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Terremoto no Japão – parte 2

Sexta Feira, 18 de Março de 2011 – 14:46

 

O Japão faz 1 minuto de silêncio pelas vítimas do terremoto seguido de tsunami do último dia 11.

Uma semana após o desastre que atingiu o país nipônico o cenário é de uma desvastação inimaginável.

Agora que a poeira e água abaixaram pode-se realmente tentar começar a fazer algo. Procurar por entes queridos, resgatar corpos, limpar ruas, ajudar os desabrigados. Só assim para tentar tirar imagens tão brutais da mente.

Lugares antes tão paradisíacos, hoje servem como uma espécie de entulho.

Casas que antes abrigavam famílias felizes em grandes comemorações agora destruídas, marcadas.

O número de mortos, oficialmente falando, já ultrapassa 7.100 e já ultrapassou a marca de mortos do último grande terremoto devastador. Em janeiro de 1995, Kobe, região central do Japão foi atingida por um terremoto de 7.2 graus, deixando 6.400 vítimas fatais. Espera-se claro, e infelizmente, que os números aumentem, já que são entre 10 e 15 mil os desaparecidos.

O terremoto foi considerado pior da história do país, mas não foi o com maior número e vítimas e nem será. Esse título pertence a um terremoto de 1923 que matou cerca de 140 mil pessoas.

Um estudo agora que conta agora com maiores evidências tem provas o suficiente para acreditar que terremotos seguidos de tsunami como o de uma semana atrás acontecem uma vez a cada 1000 anos nessa região do pacífico.

Uma boa notícia é que mais 26 mil pessoas já foram resgatadas com vida dando início a histórias fantásticas de sobrevivência.

  • Um senhor de 80 anos passou cerca de 66 horas em cima do telhado de sua casa a deriva e foi resgatado com vida, embora tenha visto sua mulher e seu casal de vizinhos morrerem levados pelas ondas.
  • Um bebê de 4 meses foi encontrado com sua família, todos vivos, dentro dos escombros do que antes fora sua casa.
  • Um outro bebê de 4 meses também foi resgatado com vida, este porém foi levado pela tsunami e sobreviveu ninguém sabe como. Seus pais e irmãos não conseguiram puxa-lo para dentro da residencia quandoa grande onda veio e logo acharam que a crianças estava morta.
  • 3 idosos ficarão presos num carro debaixo de lama, até que fossem notados por um grupo de pessoas em cima de um prédio ao lado. Todos vivos também.
  • Um homem de 26 anos ficou preso debaixo dos escombros de sua casa e abaixo de uma pequena encosta e também foi resgatado com vida.
  • Um dos médicos que faz plantões intermináveis para salvar a vida daqueles estão feridos também foi levado pela tsunami e consguiu sair dessa, como ele disse, ser a pior cena de sua vida.

 

Tudo isso graças as forças que foram unidas para resgatar vítimas com vida ou até mesmo corpos, vindas do mundo inteiro. Além dos treinados bombeiros e pessoal de resgate japonês, especialistas dos EUA, Alemanha, Reino Unido, Argentina e Chile se unem para fazer o máximo que podem para achar pessoas com vida. Tantas pessoas já se encontraram com seus entes queridos, aqueles que pensavam que nunca mais iriam ver, pois estavam certos de sua morte. Enquanto que outros choram por aqueles que a onda gigante levou, sem talvez dar qualquer chance de sobrevivência.

É claro que as buscas não são fáceis. A destruição foi imensa e fez uma tremenda baderna, afinal de contas carros lado a lado com lanchas, barcos e aviões complicam as buscas. Cães suíços ajudam nas buscas, embora o clima só teime em atrapalhar, a neve não para de cair. Carros de resgate não tem combustível suficiente, pois este se tornou um item escasso em todo o país, por falta de abastecimento.

Mas o pessoal não desanima. Quarta – feira passou no jornal um pessoal já tirando a lama com pás, pessoal tirando entulhos, enquanto outros organizam abrigos improvisados. Os japoneses tem uma esperança e uma vontade de lutar que são admiráveis. Eles se organizam e tentam normalizar suas vidas ao máximo.

E como se não bastasse, os sobreviventes ainda tem que lidar com mais um problema, as usinas nucleares.

Desde o terremoto a região de Fukushima, que conta com 6 reatores nucleares na usina Daiichi, tem apresentado problemas de resfriamento. E é algo a se temer caso não seja controlado. Ora nos jornais a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) diz que o Japão não tem controle nenhum sobre a situação. Ora tudo parece estar sendo feito para evitar o pior. Neste sábado a energia elétrica será restaurada na usina, o que poderá dar uma chance de tentar reverter o problema.

O grande medo é a de vazamento de radiação, aliás, um grande vazamento. A área de 20 km ao redor da usina foi evacuada, para evitar contaminação de qualquer tipo e quem fica entre 20 km e 30 km deve evitar beber água corrente, sair na chuva, abrir as janelas, evitar o uso de ar condicionado e até mesmo deve se desfazer das roupas sempre que usá-las do lado de fora da casa. Lembrando que medições de radiação estão sempre sendo efetuadas, tanto nos locais quanto nas pessoas.

A situação chegou ao ponto crítico onde apenas 50 pessoas estão trabalhando na usina, para controlar tudo e evitar o pior. São os, como foram considerados pelo primeiro ministro, heróis do Japão.  Homens que podem estar morrendo aos poucos para dar a vida ao resto do país. Um recrutamento foi feito e 50 voluntário sde todas as idades apareceram. Inclusive aposentados.

O problema está situado nas pás do reator que deveriam esfriar o material dentro do mesmo, para que não vazem. O problema é que a algumas explosões e incêndios nas partes superiores dos reatores estão ajudando  a água a evaporar e não resfriar. E nesses casos alguns vapores com radiação são expelidos, contendo césio 137 e Iodo 131 que podem ser prejudiciais a saúde.

A última tentativa de resfriar os reatores foi de jogar a agua do mar, através de helicópteros, caminhões pipas ou de bombeiros. Porém com o reestabelecimento de energia elétrica, deve se tornar mais fácil as tentativas de resfriamento.

Esse problema com as usinas até deu início a um debate sobre a necessidade de usinas nucleares no mundo inteiro. A situação de periculosidade das usinas japonesas é de 5 em uma escala que vai até 7.

Com o terremoto os combustíveis (tanto os de carros quanto os de aquecedores de ar) ficaram escassos, assim como a comida e energia elétrica.

Sem mencionar a crise financeira que paira sobre o Japão. Uma medida foi tomada para injetar vários milhões na economia para dar uma amparada e os prejuízos já chegam nas marcas de U$200 bilhões. Enquanto isso, o g7 está revendo formas de ajudar a bolsa nipônica a se estabilizar.

Ao redor do mundo milhares de pessoas querem ajudar e estão ajudando, mandando dinheiro, comida, roupa e água. As doações em dinheiro chegam a uma marca incrível de U$145 milhões.

Uma coisa inédita que aconteceu foi a aparição do imperador do Japão, Akihito. Ele que é imperador há 22 anos, apareceu a primeira vez em público para falar sobre algo que desolou seu país. A maior crise que o país enfrenta desde a segunda guerra mundial.

Palavras de conforto se espalham, enquanto pessoas estão desesperadas para sair do país asiático e voltar para sua terra de origem. Enquanto pessoas ficam nos abrigos esperando notícias, comida. Enfim aguardando tudo voltar ao normal.

Após uma semana pudemos observar que:

  • Japoneses é que não desistem nunca!
  • O Japão tem como se reestabelecer
  • O número de mortos poderia ser bem maior, tipo umas 10, 20 vezes maior
  • Nunca houve um desastre natural tão bem documentado através de gravações quanto esse.
  • Nunca as redes sociais ajudaram tanto quanto ajudaram agora

No mais espero de coração pela recuperação de um dos países que mais admiro e que ainda tenho vontade de visitar

Uma pequena mensagem para os japoneses / 日本人のために少しメッセージ

頑張って.

勇敢さ.

私たちはあなたのために応援している

 

P.S.: Muitos dos vídeos que venho acompanhando são do site do terra. Tem muitos vídeos e muitas fotos lá ^^

 

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