Quackshot

Quackshot – Starring Donald Duck

Cresci lendo hqs do Carl Barks. E assistindo ao desenho Duck Tales, inspirado nos roteiros do quadrinista. Havia um senso de aventura nas histórias irresistível para um garoto da minha época, e os personagens de Patópolis estão entre os mais carismáticos e bem desenvolvidos da Disney.

Em 1991 a Sega lançou o jogo Quackshot – Starring Donald Duck, que apresenta como protagonista um Pato Donald fortemente inspirado no Indiana Jones. O que é interessante por si só, já que o Indiana Jones foi criando inspirado pelas hqs do Carl Barks. Embora alguns defendam que Quackshot foi direto à fonte não dá pra negar que a roupa e muitas sequências são uma homenagem franca e direta ao arqueólogo mais famoso dos cinemas.

Explorar e se aventurar são as bases do jogo. Você já começa com liberdade para ir à cidade ou país que quiser. A primeira parte das fases se passa em localidades típicas do país, com o personagem tendo que se defender de capangas do Bafo de Onça. Já na segunda parte Donald tem que adentrar calabouços, pirâmides e similares. O senso de aventura é muito grande, principalmente por ser baseado em lugares reais mas exóticos. E conforme o jogador vai passando fases mais lugares vão ficando acessíveis no mapa-múndi.

A variedade de coisas a se fazer é boa para um jogo de plataforma, e o jogo não enjoa. As obrigatórias fases debaixo d’água e no gelo estão presentes, mas há partes onde se joga dependurado a pássaros, correndo em um carrinho numa mina subterrânea, fugindo de chamas, fazendo tirolesa e de outras maneiras. Os desafios também são criativos. Um é simplesmente um bloco que vai descendo e esmaga o jogador se ele não se lembrar de dicas dos amigos.

Há aparições especiais de vários personagens. Huguinho, Zezinho, Luisinho, Margarida e Tio Patinhas fazem participações na história ou durante o jogo. Muitas pessoas de outros países são velhos conhecidos da Disney, como exemplo temos Pateta e a Professor Pardal. Mas de jogável mesmo só o Donad. Ele encontra um livro na casa do Tio Patinhas com um mapa dentro, e sai a busca do tesouro do Rei Garuzia.

Donald não dá bundadas nos inimigos como seu amigo Mickey. Ele conta com uma arma capaz de disparar milho de pipoca, bolhas ou desentupidores de pia. Os desentupidores são ilimitados, nocauteiam os inimigos por um tempo e sofrem upgrades durante a aventura, ganhando mais utilidades. Os golpes com milhos eliminam inimigos permanentemente, mas são raros de achar. E as bolhas servem para destruir blocos e abrir passagens, além de derrotar um tipo específico de adversários.

Alguns efeitos sonoros e sprites foram usados em outros jogos da Disney da época, como Castle of Ilusion. Mas como são agradáveis a repetição não incomoda muito. O Donald correndo é muito feio e esquisito, uma animação mal-feita que não passa sensação de corrida necessária. Mas alguns detalhes são interessantes. Basta deixar o controle parado que o Donald faz uma cara de impaciência típica dele. Os backgrounds das fases são bonitos e bem-trabalhados, mas em geral há pouco ou nenhum movimento. Fica claro que os desenvolvedores não sabiam explorar ao máximo o console da Sega, e não se dedicaram de maneira igual a todas as partes do jogo.

Em algumas fases é necessário usar certo item para prosseguir, de um jeito que lembra os adventures point & clic. Felizmente não é necessário jogar as fases várias vezes: ao chegar numa parte em que um item que é conseguido em outra fase é exigido para prosseguir. Donald pode chamar o avião de seus sobrinhos e ir para o mapa mundi. E ao voltar para a fase ele estará no mesmo lugar. Como os continues são infinitos o jogo não se torna frustrante, mesmo tendo algumas fases difíceis.

A adição de puzzles e momentos para pensar traz um clima diferente para este jogo de plataforma. A grande variedade e a jogabilidade precisa o deixam no mesmo alto nível dos outros jogos da Disney para o console. Vale muito a pena conhecer este clássico.

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