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Krajahr Orkinish – Capítulo I (Parte 2 de 2)

Capítulo I

Migração

Parte 2 de 2

Ao ouvir aquela gritaria, Inaraki-sh-ha chamou Bokábara, apontou para a confusão e fez um sinal com um punho. O jovem orc olhou para a fonte da confusão, olhou para o ancião, de novo para os brigões e mostrou o machado à Inaraki-sh-ha. Esse, assustado, fez um simples não com cabeça: sinal de que o machado não era uma boa idéia. Colocando o machado na sacola que trazia nas costas, Bokábara saiu correndo e berrando em direção a confusão.

– Eu disse que não foi, não é possível! Isso é muita idiotice!

– Idiota! Aposto que nem estava olhando.

– Calem a boca! O velho mandou estacionar no outro lado! Vocês são surdos?

Bokábara então partiu pra cima dos três, com uma expressão assassina nos olhos, a boca escancarada, a terra se levantando por onde ele passava. Não houve muito tempo para reagir. Após o esmagador choque, foi um comum momento fraternal orc: num momento se está discutindo e brigando com muita afinidade com alguns companheiros; logo em seguida, vem alguém para acabar violentamente com a brincadeira.

Inaraki-sh-ha olhava curioso a cena. Quando as vozes cessaram, uma a uma, e havia somente um barulho oco de tempos em tempos, o ancião gritou:

– Bokábara! – Os estampidos continuavam. – Pare de acertar a cabeça deles e venha aqui! – Os sons cessaram. – Apenas traga o Krane!

O orc pegou Krane pelo braço e o arrastou até a pedra. Inaraki-sh-ha os aguardava impacientemente com Kramov. Por fim disse:

– Muito bem. Bokábara, chame todos para ouvirem meu discurso. Krane, vá cuidar desse olho inchado e… tem um corte na sua testa. Limpe isso e depois leve sua carroça pra junto das outras; e Kramov, me ajude a subir naquela pedra.

– Sim, senhor. – falou Bokábara.

– Certo (Kishnamantoc…). – disse Krane.

– O que? Subir na pedra? Precisariamos de uma catapulta pra te mandar lá!

Bokábara e Krane se afastaram rapidamente, não queriam ficar pra discussão.

– E como sugere que eu faça um discurso sem estar em local visível a todos?

– Que tal ficar em cima de uma caixa?

– Isso lá parece coisa de chefe?

– E se for uma caixa grande? Do tamanho da pedra!

– Por que uma caixa grande do tamanho da pedra se já temos uma pedra do tamanho da pedra?

Kramov abriu a boca mas não saiu nenhum som. Ficou confuso com a pergunta.

– Apenas me ajude a subir em cima da maldita pedra!

– Sim, senhor.

Ambos caminharam para o lado mais baixo da rocha. Inaraki-sh-ha fez sinal para que o orc se abaixasse na lateral do monolito. O ancião subiu nos ombros de Kramov como se fosse um elevador. Porém, enquanto estava se levantando, o orc jovem viu, na grama, um estranho brilho. Ao se inclinar, Inaraki-sh-ha perdeu o equilibrio e despencou como um abacate velho, de cabeça no chão.

– Maldito idiota! O que está fazendo? Eu não tenho mais idade para cair!

– Olha, achei uma pedra que brilha!

– Maldita pedra! Não me jogue no chão como uma “niac” por uma estúpida pedra! Me ajude a levantar.

Kramov obedeceu.

– É melhor me trazer uma caixa grande. Deve ser mais fácil.

A tribo começou a se juntar ao redor da pedra quando o orc trouxe a caixa. Não era uma caixa grande, tinha apenas uns dois palmos de altura. Logo foi deixada perto da pedra, a frente de Inaraki-sh-ha. O ancião fez um sinal para que Kramov se afastasse e subiu na caixa, deu uma solene e orgulhosa olhada nos rostos verdes a sua frente, o encarando, e encheu o peito. Disse:

– Amigos orcs, estamos aqui reunidos para celebrar a união de nossa tribo e essa área gramada próxima a esta pedra e aquela floresta ali atrás. Como todos sabem, eu tive um sonho a algumas noites…

– Esse é o sonho que você me falou aquele dia, certo? – interrompeu um orc com uma roupa felpuda de pele de urso.

-Não, não… – disse Inaraki-sh-ha rapidamente.

– Aquele que tinha as jovens mulheres…

– Pare, NÃO!

– E no final…

– Calado! Fique quieto, Arhkir! Esqueça esse sonho!

O orc ficou um tanto embaraçado e se calou.

– Como eu dizia, eu tive um sonho de um local onde nossa aldeia estaria livre…

– Psiu, Arhkir, como terminava o sonho? – perguntou alguem atrás do orc.

– Já mandei esquecer o sonho! – gritou Inaraki-sh-ha.

Krane, com uma faixa na cabeça, perguntou:

– Qual sonho? O do local de liberdade e tal?

– Não esse, o das jovens mulheres…

Bokábara apareceu do outro lado da pedra indagando:

– Jovens mulheres? Onde?

O ancião levou um susto e quase se desequilibrou em cima da caixa.

– O que diabos você estava fazendo atrás da pedra, idiota? – Perguntou Inaraki-sh-ha.

– Checando o perímetro, senhor.

– E para quê?

– Segurança, senhor. Tem jovens mulheres aqui? De outra aldeia? Já faz um tempo que não arranjo uma namorada.

Alguem do meio da multidão gritou:

– Se não tivesse essa cara de abóbora já tinha até casado.

– Quem disse isso? Apresente-se! –  berrou Bokábara com o rosto vermelho de raiva.

Inaraki-sh-ha colocou o rosto entre as mãos.

– Krane! Eu vou te bater de novo, seu humano! – e começou a correr atrás do companheiro que, antes na frente, agora sumia na multidão.

Novamente, uma vozinha baixa perto de Arhkir, perfeitamente audível, surgiu entre os gritos dos brigões:

– Psiu, e o sonho proibido? – A resposta veio em voz alta.

– Ah! Vou te falar, mas o Inaraki-sh-ha pediu pra não contar a ninguem. Você sabe guardar segredo, certo?

O ancião tentou interromper os companheiros:

– Amigos, lembrem-se essa é a terra onde vamos plantar, colher e caçar. Tenho planos para uma rota comercial passando pelas montanhas de calcário que vimos no caminho pra cá…

Mas a confusão era geral. Bokábara e Krane acabaram envolvendo muitos outros na briga. Ainda, os dois carroceiros que discutiam mais cedo resolveram aproveitar a hora para terminar o embate inacabado.

Em alguns minutos, muitos orcs desmaiados estavam no chão. Inaraki-sh-ha havia se sentado na caixa e olhava tristemente os ultimos combatentes. As mulheres e crianças que se afastaram começaram a se aproximar para levantar os maridos e parentes, acordando-os.

Bokábara, único macho de pé, com um olho roxo e sem o capacete, olhou em volta os companheiros se erguendo. Viu que o ancião estava sentado na caixa e olhava impaciente. Disse:

– Senhor, agora que resolvemos nossas diferenças, você pode voltar a contar sobre o seu sonho das belas muheres de calcário proibido que plantaríamos ao redor da pedra.

Inaraki-sh-ha apenas escondeu o rosto entre as mãos. Se alguem se aproximasse dele, poderia ouvir baixos grunhidos em linguagem bem vulgar.

Notas de Tradução:

Kishnamantoc – Ai.

Niac – Fruta velha e já passada da validade que cai no chão e faz “plooft”.

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