WitchingHour

The Witching Hour

The Witching Hour é a hora em que bruxas, demônios e fantasmas estão ativos e a magia negra é mais poderosa. É um jeito mais estiloso e ocultista de dizer meia-noite. Este foi o nome escolhido para uma antologia de quadrinhos de terror publicadas pela DC entre 1969 e 1978. Estas antologias de terror sempre fizeram sucesso na editora. As mais famosas acho que foram House of Secrets e House of Mystery, que tinham como anfitriões Cain e Abel, os mesmos de Sandman. Nos anos 1999 e 2000 foi também lançada uma minissérie de 3 edições com o mesmo nome. E em 2013 uma revista oneshot (em uma edição, sem continuações) foi lançada pela Vertigo.

Em um universo paralelo onde eu tenho mais tempo livre e gosto de menos coisas eu provavelmente li todas estas revistas. E conseguiria fazer um paralelo interessante com a série de TV Além da Imaginação. Mas no universo em que vivemos eu só li a oneshot, e atraído pela capa absurdamente linda da edição (tá no final da resenha).

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São nove histórias curtinhas, divididas nas 70 páginas da revista. Tem de tudo, inclusive uma de ficção científica que fica bem deslocada. Cada uma ilustrada por uma pessoa diferente. O nível das histórias varia. E de modo geral não é tão alto assim. Eu queria mais bruxas, gosto bastante delas. Já a arte normalmente é boa. Com destaque pra algumas histórias que usam apenas algumas cores, dando um efeito legal.

É engraçado que a DC é sempre criticada (com bons motivos, geralmente) pela falta de liberdade que dá a seus artistas. Chegamos ao absurdo de termos edições planejadas por meses para ter seu desfecho mudado de última hora, ou tirarem cigarros do Constantine. Já a Vertigo dá bem mais liberdade, principalmente por seus títulos não coexistirem num mesmo universo. Não todas. Não sempre. Quando não estão na Terra 01.

Quadrinhos são complicados.

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Voltando ao tema… As histórias de The Witching Hour lidam abertamente com problemas sociais. Muitos. Histórias de terror tipicamente transfiguram problemas sociais em monstros, então é interessante ver as cartas na mesa pra variar. Homofobia, opressão religiosa, estupro e outros temas cabeludos estão nas páginas. Não gostei muito do modo como alguns assuntos foram tratados. Mas quando parei para pensar vi que estava sendo duro demais. Os artistas tiveram tão poucas páginas pra desenvolver suas histórias, então alguns lados tiveram que ser cortados.

No final das contas é uma edição divertida. As histórias são mais densas que as histórias de super-heróis da editora, mas isto era previsível. A única história ligada a outras da DC é uma dos Dead Boy Detectives. Vai começar uma série mensal com eles, e a história funciona como um aperitivo. Um aperitivo estranho, porque se você não conhece a história dos garotos vai ficar completamente perdido.

The Witching Hour acaba sendo uma leitura divertida, mesmo que tenha um gosto de fanzine. A DC devia fazer mais destas histórias livres. Deve inclusive aliviar a cabeça de quem trabalha nelas, só de saber que não tem que se preocupar com megasagas, multiversos, crossovers e outras complicações. É uma boa revista pra apresentar pra alguém que quer ler quadrinhos e não sabe por onde começar, ou pra esquecer brevemente os problemas da vida ao pensar no que outras pessoas encaram diariamente.

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2 comments

  1. Ah meus tempos de estudos sistemáticos em ocultismo e afins… Mas o selo Vertigo sempre foi mesmo muito mais “macho” que seus concorrentes. Estão ai obras a escalar para estarem intercaladas aos livros de filosofia e ciências das religiões :D

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