Star Trek

Star Trek – Into Darkness (2013)

Antes de tudo acho melhor explicar meu conhecimento sobre Star Trek:: amo a série clássica. Vi os episódios, tenho os dvds originais, sou fanzaço mesmo. Ainda não vi todos os filmes originais. E não vi o primeiro filme do J. J. Abrams. Nem foi por preconceito, só não tive vontade de ver mesmo. Já li alguns comentários a respeito, e a recepção parece ter sido bem variada. Uns amam, outros odeiam. O que é normal pra mim. A própria franquia Star Trek tem esta recepção variada, até dentro dos grupos nerds.

Agora já o Into Darkness eu estava morrendo de vontade de ver. O motivo na verdade não tem nada a ver com a série de ficção americana, mas com uma série de detetive britânica. Sherlock (da BBC, nada de Elementary ou qualquer outra variação) é maravilhosa, e os dois atores principais são tão bons que fiquei com vontade de acompanhar tudo que eles fazem. Crise de abstinência da terceira temporada da série, que não sai nunca :) Assim, ao descobrir que o Benedict Cumberbatch seria o vilão principal de novo Star Trek, eu tinha que assistir. De qualquer maneira. Ainda mais após descobrir que ele seria o mais lembrado de todos, Khan.

Depois eu descobri que ele não era o Khan. Depois descobri de novo que ele era o Khan. E depois que não era… O departamento de marketing da Paramount é uma merda, liberava informações e depois se desmentia em seguida. Idiota tentar manter segredo sobre algo que todo mundo sabia desde o primeiro trailer. Ele é o Khan. Se você curte Star Trek já sabia, se você não conhece a franquia a identidade dele não importava. Um Khan atualizado, mas ainda assim o Khan.

Esta foto está aqui pelo mesmo motivo em que a cena que aparece está no filme...
Esta foto está aqui pelo mesmo motivo desta cena no filme…

Ah, a Paramount criou trailers com montagens de cenas que dão a entender coisas que não acontecem no filme. Já vou dizendo que Star Trek Into Darkness é bom. Mas não é o filme que o trailer vendeu. O que é estranho. Eu me senti enganado e ainda assim recompensado. De qualquer forma aí está o melhor trailer:

http://www.youtube.com/watch?v=mTHuV1UB3Ig

Como eu disse, assisti este Star Trek sem ter visto o anterior. Fora uma ou outra informação (explodiram Vulcano? Legal) tudo pode ser visto por quem conhece a tripulação tranquilamente. E é sobre a tripulação que eu quero falar:



KirkKirk: A cara de menino me assustou. Ele combina muito com a atuação do William Shatner. Cara-de-pau, mulherengo, arrogante e impulsivo. É convincente no papel de James Tiberius Kirk, mas não convincente como Capitão. Ele parece menos capaz para o cargo que praticamente todos os outros personagens. Culpo o roteiro, não o ator.




SpockSpock: Um acerto. E um crucial, aliás. O vulcano não é o personagem mais lembrado da franquia a toa. Acho o Spock do filme ainda mais lógico que o original. Ele namora a Uhura (!), o que vou comentar abaixo.






McCoyMcCoy: Eu adoro o doutor, e por isso fiquei meio chateado com o pequeno destaque dele. Na série original era o terceiro mais importante e com mais tempo na tela. Suas discussões com Spock eram memoráveis.






UhuraUhura: Em primeiro lugar é muito estranho ver uma oficial de comunicações distribuindo tiros em cenas de ação. E ela namora o Spock, o que é algo mais estranho ainda. Mas não sem um embasamento. Lembro de alguns episódios onde ela flertava com o vulcano, mesmo que pudesse ser entendido só como zoação. Gostei muito da atuação da atriz.




ScottScott: Eu adoro o ator original e o personagem. Aqui entra um pouco do fanboyzismo por ele o engenheiro da Enterprise (eu estudo Engenharia Civil, sei que tem pouco a ver com Engenharia Aeroespacial, mas me deixem ser feliz :P). O fato de que ele lutou na Segunda Guerra Mundial (e tomou 6 tiros e perdeu um dedo) é interessante, mas o que me cativou foi o modo que ele lidou com uma carta de suicídio que recebeu de uma fã . E sinceramente o Scott do novo filme é tão legal quanto o das antigas. O personagem foi bem explorado, com seu modo brincalhão e íntegro e sua paixão pela sua profissão e pela Enterprise.

SuluChekov

Sulu e Chekov: Eles aparecem pouco. São usados como substitutos para quando certos personagens precisam se afastar da Enterprise – e pra ser sincero, na série original era assim também. Bem, o Sulu como piloto da nave falava com frequencia que algo estava errado (praticamente todo episódio :)), mas o Chekov aparecia bem pouco mesmo. Talvez no filme anterior (ou num próximo) eles tenham mais destaque. Não posso nem dizer que senti falta, porque são muitos personagens para cobrir…


Star TrekKhan: Na série original eles davam a entender que ele era um experimento nazista. Ok, não exatamente nazista, mas este era o medo que queriam explorar. Em Into Darkess ele é um terrorista. Tempos diferentes, medos diferentes. A essência é parecida: um humanóide melhorado, mais inteligente, rápido, forte, resistente, mais tudo. E que usa suas habilidades para a conquista bélica. Muito bem interpretado pelo Benedict Cumberbatch, mas o ator não tem um físico tão imponente assim para causar medo.

O filme é cheio de ação. O que é bom, já que não entedia as platéias mais novas. Mas perde algo essencial da série clássica: a tensão. Praticamente toda raça de Star Trek é mais poderosa que os humanos. A quantidade de seres com quase onipotência (pelo menos em seu planeta) é grande também. Isto significa que em boa parte dos episódios a tripulação escapa por um fio, e há vários minutos com eles sem saberem se sobreviverão ou não (e quem assiste sentado na ponta da cadeira). A ação foi tão bem desenvolvida que não há muito tempo para gerar tensão.

Eu achei o 3D bem-feito. Talvez só porque é o segundo filme que vejo em 3D, mas alguns efeitos realmente me impressionaram. O problema é que o diretor J. J. Abrams coloca luzes estranhas em tudo. Não sei o porque desta tara dele, mas realmente me incomoda.

HH

A história é boa, embora tenha alguns furos. O ritmo é acelerado, e o filme não se perde em detalhes. O problema é que a cena com potencial para ser mais marcante chega a ser infantil. O Spock jovem pede ajuda da única criatura mais foda que ele – o Spock velho :) E a ajuda é meio que um “vai lá, você consegue”. Frustrante.

Os fãs de Star Trek vão pegar muitos trocadilhos, brincadeiras e inversões. Desde de o “Aye, Captain” quando Sulu vai para a sala de reparos até o “Sou um médico, não um técnico em torpedos”. Eles devem ter dado o roteiro para alguns fãs de Star Trek darem uma polida e encher de referências. O bom é que nada parece forçado. Ou pelo menos não mais forçado do que era na série original :)

Gostei muito de Star Trek Into Darkness. Não é tudo que vai agradar aos fãs mais chatos (eu mesmo tive vários pequenos probleminhas), mas fãs tem a tendência de serem chatos mesmo. Achar que a obra é deles. Como reimaginação o filme é ótimo. Mantém Star Trek vivo, faz uma nova geração procurar pelas obras originais e diverte qualquer um com a mente mais aberta. Não tem a mesma profundidade que alguns episódios tem, mas não é tão bobo quanto outros episódios. O mais importante para mim é o seguinte: o filme dificilmente será uma obra-prima para alguém, mas dificilmente será um desperdício de tempo. E sinceramente isto é uma conquista e tanto quando se pensa que a série tem os fãs mais diversificados possíveis, se mantendo relevante há mais de 50 anos.

star-trek-into-darkness-zoe-saldana-zachary-quinto

3 comments

  1. Pois é, eu ainda não me animei a ver este novo filme sobre “spockemotivo”, e, definitivamente, tudo que converge para que eu o veja tem esta mesma ligação com Sherlock!

    Sou fã de Star Treck, da série clássica, de rever e rever e editar as legendas para que “Magro” vire “Ossos”. De ter curtido Enterprise, e Voyager (com exceção do péssimo vulcano Tuvok a série é até atraente, apesar de ser belicosa). Gostei da Nova Geração e até vi alguns episódios de Deep Space. Bem como todos os filmes clássicos. Assim, quando saiu este novo filme eu fui naturalmente impelido a conferir. Bom, até que a ambientação não ficou ruim, até que é bem compreensível a mudança do cenário exploratório para o belicoso já que é guerra que vende, até que Kirk está até bem ambientado. Claro que Nimoy aparecendo é muito bacana apesar de ser marketing. Só que todo o resto é muito “meia boca”. E não tenho nenhum pudor em já considerar esta continuação uma “meia boca ainda mais meia”.

    Mas, tem lá o gatão do Cumberbatch né? Então vou acabar vendo algum momento.

    Agora, uma coisa que realmente me chama a atenção é que Star Trek (série clássica) foi filmada na década de sessenta e a maquiagem do Spock da década de sessenta, tanto para a orelha pontiaguda quanto para ambientá-lo amarelado, é muito melhor que a maquiagem de sua releitura cá no movo milênio!

    1. A gente tem que considerar a resolução. Nunca vi os blurays da série clássica, mas tenho a versão remasterizada e em alguns episódios as orelhas parecem bem borracha de máscara de criança comprada na China :P Este filme não tem a alma dos clássicos, mas cai perfeitamente em uma seção pipoca.

      Abraços :)

  2. Realmente este filme me deixou sem palavras, eu aconselho também assistirem a série clássica de “Jornada nas Estrelas”, o legal é que tudo que acontece é cientificamente possível, o que dá ainda mais asas à imaginação.

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