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Entrevista com Orákio (o Gagá do gagagames)

Então pessoal, pra quem não conhece o Orákio ele é um retrogamer muito famoso na retrosfera. Ele tem um site o Gagá Games e que tem várias matérias legais sobre jogos antigos.

Eu resolvi fazer uma entrevista com ele pra mostrar um pouco dessa paixonite e como ele é nas horas vagas. Confira abaixo a entrevista.

Mariana: Porque vc gosta tanto de jogos antigos?

Orákio: Antes que alguém diga que é por nostalgia… sim, é por nostalgia ^_^ Mas não é SÓ por nostalgia não.
Como os jogos eram limitados pela tecnologia da época, os game designers tinham que rebolar e ter ideias muito loucas para tornar os jogos divertidos. Eu adoro esse tipo de coisa, gente trabalhando com poucos recursos. Sabe aqueles discos em que o sujeito toca com guitarra de três cordas e faz sampler do som de pipoca estourando para usar no lugar da bateria? Eu sou fã dessas coisas. Às vezes você tem toda uma tecnologia à sua disposição e acaba virando escravo dela: em vez de aproveitar os recursos que ela te oferece para fazer um bom jogo, acaba criando um jogo para usar a tecnologia. Hoje em dia todo mundo quer realismo, tramas complexas, e com isso o sujeito muitas vezes não tem liberdade para tentar uma coisa divertida e esquisitona, mais caricata.
Resumindo de um jeito meio gay: eu quero bonequinhos fofinhos, tramas absurdas e mecânicas esquisitas e criativas nos meus jogos. De realismo, para mim, já basta a minha conta de telefone.

 

M: Qual a diferença de jogos antigos  e dos atuais?
O: Eu meio que comecei a responder na pergunta anterior… costumo dizer que os jogos antigos são como os filmes da Pixar, porque a turma da Pixar sempre faz personagens caricatos, com nariz gigante ou com corpos totalmente desproporcionais. Eles não querem ser realistas, querem ser divertidos. Você pega um Final Fantasy VI, vê os personagens miudinhos com cabeções enormes e aqueles olhos gigantes, dando pulinhos quando ficam nervosos, e nota que eles são bem mais apaixonantes do que os modelos realistas do Final Fantasy XIII.
As músicas também eram mais melodiosas quando os compositores não podiam abusar das orquestrações. Há muitos temas orquestrados bonitos hoje em dia (tem várias músicas incríveis e memoráveis no Xenoblade de Wii, por exemplo), mas de modo geral eu preferia os temas mais assoviáveis dos 16 bits.
Enfim, nada contra os jogos novos, eu ando viciado em uma boa meia dúzia de títulos no meu Nintendo DS, que é um portátil cheio de jogos moderníssimos mas que têm aquele clima gostoso dos jogos de antigamente. Professor Layton já virou um vício, e o Shin Megami Tensei: Strange Journey está me dando pesadelos. E também gosto de títulos mais sérios, tipo Metal Gear, mas são jogos que eu termino uma vez e depois não tenho mais vontade de jogar.

 

M: Gráficos realmente fazem toda a diferença?
O: Sim, mas sempre de acordo com a proposta do jogo. Se for um jogo realista de Playstation 3, tem que iluminar direitinho, ter efeitos de partículas caprichados, modelos poligonais que se movimentem de forma convincente e não ficar repetindo textura toda hora. Se um RPG de Super Nintendo ou um joguinho old-school de Nintendo DS quiser nos encantar, tem que ter sprites carismáticos, monstros bem desenhados, cenários bonitos e uns efeitinhos bacanas nas magias. Não tem cabimento querer um boneco cabeçudo com olhos grandes no Gears of War, nem heróis proporcionais e realistas em Chrono Trigger. Não é só porque um jogo é de 16 bits que você vai aceitar personagens mal desenhados e só duas variedades de inimigos.
Embora eu seja fã de Phantasy Star, por exemplo, acho um absurdo as batalhas do Phantasy Star II não terem cenários de fundo, porque em um jogo de Mega Drive você esperava gráficos de batalha no mínimo superiores aos do Master System. Não estraga o jogo, mas faz diferença sim, porque o jogo te oferece menos do que você espera dele na parte visual. E vale lembrar que certos jogos pedem um estilo mais sóbrio: já pensou que desastre jogar Tetris com cenários animados, um monte de explosões e efeitos na movimentação das peças?

 

M: Quando surgiu a idéia do site?
O: eu logo me interessei por esse negócio de blog, porque desde moleque eu curtia escrever para revistas imaginárias. Eu fazia revistas sobre carrinhos, inventava catálogos de produtos doidos (como a “mochila ar condicionado”, rs). Como adoro games, comecei um blog sobre games atuais, o Engasgames. Acontece que por falta de grana e tempo eu tinha parado no Dreamcast, estava desatualizado e não tinha como manter um blog sem conhecer bem o que estava saindo na época.
Nisso eu comecei a descobrir uns blogs sobre retrogames, e quando topei com o Retrogaming with Rackettboy pensei: “putz, dá para fazer um blog muito bacana falando só sobre essas velharias que eu conheço de trás pra frente”. Nunca tinha me ocorrido que era possível fazer um blog com atualizações constantes sobre um assunto de vinte anos atrás.

 

M: E esse lance de traduções de jogos? É bacana ou tem muitas dificuldades?
O: Pô, dá um trabalho violento! Eu tô há meses ralando com a tradução do Phantasy Star Generations, é texto pra diabo! E além da tradução em si, ainda tem o lance do rom hacking para extrair o texto, descompactar o texto, reinserir o texto… felizmente o rom hacking no meu caso está por conta dos meus amigos RodolfoRG e Ignitz, mas mesmo assim eu às vezes tenho que criar uns programinhas para modificar a formatação dos textos e facilitar o meu trabalho na tradução (e, obviamente, para depois converter o texto de volta para um formato que os meus amigos possam reinserir na ISO).
Eu admiro muito o trabalho da turma que faz traduções de ROMs e ISOs de graça. É um trabalho bonito esse de querer levar um jogo para as pessoas que não falam o idioma dele. Não interessa se às vezes rolam uns errinhos de português ou se o estilo nem sempre é bom. Eu daria um braço para poder jogar SEGAGAGA em inglês no meu Dreamcast. Não, peraí, tem uma turma trabalhando nessa tradução já, apaga essa última frase antes que venham me cobrar :P

 

M: E claro que já ouvi falar que você é casado. Sua mulher tb gosta de games (antigos ou não)? Ela tem paciência com o seu “vício” por jogos antigos?

 

(A mulher do Gagá tem um site onde vende artesanatos inclusive com motivos gamers. Mundinho das Artes)
O: Pois é, eu vivo falando da minha esposa no Twitter, né? ^_^ Ela teve um Atari e quase saía no tapa com o irmão na disputa pelo controle. Até hoje ela curte um bocado os jogos daquela época, mas quando chega no Master System e no NES ela já não gosta muito. Acho que ela se envolve mais pela mecânica do jogo, aquela coisa viciante de “só mais uma partidinha” de River Raid, Frostbyte… nada de ter que zerar jogo, ficar conversando com outros personagens, escolher armamento, descobrir o caminho certo… ela quer é jogar e se divertir sem muito papo-furado. Curiosamente ela acabou se interessando por Super Mario World de Super Nintendo. Não levei fé, mas ela acabou zerando o jogo! Aí mostrei Mario 64 e ela já não curtiu, porque você tem que juntar lá as estrelinhas para abrir as fases, tem que ficar fazendo missãozinha, umas fases são mais confusas… ela quer é sair pulando e se divertindo pelas fases.
Pensando bem, talvez ela seja mais retrogamer do que eu :)
Quanto à paciência com o meu vício, ela tem até demais, eu falo de videogame o tempo todo, he he. Eu trabalho o dia todo, e à noite vou ver TV com ela e tal. Aí, lá pras onze da noite ela me diz “quer jogar?”. Eu digo sim e ela fica cochilando no sofá do meu lado enquanto eu jogo. O amor é lindo.

 

M: Vc é uma pessoa que ganha muitos videogames de fãs. Como é ter essa sensação de fãs espalhados pelo Brasil?
O: Isso foi algo totalmente inesperado para mim. Juro que comecei o blog pensando em ter cinco ou seis visitantes diários, e agora o blog bate em torno de mil visitantes por dia! Claro, pelo menos metade deve ser spambot e outros enganos internéticos, mas mesmo assim é um bocado de gente! De modo geral, todos que acompanham o blog me tratam muito bem e são muito gentis, e tento retribuir postando coisas legais e botando a turma para rir um pouco com as minhas besteiras.
Acho o máximo quando alguém me manda algo de presente, porque a pessoa mostra que tem carinho por mim mesmo sem me conhecer, se baseando só no que eu escrevo no blog. Eu não acho bacana só pelo valor do presente em si, o que acho o máximo é saber que aquela pessoa se envolveu tanto com o que eu escrevi que chegou ao ponto de lembrar de mim e me presentear. Hoje em dia a gente tem preguiça até de mandar cartão de natal pelo correio, e algumas pessoas se dão ao trabalho de sair de casa, encarar fila na agência e gastar dinheiro só para fazer um agrado. Sou extremamente grato à turma que me manda coisas, seja o que for. É uma baita demonstração de admiração pelo meu trabalho, e isso mexe muito comigo.

p.s.: O Gagá ganhou um sega saturn do Samuel Leite e fez até uma matéria sobre o acontecido. Você pode conferir aqui

M: Quantos e quais consoles vc já teve em sua vida inteira?
O: Vamos lá, em ordem: Odyssey, Atari, Game&Watch (tive uma meia dúzia deles), MSX, Master System, Super Nintendo, Saturn*, Playstation, Master System Super Compact* (ganhei de um amigo), Game Boy Advance*, Dreamcast, Dingoo*, Wii*, Nintendo DS*. Os com * são consoles que ainda tenho, sendo que no caso do Saturn eu vendi o meu na época, mas ganhei um outro dia do meu amigo Samuel Leite.
Desses aí, acho que o favorito foi o Dreamcast, adorava os jogos pirados que a Sega lançava para ele. A maior frustração é nunca ter tido um Mega Drive, meu console favorito. Tenho vontade de comprar um Mega Drive e colecionar cartuchos dele um dia.

 

M: O jogo que mais te marcou?
O: Essa é fácil: Pha
ntasy Star, o primeirão. Eu gosto de vários gêneros, mas acho que foram os RPGs que fizeram com que eu não perdesse o interesse por games, e Phantasy Star foi forte pra caramba. Pirei tentando descobrir todos os segredos, nunca tinha ficado tão envolvido com um jogo. Talvez eu tenho jogado RPGs melhores depois dele, mas o impacto foi tão forte que sempre encaro a sensação de descoberta que tenho com outros RPGs como “aquele sentimento de Phantasy Star”, virou referência para mim. E até hoje eu fico arrepiado quando entro em Baya Malay rumo ao castelo do Lassic, nos momentos finais do jogo, mesmo já tendo terminado trocentas vezes.

 

M: Uma pessoa do mundo dos games que vc admira?
O: Tem tanta gente nesse meio que eu admiro, é difícil escolher uma pessoa só. Como fã da Sega, eu admiro caras como Yu Suzuki e Yuji Naka; o primeiro, por ter criado arcades impossíveis para a época, ele tinha um objetivo em mente e dane-se se o caminho até lá não existia, ele inventava; o segundo, pela extrema habilidade como programador, botando a Alis para andar em labirintos 3D no Master System, o Sonic para correr no Mega Drive e o NiGHTS para dar todas aquelas piruetas doidas no Saturn. Tanto o Suzuki quanto o Naka criaram ou ajudaram a criar uma pilha de franquias sensacionais e terrivelmente criativas, não é gente que inventou três ou quatro jogos bacanas e “deitou na cama”.

 

M: Vc tem ou já teve vontade de trabalhar desenvolvendo games?
O: Já tive, mas desisti. Eu gosto muito de falar sobre jogos, mas não sei se me divertiria desenvolvendo um. Sei programar um pouco mas sou péssimo nisso; desenho mal pra diabo. Tive um teclado e não conseguia tocar nem o bifinho direito. O que eu ia fazer desenvolvendo jogos? ^_^ Talvez se fosse um lance mais de game design… mas tem que se dedicar para isso, não é fácil como muita gente acha que é, e eu não tenho tempo disponível para isso.
Eu me interesso bem mais em ganhar a vida ESCREVENDO sobre games. Aí sim, bem que eu queria ganhar um belo dindin todos os meses escrevendo para revistas. Mas eu manjo mesmo é de velharias, não poderia escrever para revistas modernas, e a Old!Gamer sai uma vez na vida e outra na morte, não dá para contar com esse dinheiro. Fora que estou bastante satisfeito com minha profissão de tradutor.

 

M: Trilha sonora preferida de um jogo?
O: Fácil também: a trilha do Ys III de Mega Drive. A de PC Engine é na guitarrinha e tal, é a coisa mais sensacional que já ouvi em termos de game music, mas a trilha do Mega é muito, muito charmosa. A adaptação do jogo foi feita pela Telenet Japan, que sempre caprichava nas músicas, e quem adaptou a trilha foi o Noriyuki Iwadade, que depois ficaria famoso pelas trilhas de Grandia e Lunar. Juro que tem música que soa melhor no Mega Drive do que no PC Engine, tipo o tema de Saria/Redmont, que é simplesmente a minha game music favorita EVER!

 

M: O que vc acha de adaptações de games para grandes produções hollywoodianas?

O: Acho todas umas belas porcarias ^_^ Não gostei de nenhum filme baseado em game, sob nenhum critério, e  olha que nem sou cricri de ficar apontando diferenças entre os jogos e os filmes: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Mas numa boa, os filmes são todos ou quase todos bem fraquinhos. Ah, outro dia vi o Prince of Persia e achei bacaninha, mas podia ser bem melhor.

 

 

M: Fala um jogo antigo que ainda não teve algum tipo de relançamento e que vc gostaria de ver nos
consoles atuais.

O: Boa pergunta… olha, eu sinto muita falta de Desert Strike, eu gostava pra caramba desse jogo e das sequências no Mega Drive. Acho  que já tem uns anos que não pinta nada da franquia, né? Tinha ação, estratégia, tensão, clima. É difícil um jogo acertar a mão desse jeito. Nem imagino como seria um Desert Strike num console moderno, mas é justamente por isso que não sou um game designer milionário ^_^

 

M: E um jogo atual que vc gostaria de ter visto num console antigo?
O: Uma vez vi uns sprites que um cara fez baseado nos modelos poligonais do Phantasy Star Online e achei sensacional. Queria muito que algum doido tentasse recriar o jogo com aquele esquema de missões e tudo, só que em 2D, com gráficos de Mega Drive. Ia ficar um barato.

 

M: O que acha do Project Cafe até agora?
O: Demorei tanto para responder que a Nintendo até já revelou tudo :P
Não surpreendeu tanto quanto a gente esperava, mas acho que a Nintendo jogou certo. Quando ela lançou o Wii, lançou um treco para o qual ninguém conseguiria fazer jogos, só ela. Agora ela optou por um videogame que pode agir de forma mais tradicional se a desenvolvedora do jogo preferir, e o recurso da tela no controle também acaba sendo interessante para a maioria das desenvolvedoras, por ser algo menos “mirabolante” e mais útil, de fácil aplicação real.
Se a Nintendo conseguir mesmo atrair as third-parties (e não vejo motivo para que isso não aconteça), eu acho que vai dar muito certo, e que no mínimo vá fazer tanto sucesso quanto o Wii. Talvez a empresa não conquiste um grande número de usuários de PS3 e X360, que provavelmente vão continuar satisfeitos com seus consoles, mas pelo menos não deve ter tanta gente que goste da Nintendo largando o console após um tempo por falta de lançamentos e coisas do gênero.

 

M: Como é a vida do Gagá quando ele não está com seus jogos?
O: … quando eu não jogo? Eu durmo ^_^
Bom, eu passeio no zoológico com a esposa, vejo TV com a esposa, vou ao shopping com a esposa… enfim, eu sou completamente apaixonado pela minha esposa, e qualquer chance de fazer qualquer coisa com ela me interessa. Você sabe que ela faz artesanato; estou combinando de fazer uma aula junto com ela só de farra, para tentar fazer uma caixa bonita como aquelas que ela faz. Ela, obviamente, vai rolar de rir, porque vai ser um desastre com certeza, he he…
Eu sou um cara que tem paixões predominantemente solitárias: gosto de ler livros, de ouvir música com fone (prestando atenção), de escrever… sem falar no videogame, que também é um passatempo solitário. Eu tenho uma tendência muito forte a me isolar por horas nos meus passatempos, e na verdade gosto quando a minha esposa me “atrapalha” e diz “levanta a bunda daí, vamos dar uma volta no quarteirão, tomar um sorvete, ver as pessoas passeando com os cachorrinhos na rua”, rs… eu sou muito apaixonado por um bocado de coisas, e ela impede que eu vire um louco perigoso e solitário. Ela tem um grande senso de humor, é uma pessoa muito divertida, e quando estou com ela, estou sempre rindo e feliz. Não dá para querer muito mais do que isso da vida.

 

M: E quais as bandas vc curte?
O: Ih, um montão… entre as bandas favoritas, REM, Cardigans, Radiohead, Nirvana, Iron Maiden, Metric, Portishead, Elastica, Strokes. Cantores: Tom Waits, Lyle Lovett, Michael Stipe. Cantoras: Bjork, PJ Harvey, Tori Amos, Fiona Apple, Sheryl Crow (até o terceiro disco) e umas três ou quatro músicas do primeiro disco da Duffy. Ah, e tem a Vanessa Mae, que não é cantora mas arrepia no violino. Nada de nacional, né, que feio! Coloca aí: Los Hermanos e Penélope (ótima banda, pouco apreciada).

 

 

 

M: E filmes?
O: Eu costumo gostar de filmes que sejam divertidos mas que tenham conteúdo, que sejam profundos sem ser chatos. Dentre os favoritos, Beleza Americana, Pequena Miss Sunshine, O Mundo de Andy e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Este último me tocou demais, e acho que não tenho coragem de assistir novamente. É um grande filme.
E você não perguntou, mas eu sou falador e vou listar os livros favoritos também :P Alice no País das Maravilhas (tenho quatro edições diferentes aqui em casa), The Dead (conto do James Joyce), O Estrangeiro (Albert Camus). Mas o favorito mesmo é To The Lighthouse (Virginia Woolf), livrinho de explodir a cabeça. É outro que mexeu pra caramba comigo, e estou reunindo forças para ler outra vez no futuro. Sabe quando você fecha um livro e tem a sensação de que nunca mais vai olhar a vida do mesmo jeito? Não foi à toa que a Virginia Woolf encheu os bolsos de pedra e se jogou num rio, uma mulher com uma sensibilidade dessas não tinha como aguentar o peso do mundo mesmo.

 

M: Curte histórias em quadrinho?
O: De modo geral sim, mas acho que o nível caiu muito, ao menos no lado dos super-heróis. Adorava histórias dos X-Men, colecionava revistas e tudo. Mas aí o Chris Claremont deixou o roteiro e virou uma zona, parei de ler quase que imediatamente. Não tenho mais o hábito de ler HQs, mas gosto de ler até bula de remédio, então uma revistinha é sempre bem-vinda.

 

M: Acompanha alguma série de tv?
O: House, e só. Vejo outras ocasionalmente, tipo Big Bang Theory, mas não tenho nenhuma disciplina com horário, não consigo acompanhar programas. A exceção é o House mesmo porque eu curto MUITO, acho genial. Além da óbvia inspiração em Sherlock Holmes (sou fã dos livros desde moleque), eu gosto do fato do personagem do House ser tão repulsivo e detestável, porque quando ele transparece um pinguinho de humanidade aquilo tem o impacto de um elefante despencando em uma piscina.

 

 

 

13 comments

  1. Valeu, turma, fico feliz que tenham curtido a entrevista. Eu adoro quando tenha a oportunidade de falar as minhas besteiras nos blogs dos outros :P

    “Obs.: achei um barato ter rolado um momento Mary Popins ali em cima.”

    Supercalifragilisticexpialidocious! ^_^

    1. Eu gostei de entrvistá-lo Gagá. O q é engraçado é q eu pelo menos,só via vc como um cara q gostava de jogos e nada mais. Mas não, vc tem outros tipos de gostos, como todos nós (capitã óbvia).

  2. Gagá adorei sua opinião sobre tecnologia e games,ás vezes muitos recursos escravizam nossa criatividade mesmo!
    Cara você gosta de House? Eu amo House “everybody lies” hah ha ha hasério eu curto muito mesmo!!!

  3. Muito boa a entrevista. Uma coisa que você faz muito bem e que eu admiro muito é escrever de um jeito leve e engraçado mas repleto de conteúdo. Quando conheci o gagagames eu li o blog inteirinho, desde o primeiro post. Foi algo esplêndido, graças aos seus textos sinto como se tivesse jogado muitos games que nem tinha ouvido falar :]

    Se eu pudesse fazer só uma recomendação seria: assista a série Sherlock da BBC, que saiu em 2010. Pra quem conhece algo do detetive e gosta de House é incrível, são só três episódios mas com de um nível altíssimo :D

  4. Como sempre, só cheguei agora, né?

    Incrível como sempre tem mais uma coisinha legal para saber sobre o Gagá. Execelente entrevista, acho que até ouvi a voz dele lendo as palavra, muito boa.

    Compactuei demais com isso aqui: ” eu quero bonequinhos fofinhos, tramas absurdas e mecânicas esquisitas e criativas nos meus jogos. De realismo, para mim, já basta a minha conta de telefone.”

    E nem foi pela visão gay, é que traduz exatamente o que sinto pelo jogos antigos em relação aos novos. Acho que o princípio de minha repulsa de playstation.

    Arrasô!

  5. Muito boa a entrevisto do Gagá, muito boa a parte do Beleza Americana(Genial), Pequena Miss Sunshine(filme bom demais) e o gosto musical excelente também destaque ali para Los Hermanos é claro.

  6. Excelente entrevista MESMO! Muito legal, adoro o GagaGames. O Orakio é esse que tá lendo a Old Gamer?

    P.S.: Claro que a esposa dele ia amar Mario World. É impossível desgostar dele.

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