Shit My Dad Says

Sendo honesto: só comecei a assistir esta série porque o personagem principal é interpretado pelo Willian Shatner, o eterno Capitão Kirk de Star Trek.

A série é baseada em uma conta no twitter. Justin Halper criou uma conta no serviço pra postar frases que seu pai mal educado falava. O sucesso foi fulminante, e em pouco tempo a página já tinha mais de dois milhões de seguidores. No ano seguinte foi lançado um livro que ficou em 1º lugar na categoria não-ficção do New York Times e alguns meses depois a série de tv estreiou.

O primeiro episódio é bem fraco. Não é atoa que a série ganhou 28 em 100 no metacritcs. Ainda bem que foi melhorando a cada episódio. Talvez os personagens precisavam de mais tempo pra se desenvolver, ou os roteiristas ainda estavam testando o que podiam ou não podiam fazer. De qualquer forma os últimos episódios foram dignos dos arrasa-quarteirões como Two and a Half Men.

O personagem principal é Ed, um ex médico que atuou na Guerra do Vietnã, mal educado e extremamente sincero. Tem hábitos rígidos  e regrados, mas posições liberais sobre vários assuntos, mais explicitamente o homossexualismo. Henry é seu filho mais novo, que vem morar com o pai após perder o emprego de escritor freelancer por causa da crise.

Vince é o filho mais velho de Ed, um gigante bonachão e não muito inteligente. É casado com Bonnie, que adora tudo que envolve celebridades (em especial Jennifer Aniston) e  tende a acreditar nas pessoas. Por último há Tim, o dono-de-casa gay que trabalha para Ed desde que ele o fez perder o emprego.

A relação entre Ed e Henry é muito interessante. O primeiro é o ideal de homem antigo. Sobrevivente de uma guerra, é mulherengo, muitas vezes incoveniente e extremamente regrado e averso a novas tecnologias. Henry é educado, idealizador e refinado. O choque de gerações na relação pai e filho é metade da graça da série.

Mas não é só este relacionamento que mantém a série viva. Vince e Bonnie são um casal muito convincente, e Tim consegue ser um gay esteriotipado e não-esteriotipado ao mesmo tempo. Só assistindo pra entender.

Séries americanas costumam defender pontos de vista com unhas e dentes. Se o episódio fala sobre gays, religiões ou qualquer outro assunto mais polêmico é só reparar nos primeiros minutos que dá pra saber qual será o posicionamento durante o episódio. Shit My Dad Says não cai nesta armadilha. Não dá respostas fáceis. É comum que o ponto de vista defendido mude completamente de uma hora pra outra. A série prefere estimular o telespectador a pensar que pensar por ele.

O maior problema da produção provavelmente foi se adequar a horários. Até o Shit (Merda) do título foi censurado, se tornando beep. Se Ed pudesse falar mais besteiras a série certamente seria melhor. Mas ainda assim as piadas moderadas não caem no politicamente correto, e com o passar dos episódios vão ficando cada vez mais ousadas (e engraçadas).

Shit My Dad Says pode não ter terminado sua primeira temporada como uma série imperdível, um clássico instantâneo ou uma fonte inesgotável de risadas. É simplesmente razoável, rende alguns bons momentos e nada mais. Mas também não é uma perda de tempo. Tem carisma, conversa com públicos de todas as idades e não é pretenciosa. Com mais temporadas talvez conquiste mais fãs ou caia no esquecimento. Mas com certeza merece mais uma chance.

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