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Feb 02

Papa-Léguas e Coyote

Uma das séries de maior sucesso da Warner, Papá-Léguas e Coyote começou como uma animação sem maiores pretenções. Em Fast and Furry-Ous, de 1949,  somos apresentados a um Coyote que quer capturar e devorar um Papa-Léguas incrivelmente rápido. A animação consiste de tentativas frustradas que se voltam contro o Coyote, sem uma progressão ou roteiro complexo. Os personagens nem ao menos falam. Mas apesar desta simplicidade – e provavelmente por causa dela – o desenho se tornou um sucesso assombroso. Foram produzidos 48 episódios, fora as diversas aparições dos personagens.

Os dois personagens foram criados por Chuck Jones, um famoso diretor de animação. Fast and Furry-Ous não foi criado para se tornar uma série, mas a boa recepção do público fez que com fossem produzidos vários episódios por ano. No livro “Chuck Amuck: The Life and Times Of An Animated Cartoonist” é dito que Chuck Jones e outros artistas por trás dos desenhos Road Runner estabeleceram 11 regras simples pra criação dos episódios, que livremente traduzidos ficam assim:

1 – O Papa-Léguas não pode machucar o Coyote, apenas fazer beep, beep.

2 – Nenhuma força exterior consegue machucar o Coyote – só sua própria inaptidão ou falha dos produtos da ACME. Trens e caminhões eram uma excessão que aparecia de tempos em tempos.

3 – O Coyote poderia parar a qualquer momento – SE ele não fosse fanático.

4 – Nenhum diálogo, exceto os “beep, beep” e os gritos de dor.

5 – Papa-Léguas tem que continuar na estrada, afinal ele é um Road Runner (nome da raça do pássaro, seguinifica corredor de estradas em inglês)

6 – Toda ação tem que ficar confinada no habit natural dos personages, os desertos do sudoeste dos Estado Unidos.

7 – Qualquer arma, ferramenta ou item mecânico tem que ser adquirido da ACME Corporation.

8 – Sempre que possível fazer da gravidade a maior inimiga do Coyote.

9 – O Coyote sempre fica mais humilhado que machucado por suas falhas.

10 – A audiência tem que simpatizar com o Coyote.

11 – O Coyote não pode capturar o Papa-Léguas

Os desenhos não tem começo nem fim. Em quase todos os episódios é possível pegar os pequenos clipes do Coyote se dando mal, que funcionam como histórias fechadas, e colocar em qualquer ordem sem perder o sentido.

Quando Chuck saiu da Warner a produção dos episódios não apenas continou – ela acelerarou. Eram produzidos mais episódios por ano, dirigidos por Rudy Larriva ou Robert McKimson. Até hoje são feitos novos curtas, inclusive com uma passagem muito bem sucedida do 2D para o 3D.

Na série de DVDs Looney Tunes Golden Collection é dito que o Coyote nunca desiste apenas porque suas armadilhas sempre quase funcionam. Ele sempre fica tão perto de seu objetivo. Essa determinação e excesso de confiança fazem dele um dos personagens mais carismáticos da Warner. Se em Frajola & Piu Piu o pássaro rouba a cena, o contrário acontece em Road Runner – é impossível não gostar do predador.

Nos primeiros episódios os cenários eram mais realistas. Mas conforme o tempo foi passando eles foram ficando cada vez mais abstratos, a ponto de se tornarem apenas formas geométricas e linhas curvas no fundo. O som também é minimalista, com poucos trechos mais musicais. Até os efeitos sonoros se repetem bastante e são basicamente o som de batidas, quedas, buzinas e explosões. Essa passagem de um realismo para algo mais abstrato e estilizado foi comum nos desenhos da Warner Bros, mas em Papa-Léguas e Coyote é algo ainda mais destacado

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Road Runner também popularizou a ACME. A empresa ficticia produz praticamente de tudo, mas os produtos tentem a falhar na hora que são mais necessários. A entrega, em compensação, é imediata. Basta fazer um pedido e esperar alguns segundos pro Coyote pegar a encomenda na caixa de correio. A empresa saiu dos desenhos animados e já foi usada nas mais diversas mídias, como filmes, séries e videogames.


Em 1979 foi feito um filme chamado The Bugs Bunny/Road Runner Movie, que na verdade é uma compilação de curtas antigos tendo como host o Pernalonga. Os personagens também tem uma breve aparição no genial Who Framed Roger Rabbit (Uma Cilada para Roger Rabbit), e fazem parte do time TuneSquad no filme Space Jam. Coyote também aparece no filme  Looney Tunes: Back to Action (Looney Tunes: De Volta à Ação) como empregado da ACME.

O modelo do Coyote foi usado para criar o personagem Ralph Wolf, que sempre tenta roubar ovelhas. Mas ao contrário do seu “parente” Coyote, Ralph não o faz por fome. Roubar ovelhas é apenas seu trabalho.  Ele bate cartão, tem horário de almoço e todos os rituais de um emprego em uma grande empresa. Idéias assim são prova da genialidade e originalidade da Warner. A maior diferença entre Wile E. Coyote e Ralph Wolf é o fucinho vermelho do coiote e preto do lobo.

Fora estes spin-offs os personagens apareceram em diversos comerciais. O Papa-léguas inclusive foi licenciado pelos correios brasileiros pra ser usado como símbolo do Sedex.

Seth McFarlane, criador de Family Guy, fez algumas homenagens aos desenhos, tanto em Family Guy quanto no Seth McFarlane’s Calvacanti of Comedy. É interessante pros fãs verem como que um dos maiores nomes da animação atual imagina momentos nunca mostrados na série, como o Coyote reclamando dos produtos na sede da empresa ACME ou finalmente matando o Papa-Léguas.

Os desenhos Road Runner e Coyote não conseguiram vencer a fama do coelho e pato mais famosos da Warner, mas estão no hall da fama de personagens animados mais conhecidos já feitos. A falta de dialogos e o humor simples são a garantia de que qualquer um, não importa e faixa etária ou nacionalidade, pode aproveitar tudo que o cartoon tem a oferecer.

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About the author

Heider Carlos

Sou um pouco mais complexo que uma biografia em um perfil online. Mas não muito.

1 comment

  1. juegodemoto

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