente carismático, e um ladrão no mínimo tão habilidoso quanto seu neto. Seu talento para disfarces e maquiagens é tão grande que ele não tem uma descrição oficial: em um conto é um rapaz loiro e alto, em outro é um senhor moreno e baixo, e por aí vai… Sua arrogância é um dos destaques. Dono de um jornal Lupin faz questão de mandar cartas pra suas vítimas ou pra polícia e publicar tudo detalhadamente para que o público possa aproveitar o show.

O último conto é famoso: Lupin Contra Herlock Sholmes. Acontece que Maurice Leblanc não tinha autorização para usar o famoso detetive do Arthur Conan Doyle, que inclusive estava vivo e foi contra o uso indevido, então ele também teve que dar um jeitinho para não ser processado. O que me faz pensar no Japão e lembrar do velho ditado de ladrão que rouba ladrão… Pra saber quem ganha só lendo mesmo, não vou estragar a surpresa ^^

Que época maravilhosa não deve ter sido acompanhar o lançamento dos contos. Mas pelo menos não temos de esperar pela próxima história. Acabei comprando todos os livros do Marice Leblanc para o Kindle, pela bagatela de US$1,77. No Brasil só temos O Ladrão de Casaca lançado recentemente, todos os outros são de décadas atrás. Que a Martin Claret traga todos e que Sherlock tenha um inimigo a altura não apenas nas histórias, mas nas livrarias do nosso país. E com capas do Alexandre Camanho, para deixar tudo padronizado ^^

 Capa

3 comments

  1. Há um ou dois anos eu vi um filme horroroso sobre Àrsene Lupin, quando via a chamada do filme (que tinha um triler razoável) eu pensei que daquilo para frente a literatura acabaria sendo uma conseqüência. Mas parece que o filme foi mesmo um fiasco para todos e ai falta esperar que de algum outro ponto sem grandes pretensões (ou não), possa eclodir uma melhor posição literária para os contos (que realmente conheço pouco).

    Tenho poucas esperanças já que o próprio Sherlok Holmes que tem séries boas, filmes bons, séries fodas, séries fodas inspiradas e o diabo não é tão popular nos livros quando poderia.

    1. Eu sei que existem filmes sobre o Ársene Lupin, fui dar uma olhadinha no IMDB e tem um de 2004 com uma nota bem baixa. Como o personagem foi apresentado em contos acho que uma série de TV seria o ideal.

      Engraçado que eu li os livros de Sherlock graças ao seriado House MD :P Não lembro de ter assistido muitas coisas com o detetive. Eu vi o primeiro filme do Sherlock com o Robert Downley Jr, e não gostei dos exageros. É de se levar em conta que eu já tinha visto a série da BBC com o Cumberbatch, maravilhosa. E é uma adaptação bem relaxada, com um Sherlock que não é boxeador e se passa nos tempos modernos.

  2. Eu conheci House num hospital, foi amor à primeira vista! :D Pois é, eu também vi aquela série com o Cumberbatch e ela tem o problema de fazer com que todo o resto fique parecendo uma adaptação piorada.

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