Simon

Simon The Sorcerer

Adventures Point ‘n Click praticamente desapareceram. Embora a Lucas Art tenha feito muito sucesso com vários jogos do estilo, hoje em dia quase não se encontra mais jogos assim.O DS trouxe alguns de ótima qualidade, e na Steam surgiram alguns indies aparentemente bons. Acredito que haja exclusivos para iPhone e derivados, mas fica só nisso, uma quantidade e destaque ínfimo comparado com o passado.

São jogos que tem ainda mais enfoque na história do que rpgs. Eles dão muito mais variedade que o padrão “história-griding-luta com chefão” dos roleplaying games (especialmente os japoneses). Inteligência, pensamento rápido e capacidade de improviso valem muito mais que uma espada afiada. E neles surgiram alguns das mais memoráveis aventuras dos jogos.

O gênero humor faz sucesso na tv e cinema, mas nunca teve grandes aceitação nos jogos. Há jogos com cenas engraçadas, mas os que se sustentam apenas na comédia são raros. Monkey Island é o mais famoso, mas Simon The Sorcerer não faz feio no estilo.

Simon The Sorcerer é um jogo lançado em 1993 que conta a história de um garoto que é transportado por um portal para um mundo mágico. Lá ele descobre que tem que salvar o mago Calypso das mãos do feiticeiro Sordid. Uma história bem comum, que usa de diversas paródias de histórias famosas (contos de fadas, Senhor dos Anéis, etc). E quanto maior o conhecimento do jogador sobre estas histórias mais divertido o jogo fica.

O humor da série é puramente britânico. É o tipo de humor que se encontra em séries como Discworld, Guia do Mochileiro das Galáxias e Monty Phyton: muitas situações absurdas. Ajudar um dragão gripado e passar por um boneco de neve malígno são só algumas das missões que o jogador terá que desempenhar para finalizar o jogo. Descobrir que a Rapunzel não é exatamente como nos contos de fadas e que alguns personagens de histórias consagradas se revoltam por perder sempre rende boas risadas. Situações assim não faltam.

Os diálogos são muito engraçados. E aí entra um problema: no computador o jogo pode ser jogado com dublado OU legendado. Não dá pra ter ambos. E o inglês britânico é complicado para quem não está acostumado. Além disso a música alta muitas vezes impede qualquer compreensão do que está sendo dito. Ainda bem que dá para pausar a música a qualquer momento com a tecla M. Quem optar por jogar legendado vai perder as hilárias interpretações dos personagens. Somente a versão do iPhone possui a opção de jogar dublado com legendas.

Não é possível morrer no jogo. Eu pelo menos não consegui, e fiz muita besteira. Mas é muito fácil ficar perdido. Nestas horas ou se procura a coruja sábia com suas dicas vagas ou se tenta de tudo com tudo. É fácil não notar um item necessário em alguma tela, e consequentemente não pegá-lo. Exploração é fundamental. Os puzzles são lógicos, embora muitas vezes exijam uma boa criatividade pra se perceber o que deve ser feito.

Embora alguns desafios precisem de ser competados após outros, muitos puzzles podem ser feitos simultaneamente. Então, ao quebrar a cabeça com algum, muitas vezes é melhor procurar outra coisa para fazer. Novos itens abrem novas opções de diálogos, o que por si só é interessante.

Há sempre a opção de se procurar um detonado na internet. Eu mesmo usei em várias partes. No meu caso, e com minha falta de tempo, era usar ou não terminar o jogo. Mas com isso se perde muita coisa: muitas das partes mais engraçadas acontecem com erros do jogador. E sabendo exatamente aonde ir e o que fazer o jogador não vai vivenciar estas situações.

Os personagens são muito engraçados e muito variados. Há um monstro do pântano que parece o Caco dos Muppets e te considera o melhor amigo, uma Rapunzel diferente, um troll que entra em greve, cupins baderneiros… Simon é um pouco sarcástico, mas acima de tudo é uma criança normal. O que dá um destaque maior as bizarrices dos outros personagens. Sendo assim não é raro gastar vários minutos explorando cada linha de conversa com os npcs.

Os gráficos são ótimos. Tudo é bem retratado, as animações são fluidas e variadas. Boa parte da aventura se passa numa floresta, e é impressionante como não há repetição de telas. As paisagens são muito bem feitas. Quase sempre há alguma movimentações, seja de animais passando, água correndo, folhas balançando, etc. Tudo é bem colorido e desenhado. É o típico jogo onde se fica perdido no começo, mas depois de pouco tempo já se sabe exatamente onde está cada coisa. Simon tem um mapa mágico que o teleporta, diminuindo a chatice de ter que passar pelos mesmos lugares diversas vezes quando se está perdido.

Simon the Sorcerer é compra obrigatória para fãs de adventures point ‘nd click. Embora seja mais desconhecido (especialmente por não ter sido produzido pela Lucas Arts) não deve em nada paraoutros jogos do gênero. E mesmo quem não gosta (ou conhece) o estilo deve dar uma chance ao humor maluco da série, especialmente os fãs de literatura fantástica.

5 comments

  1. Puxa, lembro desse jogo “passeando” pelo HD (algo em torno de 120 MB, rs) na época mas não joguei todo ou quase nada, uma pena. Lembrou um pouquinho o Legend of Kyrandia, mas que arte lindíssima – aquele velho deitado, putzzz…. não se vê isso com vetores nunca.

    E o mais legal nos adventures com humor, é que os puzzles têm soluções igualmente engraçadas – acho até que jogadores bem-humorados se dão melhor, terminam mais rápido. Bom humor é pré-requisito :)

    Valeu, ótimo review Heider, direto ao ponto. Deu água na boca pra jogar esse rapazinho, taí, se eu tivesse um iPhone era o pretexto ideal agora :)

  2. Valeu :D Mas a falta de iPhone não é desculpa. Compra ele no GOG (ou baixa no underground gamer a versão do GOG, hehehe) e manda bala. Dá pra emular até no DS!

    O jogo é muito engraçado. E certamente os jogadores mais malucos vão se dar melhor. Tem uma hora onde vc tem que convencer quatro magos (com chapéu pontudo e manto estrelado) a te ensinar a ser um mago. Eles falam que não são magos, que são fazendeiros, e vc tem que convence-los que vc sabe que eles são magos. Como fazer isso? Clicando na opção “Quando eu passo o mouse sobre vocês aparece escrito mago.” Eles resmungam algo tipo “É, não dá pra argumentar com isso,” e te passam a missão :D É muito sem noção, heheheheheheh.

  3. ÓTIMO jogo! :-)

    Meus adventures preferidos da LucasArts são o Full Throttle e Sam & Max.

    A nova safra de adventures não me deixou tão feliz quanto antigamente, mas o Hotel Dusk do DS pode ser citado como um dos bons da atual geração.

  4. Eu uma vez achei um Torrent cheio de jogos Click’n’Point, mas não animei a baixar não, empolguei porque dava para emular esses jogos no Dingoo, mas joguei somente o Full Throtle, tem que saber quais são realmente bons… No DS eu ainda não achei nenhum legal, tem muita coisa nesses jogos sem pé e nem cabeça…

    De toda forma, bacana sem post, trouxe um jogo que eu não conhecia…

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *