Haddock

The Adventures of Tintin

Na lista de quadrinhos europeus que chegaram ao Brasil Tintin sempre figura entre os de maior destaque. Talvez não seja tão famoso quanto Asterix, ou tão cultuado quanto Corto Maltese, mas o rapaz detetive tem divertidas histórias para contar. Infelizmente nunca li nenhum dos álbuns. Eu sei que é uma vergonha, mas são caros, e nem minha coleção do Asterix tá completa ainda ^^ Mas assisti ao desenho que passava na TV Cultura, que parece ser uma adaptação fiél. Não gostava dele tanto quanto gostava do Rupert ou d’O Pequeno Urso, mas ainda assim adorava as aventuras de Tintin e, principalmente, dos seus amigos.


Pra quem não conhece Tintin é um jovem repórter Belga muito curioso e que sempre se envolve em investigações perigosas. As histórias flertam com gêneros diversos como aventura, ficção científica, fantasia e romances policiais. Foi criado em 1929 e de mostra algumas coisas controversas pros tempos atuais. A caracterização de certos povos é um bocado preconceituosa. A idolatria ao colonialismo também é constante. Mas ao tirar isso de foco sobram histórias bem pesquisadas e interessantes, que instigam muito a imaginação. Eu em particular acho muito chamosa a ambientação do começo do século, com diversas culturas interagindo e muita exploração ao desconhecido.


O filme é uma mistura de três histórias: “O Segredo do Licorne”, “O Caranguejo das Tenazes de Ouro” e “O Tesouro de Rackham O Terrível”. Elas se mesclam de maneira muito competente, e formam uma linha única na narrativa. Também não era de se esperar menos, já que o diretor é Steven Spielberg. E talvez por isso mesmo o filme se comporta muito como um Indiana Jones, com muito mais cenas de ação de que de investigação e comédia.


Dos personagens recorrentes faltou só o Trifólio Girassol. Dupond e Dupont – dois detetives incrivelmente desastrados e incompetentes que parecem irmão gêmeos – participam de uma investigação paralela muito divertida. Milu – o simpático cachorro de Tintin – se revela um ótimo ajudante. Até mesmo a cantora de ópera Bianca marca presença. Mas o destaque mesmo vai para Haddock. O Capitão do navio é de longe o personagem mais carismático do filme. É uma benção que seu alcoolismo tenha passado incólome por um filme mais família. Seu jeito rude e sua devoção a um bom whisky são um alívio frente ao certinho do Tintin.


O filme foi todo criado com tecnologia de captura de movimentos. Não é uma tecnologia exatamente nova, mas com certeza é a melhor utilização em larga escala já feita. Os personagens ainda tem expressões faciais um pouco travadas, mas houve uma melhora gigante desde O Expresso Polar. O que não elimina totalmente a sensação de estranheza, mas de toda forma é um avanço.


As cenas de ação são muito boas e variadas. Combate armado? Confere. Combate desarmado? Confere. Combate em aviões? Confere. Combate em navios? Confere. Perseguições desenfreadas? Confere. Parece inclusive que há pouco filme pra muitas cenas de ação. O combate entre piratas e o navio do antepassado de Harddock é espetacular, de cair o queixo mesmo. Os efeitos de iluminação, poeira, névoa, a forma como a água se move… Muitas áreas problemáticas em outras animações são verdadeiros colírios em As Aventuras de Tintin.


Se a apresentação é muito boa o conteúdo é bem genérico. Tintin quer descobrir os segredos por trás do tesouro de Sir Francis Haddock, mas há alguém que quer chegar no tesouro antes, não tem escrúpulos e deseja vingança. Não que o roteiro seja ruim, apenas não é muito inovador. Funciona no desenho pelo clima mais calmo, mas em um filme com tanta ação acaba sendo apenas um plano de fundo. O final é até um pouco anticlimax. Pelo menos deixa um gancho muito óbvio para uma provável continuação.


A Nickelodeon Movies não costuma ter muita coisa de qualidade, mas em 2011 ela se superou. The Adventures of Tintin e Rango no mesmo ano chega até a ser covardia com outras produtoras. Agora é esperar uma continuação e mais filmes que continuem desenvolvendo a tecnologia de captura de movimento. A animação 3D tradicional teve sua fase deplorável, mas hoje está num padrão de qualidade altíssimo. Não tem porque esperar menos da animação baseada na captura de movimentos. E como a Pixar comprou equipamentos especializados há um futuro competitivo a espera. Quem ganha são todos os fãs de animação.

One comment

  1. From 1985-2013 it had shared its channel space with Nick at Nite, a nighttime service broadcasting during the interim hours that features reruns of older primetime sitcoms, along with some original series and feature films, which is treated as a separate channel from Nickelodeon by A.C. Nielsen Co. for ratings purposes.^””

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