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Quando as Bruxas Viajam – Terry Pratchett

Continuo na minha jornada de ler todos os livros do Discworld. Eles foram criados por Sir Terry Pratchett, que era o escritor que mais vendeu livros na Inglaterra antes de uma certa quase-mendiga inventar um certo bruxinho pré-adolescente. Discworld é um mundo feito por deuses com muita criatividade e pouco senso-prático. A série de comédia é muito gostosa de ler, com rítmo rápido e muito bem escrita. Os livros podem ser lidos sem nenhuma ordem, mas quanto mais se sabe sobre o cenário mais engraçado eles ficam.

“Quando as Bruxas Viajam” (Witches Abroad) é o décimo segundo livro da série. Conta a história de três bruxas – Margrete Alho, Tia Ogg e Vovó Cera-do-Tempo – que vão para o exterior. A tríade mitológica (velha, mãe e donzela) tem uma missão complicada pela frente: fazer com que uma serviçal não se case com um príncipe. É que Margrete se tornou uma fada madrinha meio que por acidente, e a serviçal é sua protegida. A garota não quer de maneira alguma se casar com o príncipe. Mas ela tem outra fada madrinha, que quer que as coisas aconteçam assim como na História, não se importando para a opinião dos envolvidos…

O respeito de Pratchett por culturas diferentes é grande. O modo como ele lida com o vodoo em Quando as Bruxas Viajam é um bom exemplo. Há uma parte sobre touradas que arranca muitas risadas, e é uma crítica voraz a rituais estúpidos que as pessoas fazem pra provar sua coragem. Feminismo, preconceito, liberdade e muitos outros temas são abordados. Sexo é presença constante na série, de maneira natural, implícito mas sem deixar dúvidas que está lá. Algo admirável para um livro que é vendido como infanto-juvenil.

 

Pratchett é genial. E não só pelo talento de explicar coisas complexas de maneiras simples. Ou por fazer paródias e críticas de modo totalmente inesperados. Eu não saberia dizer se Quando as Bruxas Viajam ou Direitos Iguais Rituais Iguais foi escrito antes. É como se cada livro fosse uma peça de lego, que juntos se encaixam e montam um mosaico que é Discworld. A visão que eu tenho da Vovó Cera-do-Tempo em um livro é enriquecida ao ler outro. Isso tudo em uma profusão de detalhes enorme, que Pratchett conduz sem deixar pontas soltas. E a linha do tempo dos livros acaba não sendo tão importante assim. Se você quiser seguir uma ordem cronológica específica, boa sorte:

Clique pra aumentar. Tá incompleto, mas já dá uma idéia da baderna.

A tradução da Conrad pelo que percebi é boa, como na maioria dos trabalhos que a editora realizou. A revisão também é competente. O livro também tem uma capa reforçada e papel de qualidade. E dá pra encontrá-lo baratinho. Eu comprei o meu por R$8,50 no submarino ^^ Quem quiser ler anotações do livro basta visitar este site.

2 comments

    1. São muitos livros, e acho que se eu ler em sequência vou ficar saturado. Mas nunca fico longe de Discworld, basicamente leio um livro diferente e depois volto ao mundo sobre os elefantes. Infelizmente nem todos foram traduzidos, daqui a pouco vou ter que me embrenhar pelos originais.

      Que bom que você gostou, volte sempre ^^

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