O Pacto – Joe Hill

Joe  Hill é filho do Stephen King. Mas você não vai descobrir isso pelos seus livros. Ele esconde o sobrenome King, e não há referência a seu pai na capa nem em nenhum outro lugar. Seu primeiro livro foi publicado em 2005 e ganhou vários prêmios, mas o autor só foi assumir ser filho do maior escritor de terror contemporâneo em 2007, após ser desmascarado pela revista Variety. Isso porque ele não precisa de ser promovido. A qualidade de seus livros já é o bastante pra levar as vendas as alturas.

Horns (Chifres em inglês, virou O Pacto na edição brasileira) é o segundo romance do escritor. Assim como Heart-Shaped Box (Estrada da Noite na edição brasileira) o livro é cheio de referências a músicos e canções famosas, assuntos que o escritor domina como poucos. O autor brincou de advogado do diabo ao contar a história de vingança calcada no sobrenatural.

Ig Perrish acorda bêbado no mesmo lugar onde um ano atrás sua namorada Merrin Willians foi estuprada e morta. Ele descobre que chifres cresceram em sua testa, e as pessoas são compelidas a lhe contar seus mais sórdidos segredos.

Embora não tenha sido encontradas provas de quem matou Merrin, Ig é tido como culpado pela população da cidade. E quando por acidente Ig descobre quem foi o assassino ele resolve tomar providências.

Outros personagens importantes incluem o irmão de Ig, Terry, um músico e apresentador famoso, Glenna, sua nova namorada, e Lee, seu melhor amigo, agora  mão direita de um importante senador conservador. Merrin também tem papel de destaque graças aos capítulos contando histórias do passado.

O contraste entre a bondade de Ig a descoberta de seus novos poderes são parte do charme do livro. Muitos acontecimentos são narrados várias vezes do ponto de vista de diversos personagens, como um mosaico sendo formado perante o leitor.

Pequenos spoilers

O Pacto trás uma visão interessante dos pecados. Se as provas não tivessem sido destruídas graças a influência dos pais de Ig, Terry teria sido injustamente condenado.  Se não fosse a vontade de Ig que dois policiais se matassem eles nunca teriam ficado juntos. Muitas coisas ruins acontecem gerando resultados bons no final. Isso é algo presente em durante todo o livro, e é muito divertido prestar atenção nisso durante a leitura.

Fim dos pequenos spoilers

Um livro assim exige diálogos convincentes e este é um dos pontos fortes do autor. As conversas não parecem artificiais.  As emoções são transmitidas de maneira sublime e eficiente.


Um “problema” do livro é que em várias partes ele pode ser muito depressivo e angustiante. A carga emocional é grande, então não recomendo pra ninguém mais sensível. Ou para pessoas muito religiosas. Mas eu não recomendo nada pra pessoas muito religiosas, então tanto faz.

É notável a habilidade de Joe Hill de criar personagens convicentes. E um final supreendente resolve todas as pontas soltas do roteiro, no mesmo estilo das melhores obras do Neil Gaiman.

Pra quem gosta de obras de terror ou fantasia, as obras de Joe Hill são imperdíveis. Ele não é uma cópia do pai, nem vive sob sua sombra. Seus livros tem um estilo único, e ele sabe explorar seus personagens muito bem. E o autor é bem ativo no twitter, interagindo com a galera e sempre postando coisas bacanas. Vale a pena ficar de olho  :D

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