Miyazaki

The Miyazaki Temple

A França tem uma história de interesse e respeito com animalção muito grande. Quem acompanha o lançamento de obras sabe que os cinemas do país exibem filmes de animação estrangeiros com prontidão, e que muitos produtos como dvds e blurays muitas vezes são lançados apenas lá. A França também gosta muito das obras do Ghibli. Enquanto escrevo é o único país fora o Japão a exibir Borrower the Arriety, último filme do estúdio, lançado na Terra do Sol Nascente em 2010.

Ghibli et le mystere Miyazaki, mais conhecido como The Miyazaki Temple, é um documentário produzido em 2005. Nada melhor que um francês para dar uma visão por fora do estúdio. Infelizmente não faz jus a fama das obras de Miyazaki e companhia, e acaba sendo interessante apenas aos já fãs do Ghibli.


Joe Hisaishi  é o compositor de praticamente todas as músicas do estúdio. Ele tem uma breve participação no filme, o que é uma pena. É notável como ele consegue e adequar suas composições aos mais diferentes filmes e temas. Seus depoimentos poderiam enriquecer bastante a obra.


Como não deveria deixar de ser Isao Takahata tem sua participação. O diretor produziu entre outros o mais tocante e triste filme do estúdio – Túmulo dos Vagalumes – e tende a fazer animações menos fantasiosas que Miyazaki. O documentário mostra ele como um grande estudioso da arte japonesa em si, e a admiração que tem por Hayao. Admiração que certamente é retribuida.


A entrevista com Goro Miyazaki se torna mais interessante com o passar do tempo. A ele cabe o legado de dar continuidade as obras do estúdio. O Ghibli sobrevive de lucros obtidos com filmes, uma jogada arriscada em comparação com a produção de séries mensais. Dois fracassos seguidos significam dois anos sem fatura, e isso é mortal para qualquer empresa. O jovem dirigiu dois filmes até o momento – o sem sal Tales From Earthsea, com roteiro mal adaptado e desenvolvimento ruim, e atualmente trabalha em Kokurikozaka Kara. Tales From Earthsea não foi um fracasso de público, mas as recepções foram bem mornas.


É possível notar um profundo interesse e respeito do filho pelas obras do pai. Suas opiniões são interessantes e mostram que ele realmente se dedica ao que faz. Tomara que isso acabe compense a falta de experiência do jovem como diretor, e que ele consiga seguir seus próprios passos.



Há várias entrevistas breves com pessoas envolvidas em menor grau com o estúdio ou fãs. Elas tendem a falar mais de sua relação com os filmes que sobre seus trabalhos, e como as aclamações são unânimes e previsíveis o documentário várias vezes fica mais monótono que deveria.

Miyazaki mesmo aparece apenas nos últimos minutos, em uma entrevista junto com Moebius. São os melhores momentos do filme, com ele complementando as afirmações do animador francês sobre suas obras. É impressionante como um documentário com seu nome no título tem tão pouco de sua participação, mas sua fama de workaholic é grande, e deve ser muito difícil conseguir um tempo com o mestre.


A montagem sem inspiração dificulta a apreciação. O diretor tinha um material de grande potencial em mãos, mas infelizmente não conseguiu usá-lo bem. Os já fãs do estúdio vão encontrar um ou outro fato interessante. Os que desconhecem vão achar tudo monótono e sem graça.

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