Ys – Ark of Napishtim

Gosto bastante de Ys. É uma série mais desconhecida da galera, mas faz sucesso no Japão desde a primeira versão pra NEC PC-8801, que é um computador também desconhecida mas com jogos muitos bons. Ys conseguiu algo que muitas séries não conseguiram: evoluir sem perder a essência. Jogando o primeiro jogo com golpes automáticos – não há botão de ataque, e o que importa é o ângulo do encontrão – e jogando Ys VI dá reconhecer que são da mesma série facilmente.

Belas mulheres aparecem durante todo jogo.
Belas mulheres aparecem durante todo jogo.

Ark of Napishtim foi lançado para Windows XP/Vista e depois para PS2 e PSP. A versão que eu joguei foi a de PS2. As maiores mudanças são a presença de sangue e cenas mais fortes na versão de computador, que só existe em japonês, e a ausência de dublagem no PSP, que ganhou alguns bônus exclusivos.

Através de um sistema é possível escolher se as animações serão estilo anime ou 3D e se as vozes serão em inglês ou japonês. Algo muito bom, mas escondido. É preciso entrar como uma espécie de código pra ativar isto. Há muitos slots pra saves disponíveis, mas não dá pra salvar a qualquer momento, só em pontos específicos.

Lutar contra chefes exige mais reflexos que griding
Lutar contra chefes exige mais reflexos que griding

O game design é genial. Ao encontrar um novo monstro, sempre é bom ir com cautela. Eles costumam dar um status chato, ou matar com três golpes, ou ser invencíveis a não ser que atacados de uma certa maneira. Então, logo após morrer umas três vezes pro mesmo tipo de monstro se acostumar com o padrão, é um momento de ir com calma. Achar um lugar onde é mais fácil de matá-los, se divertir um pouco, e em pouco tempo ganhar um nível ou mais. E prosseguir viagem. Só que como o jogo só tem duas cidades, é comum ter que voltar a algum lugar. Voltar à masmorra alguns níveis depois e notar que os monstros agora mal conseguem te arrannhar é uma sensação poderosa. Poderosa o bastante pra eu quase não ter utilizado o item que teletransporta para o save point – tira boa parte da diversão. Comos belos gráficos, a  trilha sonora e um sistema de batalha simples mais agradável, fazer griding em Ys é mais divertido que jogar a grande maioria dos RPGs que existem por aí.

Um dos poderes especiais das espadas.
Um dos poderes especiais das espadas.

A trilha sonora é incrível. Não há o que criticar. Diria que metade da grandeza jogo vem dela. Uma tradição na série, a bem da verdade. Desafio qualquer um a terminar o jogo e não procurar o ost. Desde as mais calmas até as que mais emocionantes, Ys nunca fez feio no áudio. A simples idéia de imaginar um jogo da série com a trilha sonora inferior a perfeita é heresia :D

Os cenários são bastante variados. Indo desde cavernas com estátuas gigantes de criaturas no estilo Lovecraftiano a cenários mais futuristas, tudo em Ys é original e bem feito. A câmera muda automaticamente pra facilitar a locomoção, e não incomoda hora nenhuma no jogo. Na verdade, ela é usada para enaltecer os gráficos, com ângulos que passam uma sensação de grandeza. As imagens dos personagens em estilo anime são bem desenhadas, e os avatares no jogo permitem uma identificação eficiente de quem é quem. Os efeitos sonoros são muito detalhados – o som de passos varia de acordo com o tipo do chão, conforme se chega perto de fontes de água o barulho fica maior, cada espada tem um barulho específico, etc. Junte os gráficos mais efeitos sonoros e trilha sonora e o resultado é uma imersão rara em jogos de fantasia.

A lava sempre ferrando com a vida dos jogadores.
A lava sempre ferrando com a vida dos jogadores.

Os comandos são simples. X ataca, bolinha usa o poder da espada, quadrado pula e triângulo usa um item selecionado. Com o tempo, é possível pegar três espadas mágicas no jogo. Uma de fogo, uma elétrica e uma de gelo. Cada uma tem um pequeno poder que é liberado após uma sequência rápida de golpes, uma espécie de pequeno combo, e um poder maior, que pode ser liberado com o botão quadrado, que gasta uma barra de especial. Para trocar de uma espada para outra, é só apertar L ou R. Como são só três, dá pra ir de uma espada para qualquer outra instantaneamente.

Mais sangue na versão pra PCs
Mais sangue na versão pra PCs

Salvar donzelas em perigo, ser um espadachim solitário em meio a milhões de monstros, explorar cada espaço em busca de tesouros. Onde muitas empresas só conseguem fazer jogos repetitivos, chatos, repletos de clichês e tediosos, a Falcon consegue fazer jogos muito divertidos. Não importa que tudo já tenha sido visto em milhares de jogos. O jeito de apresentar ao jogador encante e prende. Ys mantém um padrão de qualidade invejável, e o sexto game da série não deve nada pros demais.

4 comments

  1. Ys 1 e 2 são bem tensos, você ter que se jogar em cima do inimigo….

    O último boss de Ys 1 é estremamente foda, você ter que além de se jogar no inimigo você tem que desviar dos chão que vai caindo….

  2. Ótimo texto!Sou fã (de araque) da série Ys também ^^.

    Joguei a versão do Ys VI do PSP, que deve ser a pior das três por causa dos loadings irritantes.Preciso jogar a versão de PC.

    Tenho que discordar quanto à trilha sonora, não gosto dela como um todo. Para mim, só algumas músicas são memoráveis (curiosidade: Mario Paint: Ys VI The Ark of Napishtim – Release of the Far West Ocean http://www.youtube.com/watch?v=nAP6sy3-0PU). Achei que o jogo acaba meio que de súbito também.

  3. Opa, bom demais ver uma matéria sobre YS! Eu tenho o “Ark of Napishtim”, mas ainda não joguei. Como “nobre ancião tarimbado”, joguei muito mesmo os 3 primeiros YS direto da fonte, no MSX. ^___^

    E em termos de música, versões do PCE “FTW”!!

    1. Eu comprei um PSP em grande parte pra jogar os Ys dele. Agora falta só sobrar grana pra comprar e debulhar os jogos :D Não sei se vc sabe mas no remake de Ys III, Oath of Felghana, dá pra escolher a música chiptune de Ys III pra PCE. Realmente estas músicas são incríveis.

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