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Krajahr Orkinish – Capítulo II (Parte 2 de 2)

Capítulo II

No Palácio do Norte

Parte 2 de 2

No dia seguinte, Klun foi ao sindicato encontrar os outros. Krin’dhul foi o último a chegar. Exceto pelo elfo, todos traziam grandes machados de guerra.

– Estamos todos aqui – disse Klun – Estão levando tudo que precisam?

– Sim. Trouxe cerveja pra todo mundo – falou Bocrat.

– Você não vai levar nenhuma arma? – perguntou Klun ao elfo.

– Sim, tenho um faca retrátil.

O elfo puxou uma lâmina de um toquinho de madeira. Os orcs olharam curiosos.

– E o que uma faquinha dessas faria se você encontrasse um urso grande? – perguntou Bocrat.

Krin’dhul se afastou do grupo e começou a juntar a neve.

– Espetaria os olhos dele, depois cortaria algumas artérias. E… – puxou mais uma aba de metal do cabo, mostrando um garfo de dois dentes do lado oposto a lâmina – comeria carne de urso.

– E se fosse um peixe? – emendou Bocrat.

– O que VOCÊ faria com esse machado de guerra contra um peixe?

– Cortaria em pedaços, insultaria os ancestrais e esmagaria os restos dele! – falou Bocrat.

– Então você ficaria com fome – disse solenemente o elfo.

– Isso faz sentido – falou Klun – O que acha, Krin’dhul?

A essa altura, o engenheiro já estava fazendo a cabeça de um boneco de neve. Terminou colocando dois pedaços de carvão para os olhos e pegou uma cenoura para o nariz. Coçou a barba e disse:

– Acho que devemos largar logo esses peixes e ir trabalhar.

– Por que você montou um boneco de neve agora? – perguntou Bocrat.

O anão levantou os ombros como se não soubesse. Krin’dhul montava bonecos de neve sempre que não tinha nada pra fazer. Os outros ficavam intrigados com isso. Diziam que, enquanto aguardava a noiva no casamento, ele começou a montar um boneco de neve. O mesmo ocorria durante o trabalho. Era comum que, no final do expediente, o engenheiro já tivesse montado cinco ou seis bonecos de neve sem motivo algum.

– Vamos. – ordenou Klun – O chefe do sindicato disse que temos de dar uma resposta hoje sobre a situação do lugar: se pode se tornar uma mina nova.

Montaram nos lobos. Animais grandes e resistentes, treinados para grandes viagens na tundra. Depois de um tempo viajando, puderam ver no horizonte uma montanha coberta de neve com uma caverna próxima da base. Somente Klun havia estado ali antes. Pararam em frente a caverna, desmontaram e avançaram levando os lobos pelas rédeas.

– Uma vez por semana enviavam uma patrulha pra essa região. Da última vez, a patrulha descobriu essa entrada. Suspeitam que apareceu por conta de uma avalanche, terremoto ou coisa assim. Isso explicaria porque a caverna não está no nível do chão e tem tantas pedras aqui – disse Klun.

– Você já entrou na caverna? – perguntou Bocrat.

– Sim. – respondeu.

– E viu algo lá dentro?

– Não, eu entrei com os olhos fechados. Claro que vi algo! Tinha cristal nas paredes. Krin’dhul, pare de montar esse boneco de neve!

Amarraram os lobos em saliências nas rochas da entrada e caminharam para a caverna. Haviam vários pedaços de cristal nas paredes. Bocrat pegou um pedaço, soprou e mordeu. Os outros o observaram. Então procurou outro pedaço maior. Parecia um tijolo.

– Eu acho – começou o geólogo – que é cristal azul tipo 2, lapidado a mão, tem 120 anos e foi feito para ser translúcido.

Klun ficou espantado. Perguntou:

– Como tem certeza disso?

– Bem, é azul tipo 2 porque eu tenho esse papelzinho aqui com as cores para comparar, foi lapidado a mão porque tem muitos lados planos (isso não seria natural), e tem 120 anos porque tem a data aqui. É translúcido porque… dá pra ver alguma coisa atraves dele. Tem até uma frase.

– Uma frase? – indagaram os demais.

– Sim. Feito em Krimmneitir. Todos os direitos reservados. Patente pendente.

– Um cristal de Krimmneitir aqui? Liguem as lamparinas vamos ver mais fundo. Krin’dhul, pare de fazer esse boneco de neve! – disse Klun.

Avançaram até descobrir um imenso salão revestido de cristal. A luz não era forte o suficiente para verem o teto pois este era muito alto. Ouviram um barulho, pedrinhas caindo. O elfo se apertou dentro do casaco. Continuaram cautelosamente até acharem uma porta. Bocrat a empurrou com o ombro, fazendo cair neve e algumas pedras pequenas que se soltaram. Era uma sala não muito grande, haviam pedaços de madeira encostados na parede.

– Parecem móveis velhos. – disse o anão.

– Será que achamos Krimmneitir? – perguntou o elfo.

– Se for mesmo a cidade, deve haver toneladas de cristal aqui.

– Deve haver algo que possa identificar se é ou não a cidade da lenda. – falou Klun – Talvez uma placa ou coisa assim.

Bocrat ia logo atrás de Klun. De repente parou e caminhou para uma porta na lateral do cômodo. Foi fácil abrir: bastou levantar o machado que a porta se abriu. Nem foi preciso golpeá-la, ela cedeu de maneira inexplicável, caindo pra trás. O orc ficou confuso.

– Não me lembro de saber golpear a distância…

Entraram. À luz fraca das lamparinas, vislumbraram uma estante de livros. Era um tipo de escritório. Em uma mesa muito antiga, por sobre um tapete de pele carcomida, estavam inúmeros papéis. O elfo e Klun apanharam algumas folhas e pergaminhos e começaram a ler enquanto Bocrat e o anão continuaram vasculhando o que havia na sala.

– Aqui tem uma data, de anos atrás. Assinada por… Krohrven. Parecem páginas de um diário. – disse o elfo – Segundo esses documentos, aqui não é Krimmneitir, mas sim a fortaleza do barão Sergek, da nobre família Servek de Krimmneitir.

– Krin’Dhul! – gritou Bocrat, lendo os titulos dos livros na estante – Tem um livro sobre Como Montar Bonecos de Neve.

– Deixa eu ver isso! – falou o anão, puxando o livro da mão de Bocrat.

– De toda forma – começou Klun -, essa fortaleza foi construída usando cristal de Krimmneitir. Deve haver mais cristal nem que seja pra pilhar. Já podemos voltar e avisar o sindicato de que aqui parece seguro. Esperem, onde está o engenheiro?

Saíram da sala e começaram a procurar o anão. Ao chegar no salão de onde vieram, ouviram vários sons nas laterais. Do escuro apareceu um pequeno ortofe. Um animal simpático, do tamanho de um bezerro e que se alimentava de cogumelos. Tinha patas gordas e pequenas e era encontrado em cavernas onde seu alimento crescia. O animal avançou para os três que empunharam as armas. Foi uma luta épica. Durando apenas alguns segundos, tempo suficiente para o grupo ver que havia mais cem ortofes saindo de um buraco na parede. Correram da maneira tradicional que se corre de ortofes raivosos. Chegando lá fora, pararam a porta da caverna. Havia um monstro gigante, todo branco e com um nariz fino e minúsculo. O volume dos passos dos ortofes começou a aumentar. Desceram da caverna até a base da montanha e foram para trás do monstro branco.

Chegando lá, encontraram o anão.

– Então? O que acham do boneco de neve que eu fiz? Tive que voltar pra cá porque lá dentro não tinha neve suficiente.

– Você é maluco – disse Bocrat ofegante – O lugar está cheio de ortofes!

Krin’ dhul não se importou com o comentário. Apenas continuou:

– Estava no livro. Vejam, capítulo dois, “Como fazer um monstro gigante de neve para assustar seus amigos”. Ainda bem que nenhum de vocês tem coração fraco, aqui diz que já houveram mortes por causa do susto.

Klun olhava para a entrada da caverna, esperando os ortofes. Os lobos começaram a latir. Quando apareceram e olharam pro boneco de neve gigante, pararam. Temos aqui uma tradução da conversa dos ortofes:

– Estou vendo uma grande mancha branca. E você?

– Eu não tenho certeza.

– Espere, acho que tem asas… Minha nossa, é um pássaro gigante! Vamos voltar!

– Calma, ele não pode entrar aqui. E já espantamos aqueles bárbaros.

– É, imagina se descobrem a cidade.

– Eles não são civilizados o suficiente para lidarem conosco.

– Cambada! Manda voltar, manda voltar!

– Ai! Bati a cabeça na parede.

Para Klun, os ortofes estavam ganindo de medo, tentando fugir empurrando uns aos outros pra dentro da caverna. Para os animais, era uma forma caótica de voltar organizadamente pra onde eles estavam antes.

– Acho que eles ficaram com medo do seu boneco de neve, Krin’ Dhul.

– Eles são só animais, devem ter achado que fosse um animal maior. – disse o anão.

– Certo. Vamos voltar, temos que avisar o chefe.

Montaram nos lobos e voltaram, deixando o boneco de neve para trás. Ao chegarem, Klun foi avisar o sindicato. O orc narrou toda a história para o chefe.

– Vamos precisar tirar os ortofes de lá. Tem alguma idéia?

– Eu até tenho… – disse Klun – Mas acho que vamos precisar de mais um boneco de neve gigante.

Notas de Tradução

Kirilinemantolei – Água sólida ou Gelo

Krimmneitir – Cristal capaz de trazer muito dinheiro se vendido por preço superior ao custo (tradução literal).

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