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Usagi Drop

Obras josei não desfrutam de uma grande popularidade no ocidente. Há alguns títulos mais conhecidos, como Honey and Clover, mas a maioria delas fica restrita ao Japão. Os mangás josei são voltadas para mulheres no final da adolescencia e adultas e raramente são transformadas em anime. Por isso foi uma boa surpresa o lançamento de Usagi Drop, baseado na primeira parte do mangá homônimo de Yumi Unita.

Daikichi é um jovem de 30 anos, solteiro e muito dedicado ao trabalho. No velório de seu avô ele (e o resto de sua família) descobrem chocados que o idoso tinha uma filha ilegítima chamada Rin. A menina tem apenas seis anos e é filha da empregada, que a abandonou para se dedicar ao trabalho de mangaká. Os parentes de Daikichi decidem em reunião que ela deveria ir para um orfanato, mas Daikichi decide criar a criança sozinho. A partir daí sua vida muda radicalmente.

De personagens importantes há também um menino da idade de Rin chamado Kouki, e sua mãe divorciada Yukari. Há vários outros personagens que aparecem durante o anime com participações de maior ou menor destaque, mas o foco sempre é o relacionamento de Rin e Daikichi.


A menina é indepentende e decidida, e seu novo pai é dedicado mas muito inexperiente. A química entre os dois é o ponto forte do anime, e é difícil pensar em personagens tão simpáticos e que combinam tanto. Rin não é uma criança perfeita e estereotipada, ela passa por alguns problemas típicos da idade e outros relacionados ao seu passado. Já Daikichi sempre quer o melhor para a pequena, e isso faz com que ele tenha que definir novas prioridades na sua vida. Criar uma criança não é fácil e requer muita dedicação e sacrifício, e isso é frequentemente posto a tona na série.

Como um típico slice of life a série mostra o dia-a-dia dos dois, e na vivência cotidiana os detalhes ganham impacto. O anime começa um pouco acelerado, mas depois a série entra nos eixos e tudo anda com mais tranquilidade. As pequenas alegrias e tristezas são tocantes, e acompanhá-las sempre deixa um gostinho de quero mais. Tudo é tratado com muita delicadeza, e em pouco tempo quem assiste está perdidamente cativado pela garota e seu pai, e se preocupando com tudo que acontece com eles.

Os estilo visual é muito bem pensado. A tonalidade clara que compõe as cenas cai bem com o estilo do anime. Muitas vezes  Usagi Drop parece uma aquarela ou livro infantil, bem delicado e bem trabalhado. Nas partes de comédia são comuns expressões escrachadas que aparecem do nada e podem arrancar boas risadas. As músicas não se destacam mas mesclam perfeitamente com a situação e ajudam a compor o clima. A música de abertura é cantada pela badalada banda Puffy AmiYumi.

A ambientação é diferente de outros animes contemporâneos. O Japão é mostrado como um lugar mais calmo e tranquilo, sem os impactos da extrema urbanização. Há um certo destaque à natureza, principalmente as plantas. Com certeza um lugar melhor pra se criar uma criança.

Críticas à sociedade aparecem de quando em quando. Principalmente sobre o papel da mulher moderna na conservadora sociedade japonesa. Isso é tratado com frequencia nas figuras da mãe da Rin e da Yukari, que decidiram por caminhos opostos em relação aos filhos. Já o sétimo episódio trata isso de maneira mais direta, com a prima de Daisuke fugindo da casa do marido, e é um dos melhores episódios.

Não é um anime pra quem quer emoções fortes, reviravoltas e muita ação. O destaque é exatamente o oposto. A ausência de elementos de fantasia e exageros é o grande charme de Usagi Drop, que o torna tão diferente da maioria dos animes disponíveis.

PS: O mangá é doentio. Fiquem avisados.

5 comments

  1. Assisti o anime, gostei muito. Fiz 1/3 de post sobre ele quando eu tava começando a assistir. Apesar de não ter lido o mangá, não creio que um anime tão bom e único como esse possa ter se originado de algo “doentio”…

    1. SPOILER

      Se passam 10 anos depois do fim do mangá e a Rin termina com o Daikichi, sexualmente e casamentalmente falando. Considero isso muito doentio, afinal ela é basicamente filha dele.

      /SPOILER

      1. Ah, eu já sabia. O povo geralmente não gosta do mangá por causa disso. O foda é que a Rin não é filha dele, eles nao tem essa relação. Ele cuida dela em virtude de ela nao ter lugar pra ir, tomando responsabilidade pelos assuntos que ela nao pode resolver sozinha (matricula na escola, por exemplo). E ela nao quis ser adotada, nao quis ter o nome dele.
        Eu pelo menos valorizo a história de Usagi Drop nao porque ela mostra o desenvolvimento de sentimentos paternais e a consolidação de uma família, mas sim porque ela mostra o crescimento suave de uma amizade forte entre duas pessoas dimensionalmente distantes em relação a idade.
        Nao sei, mas acho que pra quem asstiu, leu e conviveu com Sakura Card Captors isso é mais resolvido. Uma amiga dela e um professor claramente tem um relacionamento ali (o professor sendo uns 30 anos mais velho que ela). Por essa base, já vi gente falando por aí que talvez a Rin já goste do Daikichi desde sempre.
        Mas aí eu já não garanto nada. Tenho que ler o mangá pra ver direito.

    1. Obrigado ^^ Pra mim seria o melhor da temporada de qq maneira, pq só assisti ele :D Mas é muito bom ver algo que não gire em torno de salvar o mundo/arrumar um(a) namorada/se vingar de alguém.

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