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Krajahr Orkinish – Capítulo II (Parte 1 de 2)

Capítulo II

No Palácio do Norte

Parte 1 de 2

Contam lendas que houve um grande reino no gélido norte. Diziam que uma grande cidade cresceu, regada a riquezas vindas de todos os lados do planeta, na região de Kirilinemantolei. Uma cidade poderosa que cresceu graças ao comércio de cristais: Krimmneitir. Esta desenvolveu um processo que podia transformar o minério dos cristais em translúcido ou opaco. Logo, faziam tudo com cristais: de utensílios domésticos até as paredes . Embora sua localização seja hoje incerta e seu fim misterioso, algumas tribos vivem na tundra, e vez ou outra se defrontam com vestígios de Krimmneitir. Uma dessas tribos, a tribo do “Orso Pular”, ainda guarda a lenda de Krimmneitir que é contada de tempos em tempos pelos mais velhos.

Era noite na tribo e a nevasca murmurava. Na maioria dos iglus haviam luzes fracas saindo por algumas janelas. Um dos maiores iglus ficava colado a montanha do lado direito do vale. Antigo e fruto de gerações de trabalho da família, a moradia mergulhava na terra onde quartos e salas foram escavados. Um trabalho de escavação muito singelo se comparado ao que algumas companhias de anões poderiam fazer a preços promocionais.

Sentada no chão, uma garotinha orc, de pele azul claro, conversava:

– Vovó! Por que nossa tribo se chama “Orso Pular”? – perguntou.

A avó não respondeu.

– Vovó? Vovó?

A velha, sentada numa poltrona de pele de urso e com um casaco felpudo, tinha a cabeça coberta por um capuz e encarava o chão.

– Vó? Acorda, vó. Já é de manhã.

– O quê? – bocejou a orc – Amanheceu?

– Não, estou brincando. A senhora dormiu de novo quando estava falando comigo.

– Dormi? Nem percebi. Sonhei que estavamos conversando.

– A senhora está ficando doida?

A matriarca fechou um olho e encarou a menina com o outro. Disse firmemente:

– Eu não estou ficando doida! Doida é a sua avó!

– Mas a senhora é minha avó.

– Bem… Acho que você tem razão. – falou lentamente. – Que tal “Doida é sua outra avó”?

A garota levantou os ombros como quem não se importava e repetiu a pergunta:

– Por que nossa tribo se chama “Orso Pular”?

– Eu já te contei essa história antes?

– Já. Estou só perguntando a toa… Claro que não!

A velha fechou um olho e se aproximou da neta, encarando com o outro.

– Mais respeito com a sua avó, mocinha! – recuou o rosto e abriu um sorriso maternal. – Nossa tribo é uma das tribos que vieram de Krimmneitir quando a cidade entrou em ruínas por motivos misteriosos. O nosso líder na época era o temível Krak, chamado tambem de Krakum, o flatulento. Houve uma vez…

– Vovó, me fala sobre o nome. Não quero saber de gases.

A avó se aproximou do rosto da garota e a encarou com um olho novamente.

– Criança apressada. – tornou a sorrir – Na época os líderes eram eleitos entre os filhos do líder da tribo, mas só o primogênito podia concorrer ao cargo. Assim, sempre havia um candidato apenas. Krak era o filho mais velho do líder, e por isso foi líder depois do pai. Quando ele foi registrar a tribo no cartório mais próximo, era pra ser a tribo “Urso Polar”, mas o escrivão era muito velho e não entendia nada muito bem. Então ficou “Orso Pular”.

– Entendi. – concluiu a criança, um pouco confusa.

A lareira crepitava. Surgiu então uma voz de outro cômodo:

– Mãe! Klun já chegou?

A matriarca virou para a neta e sussurrou:

– O que sua mãe perguntou?

– Perguntou se meu pai já voltou. – sussurrou de volta.

– Responda a ela pra mim.

– Mãe! Papai ainda está virando picolé!

A mãe apareceu, visivelmente preocupada. Tinha por volta dos trinta anos e usava um casaco de pelo branco com manchas cinzas, os cabelo claros e soltos escorriam pelos ombros até as costas. Levava uma lamparina à óleo. Klun trabalhava para o sindicato de mineração da tribo Orso Pular. Sempre que os técnicos achassem indicios de uma caverna, ele devia ir verificar se havia algum minério ou cristais para explorar.

– Filha, o que você quer dizer?

– Papai falou que queria ficar lá fora pra virar um picolé.

– Seu pai falou isso? Quando?

– Ele chegou agora a pouco, quando a vovó dormiu. Eu abri a porta e perguntei se ele queria entrar. Ele disse: “Não, quero ficar aqui e virar um picolé”. Então fechei a porta e vim conversar com a vovó.

Houve um momento de silêncio. Foi possível distinguir do crepitar do fogo umas batidas leves. A mãe correu em direção a porta que ficava em outro cômodo e a abriu de repente.

– Klun! O que está fazendo aí?

– Estou virando um picolé… – respondeu tremendo de frio. Mal conseguia mover a boca.

A esposa o puxou pra dentro, fechou a porta e o levou até perto do fogo.

– Obrigado, Eklem. – Klun tremia – Minhas juntas estão congeladas. Preciso de um cobertor.

– Papai! Já conseguiu virar um picolé?

O pai olhou para a filha. Como o rosto estava congelado, não pode fazer nenhuma expressão, mas falou pesadamente:

– Filha, quando papai falar que quer virar um picolé, é porque ele não quer virar um picolé. Nós já conversamos sobre sarcasmo. Eu até te contei a história da Lebre Sarcástica, lembra?

– Sim. Era uma vez uma lebre que vivia pulando. A raposa perguntou para ela: você está pulando? E a lebre respondeu: Não, estou tentando voar. A raposa disse: Você está fazendo isso errado…

– Sei, sei – interrompeu o pai – E o que acontece no final?

– A lebre pergunta: Você vai me devorar?  E a raposa diz: Não… Vou te soltar pra sermos bons amigos. Mas a raposa devora a lebre mesmo assim.

– E o que nós aprendemos com isso?

– Quem não entende sarcasmo morre. – Disse a garota com um sorriso – E raposas devoram lebres.

– Boa garota. Deixa o papai descansar agora, tudo bem?

A garota levantou e foi acordar a coitada da avó qua caíra no sono outra vez. Logo, Eklem aparece com o cobertor e se abaixa perto do marido.

– Como foi hoje? Conseguiu achar algo?

– Consegui, amanhã partimos pro local de exploração. Já avisei a diretoria do sindicato.

– Quem vai com você?

– Krin’dhul, um anão engenheiro de minas; um elfo, d’Mosd; e um geólogo, orc verde, Bocrat.

– E onde é essa mina?

– Nordeste. Partimos cedo, eu tenho que dormir. Estou melhor agora, vou pegar algo na despensa pra comer.

– Vou levar minha mãe até o quarto dela e colocar Nak-nara na cama. – disse Éklem. Virou-se para a filha – Querida, hora de dormir, deixe sua avó em paz!

– Menina insolente, devolva meu cobertor! – emendou a avó. […]

Continua…

Notas de Tradução

Kirilinemantolei – Água sólida ou Gelo

Krimmneitir – Cristal capaz de trazer muito dinheiro se vendido por preço superior ao custo (tradução literal).

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