Rupert

Rupert and the Ice Castle (Commodore 64)

Rupert Bear é um personagem famoso na Inglaterra. Foi criado em 1920 (!) em uma história em quadrinho que rendeu vários produtos. Aqui no Brasil ele é mais conhecido pela série animada em 2D, uma parceria da Escócia, Canadá e França. Infelizmente é difícil encontrar os dvds a venda, e quando se acha são incompletos, pequenas partes de um todo – prática comum com produtos ingleses que me frusta bastante. A história do urso é interessante, e pretendo abordá-la com profundidade no futuro. Mas este post é sobre dois jogos bem velhinhos relacionados a série.

Eu mexi em um computador que usava fitas cassetes como meio de armazenamento quando criança. Tenho a impressão de que se tratava de um Commodore 64, mas não tenho certeza. Bateu uma curiosidade e resolvi emular. Não foi tão difícil quando alguns computadores antigos (cof. cof. Amiga), na verdade foi muito tranquilo. Resolvi testar um jogo do Rupert, só pra ver como era.

Rupert and the Ice Castle de 1986. Não tinha grandes esperanças, pra falar a verdade. Ambos são jogos de plataforma, e os computadores reinavam mesmo nos gêneros de RPG e estratégia. Super Mario Bros. é de 1985, mas foi um marco na história dos videogames e saiu pra um aparelho dedicado a jogos. Fora que o jogos tem menos de 51 KB! Que, a bem da verdade, deveriam demorar um bocado para carregar no driver de fita cassete…

O primeiro inimigo foram os controles. Como saber o que faz o que? O jeito foi testar tudo. No meu teclado você se move com L e Ç e pula com espaço. Já o segundo inimigo foi a engine. O jogo é estranho. Rupert mais desliza que anda. Os pulos não são muito precisos, e o próprio ato de pular é um pouco esquisito. A música só toca no início e quando você passa alguma tela. De resto são só os melancólicos efeitos sonoros.

O jogo acaba sendo divertido pela repetição. Acho que todos tivemos jogos que são tão repetitivos que dá para decorar padrões e passar boa parte deles no modo automático. O cérebro sabe exatamente o que fazer e quando fazer. Eu por exemplo jogo mais da metade de Flicky de Mega Drive sem ser acertado, pegando todos os bônus e no menor tempo possível. Este jogo desperta isso em mim. Por isso quando eu morro não desanimo. Eu volto a jogar, passo as primeiras fases em segundos, tento decorar padrões nas subsequentes e por aí vai. A dificuldade se torna um atrativo e tanto.

O visual é bonito. Bem colorido, os cenários não são confusos e os personagens são bem representados. E isso tudo caber em tão poucos kbytes é fabuloso. Devia ser um trabalho quase artesanal. Alocar pixel por pixel pra formar uma imagem… Ir lapidando o código pra ficar mais rápido… O background é composto de cinza ou preto chapado, com alguns poucos detalhes, mas isso até ajuda na ambientação do castelo e a identificar os elementos na tela.

A história é simples: a irmã malígna de Jack Frost congelou os amigos de Rupert, e este vai para o Ice Castle resgatá-los. Mas Jenny lotou seu castelo de armadilhas e inimigos, prontos para derrotar Rupert e congelá-lo também. É uma história bem simples, mas que combina com a simplicidade do jogo em si. Por incrível que pareça é até imersivo. As telas onde ocorrem a ação dão uma sensação de claustrofobia e os inimigos combinam bem com o tema.  O jogo é curtinho também, o que ajuda a não ser enjoativo.

Rupert and the Ice Castle me divertiu bastante. Se eu o tivesse conhecido quando criança certamente estaria entre os meus prediletos. É uma experiência destilada e frustrante (no bom sentido) do que os jogos de plataforma tem a oferecer. Tem suas falhas graves, mas o resultado final é simpático e viciante.

9 comments

  1. Que achado, Heider! Puxa, acho que nunca joguei um jogo de C64, um verdadeiro pecado. Até tenho packs de músicas SID dos jogos, hehe, mas jogar mesmo nele/emulando, nada. Adorei sua experiência, e putz, o jogo parece muito apetitoso, como você menciona.

    É curto a ponto de você ter terminado para o review?

    Poucas coisas em videogame são mais emocionantes do que uma escada dentro de um castelo, como o da foto que você colocou… o que será que tem ali?

    Ótimo post Heider! Empolgou a ponto de ter mais C64 por aqui? Abração!

    1. O jogo é curto a ponto de durar menos de 15 minutos depois que você pega o jeito. Mas parece durar mais, porque é ação do começo ao fim ^^

      O que me incentivou a jogar Commodore 64 foi VVVVVV. As músicas dele são ótimas. Vamos ver se acho algo tão bom assim nas minhas jogatinas. Eu tenho uma queda por computadores antigos. Deve ter mais textos sobre C64 aqui, e pelo menos umas revis de Amiga devem pintar por aqui assim que eu tiver outro dia de folga do trabalho. Afinal não tem graça gastar horas até aprender a emular a peste se você não puder falar sobre jogos ^^

      1. Juro que pensei “foi o VVVVVV que fez isso com Heider” rsrs!

        Ahahahah, morri com o “gastar horas pra emular e não poder falar sobre o jogo”. Pô, lá vou eu googlar por um emulador de C64 e por um pack de ROMs, alguma dica específica?

        1. Eu estou usando o WinVICE. É bem prático, porque dá pra colocar o jogo pra rodar direto, e poupa o trabalho de mexer com o OS.

          Eu talvez tenha emulado Commodore 64 antes, pra jogar The Hobbit. É um adventure de texto arcaico, não lembro exatamente qual versão eu joguei. Foi uma das experiências mais nerds da minha vida :D

  2. Muito legal o post, Heider. Do fundo do baú mesmo. Tudo isso (emular C64, achar a rom, jogar e terminar o jogo) em apenas um dia de folga do trabalho? Like a boss.

    1. Semana santa tá chegando, vou aproveitar a folga pra jogar mais coisas de computadores antigos. Isso se eu tiver tempo ^^ Valeu pela presença, Eric ^^

  3. Caramba, eu nunca tive desses computadores que carregavam em fitas cassete, mas eu lembro de ter visitado colegas na infância que tinham e eu achava tudo aquilo incrível, mas ao mesmo tempo bizarro. Era estranho ver as coisas carregando na tela aos poucos, cores surgindo, etc. Lembro que a primeira vez que vi, o jogo era o Zaxxon, mas não faço a menor idéia de qual “plataforma” se tratava. MSX tinha isso?
    Sobre o jogo, só o fato de usar L e Ç já é bem estranho. Mas esses jogos em que vc vai mais no reflexo do que no pensamento são divertidos as vezes, ainda mais se vc estiver cansado o suficiente pra ficar pensando demais (jornadas de trabalho longa causam isso).
    Preciso começar a emular esse tipo de plataforma, tô acostumado a ficar emulando só as mais conhecidas, dá nisso! Acabo deixando de conhecer muita coisa e ter umas experiências bem diferentes!
    Bem legal o post!

    1. Como to the underground side of the Force! We got weird games!

      Eu tenho uma certa experiência pra emular esses computadores antigos. Se precisar de ajuda é só dar um toque ^^

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