Thor

Thor & Loki – Blood Brothers

Filmes de super-heróis viraram um mercado muito rentável para holywood, e quando são lançados costumam ser acompanhados por animações com os personagens. Uma boa pros fãs de animações e super-heróis, já que normalmente são adaptações de séries consagradas e não um roteiro feito para virar blockbuster.

Foi criada baseada na hq homônima criada por Robert Rodi e Esad Ridic. Ridic ilustrou a imagem com belas pinturas, e o visual da hq é soberbo. A adaptação seria difícil e cara usando animações tradicionais, e provavelmente por isso foi adaptada como motion comics.

A animação merece uma descrição a parte. Motion Comic são como uma hqs animadas, do jeito mais puro e fácil: são fotografados os quadrinhos, e animados usando técnicas simples como deslocamentos e zoom. São comuns obras do gênero, muitas vezes criados por fãs. Mas Blood Brother se destaca pelas técnicas empregadas. Enquanto na maioria das vezes o cenário fica estático, animações em 3D dos personagens são exibidas, muito detalhadas e que combinam de maneira excelente com as pinturas. Manter o movimento ao mínimo tem um ótimo resultado, e que causa a impressão de que realmente se está lendo uma história em quadrinho. A câmera, na maioria das vezes estática, reforça ainda mais o efeito.

Após derrotar seu irmão Thor em combate Loki manda prendê-lo e se proclama rei de Asgard. A animação deveria se chamar Lokie & Thor, já que ele é o centro dos acontecimentos. O roteirista deu uma de advogado do diabo e escreveu uma história centrada no ponto de vista do vilão. A jornada de auto-piedade de Loki é tocante. Criado em um mundo com regras estáticas desde a mais tenra infância, ele sofria com as comparações com seu virtuoso irmão e com o fato que sempre seria o mais desprezado dentre os deuses. Seu destino é fixo, e sua fixação em mudá-lo – em ser diferente – é o que torna seu futuro imutável.

O ritmo é lento, o que pode afastar quem só curte pancadaria a cada minuto. Mas pra quem aprecia obras diferentes a animação não fica tediosa. A divisão em episódios curtos funciona casa muito bem com o tom filosófico, e mesmo que não haja variação no tema de auto-piedade de Loki dá curiosidade de assistir para ver o desenlace. O final é previsível, mas o modo como é contado tem bastante impacto.

Temas musicais sombrios acompanham a jornada de Loki por Asgard e combinam muito bem com o clima geral da série. E as dublagens são soberbas. A voz de Loki carrega o peso da reflexão e derrota contínua, e é perfeita tanto nas suas conversas consigo mesmo quanto nos seus diálogos repletos de fúria, revolta, superioridade e desprezo. Os outros personagens também têm vozes marcantes, que ajudam a representar a personalidade deles.

Que venham mais animações do gênero. A DC tem vários filmes de qualidade lançados diretamente pra vídeo. A Marvel tem alguns filmes também, mas não tão boas. Esta mescla de motion comics com animação em 3D e tradicional produziu ótimos resultados. A empresa tem seu quinhão de grandes histórias fechadas, e seria ótimo ver séries como 1602 ou Wolverine Origens sendo contadas assim.

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