Monica

Turma da Mônica – Laços

Quando criança eu sempre preferi os quadrinhos da Turma da Mônica. Quanto ia ao centro com meus pais era comum eles me deixarem na biblioteca pública, lendo quadrinhos. Normalmente preferia os quadrinhos da turma da Rua do Limoeiro do que as da Disney (com a exceção dos quadrinhos do Carl Barks, que eu nem imaginava quem era na época). Quando ia pra casa da minha tia em outra cidade passava o sábado a tarde sempre relendo as mesmas histórias, a maioria delas do Chico Bento. E quando comecei o Ensino Médio um amigo meu assinava os quadrinhos, e me emprestava. Eu lia todos com interesse e afinco.

Eu admiro demais o Maurício de Souza como empresário. Ele sempre conseguiu ter seu espaço cativo nas bancas e nos corações dos brasileiros. E sempre teve ousadia ao investir em projetos que poderiam ser vistos como malucos. Como exemplo cito as animações e a Turma da Mônica Jovem. Infelizmente eu não consigo respeitá-lo como artista. Ele assina quase tudo que é feito pela equipe, e proíbe os verdadeiros criadores de colocar os créditos nas histórias. Assinar a arte dos outros pra mim é imoral. E é o que me impede de comprar as revistas. Me sinto mal em ler algo, me emocionar e pensar que o criador de verdade não teve o mínimo de destaque.

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Acontece que o mercado de quadrinhos no Brasil se desenvolveu muito. E o Mauricio parece ter se tocado que há gente que fez o próprio nome, e tem certa fama. Assim ele fez uma (excelente) edição com 50 artistas criando histórias do universo da Maurício de Souza Produções com liberdade total. Muitos eram conhecidos pelos webcomics. O resultado foi uma obra memorável, e a idéia para uma série de graphic novels. A primeira foi Astronauta – Magnetar, que não me atraiu e por isso eu não comprei (é boa?). Quando vi a capa da segunda, Laços, eu me apaixonei instantaneamente.

Os irmãos Vitor e Lu Caffagi fizeram o traço mais bonito que já vi pra turminha. Uma reimaginação que deu tão certo que até destaca algumas coisas que o traço antigo não permitia. A Mônica agora realmente é gordinha e baixinha, por exemplo (embora o dentão tenha sumido na maioria dos quadros). Tudo tem uma delicadeza e capricho ímpar. Não dá pra ler esta história rápido. É preciso se perder em cada quadrinho, reparar nos detalhes de cada desenho.

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A história é sobre a turma se reunindo pra ajudar o Cebolinha a encontrar seu cachorro Floquinho, que fugiu. Com certeza vai agradar os pequenos, mas ela é feita mesmo para adultos. Há referências a várias histórias clássicas, personagens secundários aparecem aos montes, um clima de filmes dos anos 80 como Aventureiros do Bairro Proibido… É uma história que não pode ir pra uma caixa junta com dezenas de outras revistas já lidas e ficar guardada debaixo da cama ou no armário. Ela merece um lugar de destaque em estantes. É daquelas que quando alguma visita fala que não leu a gente abre o olho com uma cara de incrédulo e obriga a pessoa a ler. De preferência no mesmo momento.

Depois de lidas as 60 e poucas páginas fica a sensação de quero mais. A vontade de devorar mais e mais livros escritos pela dupla. Vou aproveitar e conhecer as webcomics do Vitor, que são publicadas no site http://punyparker.blogspot.com.br/. E Vitor, a você  e a Lu Caffagi fica meu agradecimento. Vocês me deram minha infância de volta, mesmo que por alguns minutos.

 Turma da Mônica

One comment

  1. Bom dia Heider

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